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Qual o objetivo de uma entrevista de desligamento

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homem e mulher apertando mãos

© Depositphotos.com / Wavebreakmedia A entrevista de desligamento é uma conversa realizada no momento em que o funcionário está saindo da empresa, com o objetivo de fornecer feedback sobre sua experiência na organização.

Quando falamos em entrevista no mercado de trabalho, logo se pensa naquela realizada em processos seletivos para contratação. No entanto, também existe a entrevista de desligamento, que é exatamente o oposto: trata-se de uma conversa realizada no momento em que o funcionário está saindo da empresa.

Ao contrário do que muitos imaginam, o último diálogo entre empresa e colaborador não visa apontar defeitos, problemas ou culpados pela rescisão do contrato. A ocasião é, sobretudo, um oportunidade de ambos os lados colocar melhorias em prática. A entrevista de desligamento está mais próxima de um feedback do que de uma avaliação em si e, nessa perspectiva, torna-se uma ferramenta essencial para o desenvolvimento da empresa. Uma vez que o funcionário já não tem mais vínculos contratuais, pode expor com mais sinceridade as suas percepções em relação às condições de trabalho em geral, bem como falar a imagem que construiu da organização como um todo.

Considerar a opinião do ex-funcionário proporciona diversos benefícios à companhia, entre eles, investir em melhorias mais assertivas que retenham talentos e na construção de uma boa reputação no mercado para atrair o interesse de profissionais, clientes e parceiros. As informações que podem ser captadas nessa ocasião variam de acordo com o lado que solicitou a rescisão, o que também deve ser considerado na condução da entrevista.

O que deve ser abordado na entrevista de desligamento?

A entrevista de desligamento deve ser conduzida de acordo com quem solicitou a demissão. Quando foi uma decisão da empresa, o entrevistador deverá identificar as causas que levaram a essa consequência: competências insatisfatórias, problemas de comportamento, relacionamento com colegas, razões estruturais ou outros fatores. Entre as vantagens que essa análise proporciona, está a definição de um perfil mais próximo às necessidades e exigências da área/empresa para contratações futuras assertivas.

Já quando é o funcionário quem pediu a demissão, é necessário identificar as causas que o motivaram a essa decisão, se foi insatisfação com o ambiente de trabalho, salário ou se houve desmotivação com relação às perspectivas profissionais ou ao desenvolvimento. Com isso, é possível obter contribuições sobre ações e melhorias para alcançar resultados melhores, solucionar problemas e reter talentos.

Como deve ser realizada a entrevista de desligamento

O ex-funcionário que deve decidir se quer ou não participar da entrevista de desligamento. Durante a sua realização, o entrevistador precisa ser discreto e, ao mesmo tempo, saber interpretar adequadamente aquilo que o colaborador desligado relata. As suas atitudes devem ser pautadas na apatia, e no “saber ouvir”, fazendo perguntas e comentários somente quando necessário, sem insistir ou pressionar uma resposta.

Primeiro, o colaborador é convidado a dar sua opinião acerca de diversos temas, como: relacionamento com colegas, chefes, remuneração, conduta da empresa, estrutura de trabalho, motivos da saída e outros pontos considerados relevantes pelo profissional de RH.

Depois, ambos os lados se abrem para discutir os pontos em que a organização falhou ou acertou, as percepções acerca das práticas de recursos humanos, dentre outras questões que forem levantadas pelo ex-colaborador ou pela empresa. Nesse momento, é importante que o entrevistado seja imparcial e evite uma postura defensiva em relação à empresa ou ao gestor do ex-funcionário.

O entrevistador deve sempre se lembrar que o ex-funcionário estará sob forte impacto emocional devido à perda do emprego. Por esse motivo, respostas e reações negativas, bem como provocações não devem ser consideradas, principalmente se a decisão partiu da própria empresa. Nesses casos, as pessoas tendem a expressar falsa alegria, ressentimento, irritação tristeza e até esperança de um dia retornar. Entender o que está por trás dessas frustrações e observar até a linguagem corporal pode ser mais útil o que outras reações efetivas. Se o entrevistado se contradizer em suas expressões verbais e não verbais, então o condutor deve solicitar, com sutileza, um esclarecimento.

O ideal é que esse feedback fosse fornecido e avaliado constantemente — ao longo do tempo que o funcionário passou na organização, e não apenas no momento de sua saída — para que a empresa tome conhecimento dos aspectos que desagradam os colaboradores e, assim, reduzir o absenteísmo e a necessidade de atrair e treinar novos colaboradores.

Fofocas ou outras informações semelhantes também devem ser descartadas, porque, geralmente, tratam-se de impressões pessoais e não de uma característica daquele sobre o qual se fala. Por fim, o RH somente pode tirar conclusões sobre alguma situação quando tiver uma amostra representativa de vários relatos de desligados apontando determinada característica e/ou problema. Dessa forma, a área poderá propor soluções corretivas ou preventivas.

Para fazer anotações durante a conversa, o entrevistador também deverá solicitar permissão do profissional. Caso ele aprove, a tarefa deve ser rápida para não prejudicar a observação de movimentos e outros gestos relevantes. O local escolhido para realizar a entrevista deve ser reservado e localizado perto da saída ou entrada da empresa para evitar desconfortos por parte do funcionário.

O encerramento da entrevista de desligamento é um momento representativo, já que está ligada a finalização definitiva das atividades desempenhadas pelo colaborador. Por esse motivo, exige mais cuidado do entrevistador que deve fazer o profissional desligador compreender e se convencer de que a sua dispensa não o torna inferior. Para conseguir isso, o condutor do diálogo deve passar otimismo e agradecer ao ex-funcionário pela sua contribuição durante o tempo em que passou na organização.

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