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Por que insistimos em julgar?

Por: José Roberto Marques | Blog | 12 de janeiro de 2021

O ser humano tem como um de seus principais hábitos julgar as pessoas que estão à sua volta. Esse julgamento constante, em grande parte dos casos, não é feito pela vontade de julgar, e sim pela força do hábito. Basta fazer um rápido exercício, lembre-se da última vez que caminhou pela rua e observou as pessoas que passavam por você. Ainda que não fosse seu objetivo, provavelmente as julgou.

O grande problema com esse julgamento feito fora da nossa percepção é julgar sem conhecer. Quanto mais deixamos esse hábito se manifestar, mais damos espaço para que esses julgamentos guiem nossas escolhas e relacionamentos. Mas, afinal, por que insistimos em julgar? Continue lendo para entender o papel do julgamento em nossas vidas.

Entenda por que insistimos em julgar

Algo interessante de mencionar é que, ao mesmo tempo em que estamos julgando, também estamos sendo julgados. Logo, isso significa que julgar é um hábito presente na vida de quase todo mundo. Trata-se de um comportamento natural do ser humano. Entender como essa avaliação acontece e quais são os critérios utilizados contribui para entender por que nos mantemos nessa postura de juízes.

Esse julgamento é inerente ao ser humano, basta estar inserido na sociedade para se tornar um juiz em potencial. Todos os dias estamos expostos a inúmeras pessoas, sendo que algumas delas parecem interessantes aos nossos olhos, enquanto outras despertam repulsa. Novamente ressaltamos que esse julgamento, em grande parte dos casos, é feito de maneira automática, sem conhecimento a respeito do indivíduo julgado.

Basta avistar uma pessoa no horizonte para dar início ao processo de “avaliação”. Os critérios utilizados para esse julgamento automático incluem aparência, vestuário, tom de voz, expressão facial, entre outros. Há uma série de fatores de ordem física que consideramos para dar o veredito a respeito de alguém que nem sequer conhecemos. O julgamento é um reflexo.

Comparação

O cérebro humano trabalha de forma associativa, ou seja, compara as informações da pessoa que estamos avaliando com as informações armazenadas em nosso “HD pessoal”. As pessoas possuem predefinições do que lhes é agradável ou degradável. No momento em que conhecemos alguém, colocamos nosso cérebro para processar as informações e comparar com esses arquivos de qualidades e defeitos. Lembrando que cada pessoa tem sua própria compilação de atributos bons e ruins.

O que para você é maravilhoso, pode ser extremamente desagradável para outra pessoa. Tendo feito a avaliação comparativa do indivíduo com aquilo que se entende por bom e ruim, chega finalmente o momento do julgamento.

Caso o indivíduo à sua frente seja compatível com o que você entende por positivo, haverá identificação. Se, por outro lado, a pessoa tiver traços comportamentais que você considera negativos, haverá resistência. É o famoso “meu santo não bateu” com fulano.

Como o julgamento atrapalha a vida?

Você realmente acredita que uma avaliação de poucos segundos de uma pessoa desconhecida pode te dizer algo concreto? Com certeza não, quando nos deixamos levar pelo mau hábito do julgamento acabamos nos isolando socialmente. Já pensou quantas oportunidades de contato você perdeu?

Você é feliz?

Pessoas que você julgou não serem boas companhias poderiam se tornar suas amigas ou mesmo parceiras de trabalho. Outro ponto importante de levantar é que o oposto também pode acontecer. Quantas vezes você achou que tinha encontrado uma pessoa interessante para desenvolver uma amizade ou um projeto e não deu certo?

Saber se desviar das impressões subjetivas iniciais a respeito das pessoas contribui para se manter avaliando-as. Somente com o passar do tempo de convivência é possível dizer se alguém é ou não uma boa aquisição para a sua vida. Afinal, para fazer um julgamento de valor é necessário conhecer bem a outra pessoa.

Tem como deixar de julgar?

O julgamento constante é uma característica inerente ao ser humano, então, não tem como eliminá-lo. Contudo, você pode e deve evitar que o julgamento se torne o seu guia de ações. Seu cérebro vai continuar a definir primeiras impressões ao conhecer alguém, mas você pode simplesmente não ouvir essas impressões.

Ao conhecer alguém, procure dar tempo para que demonstre quem ele é. Não se deixe levar pela impressão de que a pessoa é isso ou aquilo. Os primeiros segundos de contato com o outro indivíduo não precisam e nem devem ser determinantes. Certamente, você conhece alguém de quem não gostou inicialmente, mas que depois percebeu que era apenas implicância.

Somente a convivência permite observar verdadeiramente as características de alguém. É importante que você deixe suas resistências de lado ao conhecer novas pessoas. Não tem como descobrir quem efetivamente é o outro se você se mantiver em uma postura fechada. Aprenda a ouvir e se abra para as pessoas novas.

Seja mais compreensivo e empático

Dar menos relevância para os julgamentos iniciais pode se tornar mais simples com o desenvolvimento da compreensão e empatia. Grande parte das pessoas, e isso pode incluir você, não sabe agir corretamente em situações sociais. Dessa forma, pode ser que a má impressão que teve de alguém seja apenas uma impressão.

Evite que pequenos erros cometidos pelo nervosismo te levem a um julgamento duro do outro. Se a pessoa em questão tiver agido mal por problemas de caráter, não irá demorar para que isso se evidencie. A dica é: não rotule as pessoas ao conhecê-las, aguarde até ter um pouco mais de informações. Sabendo mais sobre os indivíduos, você poderá então ponderar se são ou não boas companhias para ter.

Diversidade é fundamental

Ao longo deste artigo, explicamos como funciona o mecanismo de julgamento do ser humano. A base para determinar se alguém é interessante ou repulsivo está em comparar o indivíduo com um banco de dados previamente armazenado em nossas mentes. No entanto, essa avaliação se mostra ineficaz, afinal, não tem nada mais importante do que a diversidade.

Quanto mais variados os perfis das pessoas com quem convivemos, mais rica é a interação que estabelecemos. Aprenda a olhar os outros com olhos mais empáticos e descubra o quanto é positivo deixar seus julgamentos de lado.

Lembre-se de fazer o exercício de julgar menos e se permitir conhecer mais as pessoas ao seu redor. Se este conteúdo fez sentido para você, passe-o adiante, compartilhando através das suas redes sociais!

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