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Amor

Por: José Roberto Marques | Blog | 24 de junho de 2020

Todo mundo já se sentiu tomado por Amor, mas provavelmente ninguém sabe definir ao certo o que é esse sentimento.

A palavra “amor” tem origem no latim amor, -oris e amare. “Amare” vem do termo etrusco amino (gênio de amor) e pode se referir tanto aos animais quanto aos homens, pois seu significado é amplo, “amar por inclinação, por simpatia”, nascendo de um movimento interior. Seu oposto é odi (odiar).

Na Língua Portuguesa, a palavra ganhou uma infinidade de definições: carinho, estima, preferência, paixão, entusiasmo, êxtase, euforia, admiração, reverência, afeição, apego, desejo, irmandade, entre outros.

Apesar de cada um de nós poder definir o que é o amor para si, é difícil negar que ele é a capacidade de amar e ser amado, de compartilhar, proteger o outro e cuidar da sua felicidade e integridade física e emocional. Por ser um sentimento único e catalisador, une muitas outras emoções.

A força desse sentimento envolve reciprocidade, ou seja, dar e receber. E essa relação recíproca compreende estar comprometido com o bem-estar tanto do outro quanto de si mesmo. O amor tende a tornar as pessoas mais flexíveis, tolerantes e disponíveis a ressignificar e dar seu perdão, elementos estes que contribuem fortemente para a qualidade nas relações interpessoais e de vida.

O escritor britânico C. S. Lewis, famoso pela saga “As Crônicas de Nárnia”, propôs a existência de quatro tipos diferentes de Amor nas relações com o outro, o que ele chamou de os 4 quatro amores. Para ele, correspondem à Afeição, Amizade, Eros e Caridade.

  1. Afeição;
  2. Amizade;
  3. Eros;
  4. Caridade;
  • Afeição: esse é o mais humilde, Universal, e menos frágil dos amores naturais. É o sentimento que une os seres humanos pela rotina, pois é o que faz com que nos aproximemos daqueles com os quais convivemos no cotidiano, como o vizinho que um dia se muda e do qual você sente falta, o amor de mãe para com um filho. Esse tipo de amor não existe um momento exato para nascer. Podemos nos lembrar do dia em que nos apaixonamos ou começamos uma nova amizade, mas é bem mais difícil se lembrar do dia em que a Afeição surgiu pela primeira fez. Estar consciência desse Amor é já percebê-lo como presente há muito tempo em nossa vida.
  • Amizade: esse Amor é o menos ciumento deles, pois é o primeiro a se entusiasmar quando um recém-chegado é incorporado ao grupo. Ele nasce dos interesses em comum e até pode incomodar líderes e governantes, pois ele é capaz de colocar em risco sistemas que tem como objetivo controlar indivíduos. Para C.S. Lewis, a expressão típica do começo de Amizade é “O quê? Você também? Eu pensava que era o único”.
  • Eros: o mais sensual dos amores, mas é diferente de Vênus, esse último sendo puramente o instinto carnal. O Eros não busca apenas o ato sexual em si, mas uma pessoa específica. Ele faz o amante desejar a pessoa Amada e não apenas o prazer que ela pode lhe proporcionar. Quando um casal está sob os efeitos de Eros, é capaz de suportar qualquer adversidade, pois ao lado da pessoa amada, qualquer coisa pode ser superável.
  • Caridade: é o amor mais próximo do Divino. Ele aperfeiçoa os amores naturais e impede que eles sejam corrompidos pela natureza humana. Apenas quando nos aproximamos do amor a uma Divindade, Deus, seja qual for sua crença, nos desconectamos do egoísmo e outros vícios e nos tornamos verdadeiramente aquilo que deveríamos ser. Ele é o Amor Supremo, o Amor ao qual nos conectamos quando atingimos a Consciência da Unidade, quando percebemos que o real propósito de vida é tornar a vida de todo o mundo melhor.

É comum não sentirmos apenas um desses Amor, pois as nossas relações combinam dois ou mais amores ao mesmo tempo. Os três primeiros são considerados amores naturais que são purificados pelo Amor Divino, a Caridade, mas eles permanecem naturais, nunca poderão ser colocados no mesmo status do último Amor.

Você é feliz?

Quando damos aos nossos amores humanos um patamar de incondicional, fazemos com que eles passem de humanos e se tornem Amores Deuses. Quando isso acontece, ele pode justificar qualquer ato, seja uma atitude boa ou ruim. A Caridade é um amor único, pois é sentido quando estamos em contato com uma Divindade, diferentemente dos outros que tem uma relação direta com as relações humanas, terrenas.

As três formas de Amor Natural se fazem presentes de forma única para todas as pessoas, podem transbordar e ser intensos, mas podem deixar de ser percebidos e desaparecer. Porém, eles sempre voltam, aos poucos, preenchendo o espaço que tinha deixado vago.

Eles podem se ausentar quando precisamos entrar em contato com algo maior, com julgamentos e emoções reprimidos. Quando atingimos o conhecimento de nossa essência, eles retornam à forma anterior, ocupando todo espaço dentro nós, que se torna muito maior do que antes havíamos achado que seria.

O Amor tem essa peculiaridade. Ocupa espaços, se metamorfoseia, pode adquirir a forma de Eros, de Amizade ou de Afeição, contudo, quando alcançamos um Estado Interno de Graça, quando caminhamos em direção a um caminho espiritual, compreendemos a existência desse último amor, o mais elevado deles.

A Caridade só é alcançada no momento em que expandimos para a Consciência da Unidade e compreendem que o fluxo de vida é contínuo, não há mais divisão entre nós e toda a energia que circula pelo Universo.

Esse é o verdadeiro Amor Universal e, quando temos contato com ele, conseguimos entender também o que é Amor Próprio, pois essa consciência acolhe toda a vida, nos aceita como realmente somos.

Dessa forma, sentir o Amor Divino é também sentir amor por si mesmo, é aprender a aceitar sua Luz e sua Sombra, é perceber nossas qualidades e os pontos de melhoria. Ou seja, a Caridade é uma forma de nos aproximarmos de nossa própria essência.

Será que agora conseguimos definir o que é Amor? Você consegue percebê-lo no seu dia a dia? Você consegue perceber suas diferentes formas? Você já se encontrou com o amor por si mesmo? E já se encontrou com o Amor Universal?

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