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A voz que eu devo ouvir

Por: José Roberto Marques | Blog | 29 de outubro de 2020

Estatísticas obtidas a partir de diferentes veículos de comunicação, somadas a dados de consultórios de psicologia, apontam que a repetição de padrões familiares é um fenômeno mais frequente do que se imagina.

Pesquisas apontam, por exemplo, que a tendência para que uma pessoa se divorcie é maior naqueles indivíduos cujos pais são divorciados. Apontam também que uma vida marcada por crises financeiras é uma tendência maior para as pessoas cujos pais passaram por problemas do tipo. Pessoas que cresceram em lares abusivos, violentos e emocionalmente instáveis também tendem a repetir esses comportamentos na vida adulta.

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Padrões que se repetem

A reprodução desses padrões não ocorre sem motivo. Desde a infância, tudo aquilo que vemos (o que inclui o comportamento de nossos pais, amigos e vizinhos) constitui a nossa visão de mundo. Quando somos repetidamente expostos a um determinado padrão de comportamento, a tendência é que nossa mente internalize esse padrão como algo natural; a vida como é.

Embora essa seja a explicação que a psicologia nos oferece para as estatísticas negativas citadas no início do artigo, é importante ressaltar que essa situação não é definitiva.

Em primeiro lugar, tendências não são destinos decretados. Algumas pessoas têm o hábito de reproduzir frases do tipo: “a vida é assim mesmo”, “quem nasce pobre morre pobre”, “mulher não pode fazer isso”, “sonhar é coisa de gente rica”, e por aí vai. Isso mostra que padrões comportamentais têm origem em crenças limitantes, perpetuadas com o tempo e, muitas vezes, passando de geração em geração. São vozes que ouvimos desde a infância.

Contudo, cada indivíduo precisa entender-se como autor, e não como vítima de seu próprio destino. Por enraizados que estejam, toda crença limitante e todo padrão disfuncional de comportamento podem ser quebrados e reformulados. Para que isso aconteça, porém, é preciso parar de ouvir certas vozes e começar a ouvir a voz interior.

Como ouvir minha própria voz?

Para assumir a condição de autor de sua própria história, você deve ouvir sua própria voz, conhecer a si mesmo e conectar-se com sua essência. A seguir, você encontra 6 dicas para que esse processo ocorra:

1. Identifique esses padrões

O primeiro passo talvez seja o mais difícil e desconfortável: olhar para si mesmo e observar seus pensamentos, sentimentos e atitudes. Você já pode ter ouvido expressões do tipo “você parece seu pai”, ou “você está ficando igual à sua mãe”, empregadas num contexto negativo. Não necessariamente você deve acreditar nesse tipo de crítica, mas pode ser um sinal de alerta de que você está reproduzindo algum padrão comportamental familiar.

Isso pode acontecer em diferentes esferas da vida: pessoal, profissional, social, nos relacionamentos amorosos, nas amizades, na criação dos filhos. Se você identificar alguma atitude inadequada nesses aspectos, não se entristeça. Lembre-se de que encontrar um problema é sempre o primeiro passo para resolvê-lo. É assim que você conseguirá transformar sua realidade e quebrar esse padrão.

2. Ressignifique essas experiências

Ao longo da vida, você pode ter sofrido com um lar violento, com crises financeiras, com o divórcio dos pais, com julgamentos machistas, enfim, com uma série de crenças e atitudes limitantes. No entanto, entenda que o sofrimento tem uma função poderosa na vida de qualquer pessoa: identificar que aquilo nos faz mal, de modo que possamos agir de forma diferente para sermos mais felizes.

Você é feliz?

Resumidamente, ressignificar experiências negativas significa aprender com elas, nem que seja aprender o que não deve ser feito. Se familiares, professores, chefes ou colegas tiveram algum comportamento que te fez sofrer, entenda que está em suas mãos agir de forma diferente. Você não está predestinado a reproduzir essas “vozes” e referências. Você tem a sua própria voz. Ouça-a e faça diferente.

3. Saiba que você é único

Somos unidos às pessoas de nossas famílias pela convivência, pela criação e pela genética. No entanto, nenhum desses itens anula nossa própria individualidade. Isso significa que você é você e, por mais que tenha semelhanças com aqueles que fazem parte de sua árvore genealógica, não deve definir-se por elas.

As trajetórias de vida de seus pais, avós, irmãos e amigos não precisam ser determinantes para a sua. É claro que você pode se inspirar nessas pessoas, desde que sejam exemplos positivos. No entanto, quem decide os rumos da sua vida é você. Ouça a sua intuição, confie em sua visão de mundo e siga o caminho que te faz feliz. Cada um sabe a dor e a alegria de ser quem é — e só você sabe o que é ser você.

4. Entenda que seu passado não define seu futuro

Cada indivíduo é um ser em evolução. As crenças, ideias e objetivos que tínhamos 5 anos atrás não necessariamente fazem mais sentido para nós atualmente, e é bom que assim seja. Ninguém deve abrir mão de seus princípios básicos, mas todos nós devemos buscar um melhoramento contínuo. Os erros do passado são lugares de aprendizado e de reformulação para que nosso presente e nosso futuro sejam melhores.

Ninguém deve, porém, ser escravo do passado. Culpar-se por erros cometidos, guardar rancor de quem nos fez sofrer e recusar-se a mudar são três comportamentos que nos impedem de progredir e de ser felizes. Portanto, entenda que a sua voz do presente não é a mesma do passado. Todas as nossas vivências modificam nosso ser, que cresce, evolui e busca experiências mais profundas. Seu passado não te define.

5. Mantenha o que te faz bem

Quebrar padrões negativos de comportamento não significa abrir mão de sua história por completo. Se seus pais se divorciaram, por exemplo, isso não quer dizer que o relacionamento deles tenha sido uma perda de tempo. Eles provavelmente foram felizes por um tempo, evoluíram em alguns aspectos e, por fim, concluíram que o melhor a ser feito era encerrar a relação. Guarde o lado bom das coisas.

Ouvir sua própria voz não significa automaticamente cancelar as vozes dos outros. Tudo é uma questão de filtrar aquilo que te faz bem, eliminando as crenças e atitudes que te fazem mal. Se você tem algum tipo de fé ou crença espiritual, confiança em familiares e amizades que te despertam bons sentimentos, mantenha-os. Saiba diferenciar os padrões nocivos dos padrões benéficos.

6. Liberte-se dos “ruídos”

Muitas vezes, não conseguimos ouvir a nossa própria voz, a voz de Deus, enfim, o quer que acreditemos, por conta dos ruídos da vida. Dedicamos tantas horas do dia ao trabalho, ao trânsito, aos afazeres domésticos, às redes sociais e à televisão, que nos esquecemos da fé e do autoconhecimento. Como ouvir nossa própria voz se não paramos um tempo para refletir?

A meditação, a oração, a reflexão, o autoconhecimento e as conversas construtivas com pessoas que amamos são práticas que nos aproximam de nossa voz interior. Ela sempre nos aponta o melhor caminho a ser seguido, de modo que despertemos as melhores versões de nós mesmos. Mas isso exige que dediquemos algum tempo de nosso dia a essa reflexão, o que não ocorre quando estamos 24 horas por dia vidrados na televisão ou na internet. Liberte-se dos ruídos.

Ouvir a própria voz, desenvolver o autoconhecimento e ter fé são os meios pelos quais construímos uma vida feliz, desconstruindo crenças e comportamentos destrutivos. Que você consiga ser autor da própria história, sempre compreendendo que sua voz interior sabe o que te faz verdadeiramente pleno e realizado.

Gostou das dicas acima? Então, deixe seu comentário no espaço abaixo. O compartilhamento de experiências pessoais é sempre uma experiência enriquecedora, pois cria uma corrente de ajuda mútua. Por fim, não se esqueça de compartilhar este artigo com seus amigos, colegas, familiares e todos aqueles que você ama.

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