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Comportamento Compulsivo – O Que Ele Diz Sobre Sua Vida?

Por: José Roberto Marques | Blog | 07 de dezembro de 2017

Quando se fala a respeito de comportamento compulsivo, muitas pessoas logo associam ao uso de substâncias viciantes, como drogas e álcool. Contudo, a compulsão pode se apresentar das mais diversas formas. Inclusive, muitas delas são vistas como inofensivas; o que faz com que o indivíduo passe um longo tempo alimentando determinada compulsão sem que aqueles que convivem com ele realmente percebam o problema.

A verdade é que qualquer atividade que proporcione prazer pode ser utilizada como válvula de escape e fuga da realidade. A compulsão pode se apresentar por meio do excesso de: compras, comida, jogos eletrônicos, de azar, internet, redes sociais, cuidados com a aparência física e sexo, por exemplo. Como se pode ver; muitas são atividades normais do cotidiano, a diferença está na dosagem e na intensidade em que são realizadas.

Acessar a internet para verificar as suas redes sociais e interagir com amigos, por exemplo, é completamente normal. A compulsão se inicia quando uma pessoa começa a passar muitas horas fazendo a mesma coisa repetidamente, sem nem ao menos parar para comer ou realizar tarefas normais do cotidiano. Então, é hora de investigar a razão que está a levando a agir dessa forma e de que sentimentos ela está fugindo.

Como Identificar o Comportamento Compulsivo

Para saber identificar e diferenciar o tipo de situação é necessário entender o que é uma pessoa compulsiva e manter a atenção sobre o seu comportamento. No caso da internet ou das compras, por exemplo, nem todas as pessoas que passam um pouco mais de tempo acessando as redes sociais ou que, vez ou outra, compram por impulso são compulsivas. A diferença está na frequência, então, quando os excessos são eventuais, não dá para considerar o comportamento como compulsivo.

É importante evitar acusar alguém ao constatar que suas atitudes caminham nesta direção. Se a intenção é a de ajudar, palavras de acusação poderão ter efeito contrário e fazer com que ela tenha ainda mais vontade de recorrer às atividades que lhe dá prazer e ajudam a fugir de sua realidade. Então, tenha cautela e comece a observar a forma como a pessoa se comporta e se está, de fato, apresentando um comportamento de compulsão frequente. Lembre-se de que o acolhimento é sempre melhor e mais positivo do que o julgamento.

Tipos de Compulsão

Um comportamento compulsivo pode ser apresentado das mais diversas maneiras. Veja quais são as mais comuns:

  • Compulsão alimentar: também conhecida como fome emocional, leva o indivíduo a ingerir alimentos em grandes quantidades sem mesmo estar com fome.
  • Compulsão por trabalho: os chamados workaholics deixam de realizar qualquer outra atividade que não esteja ligada ao trabalho (deixam de ir ao médico, não comparecem aos compromissos sociais, escolares, afetivos e familiares…) e podem chegar a virar noites no escritório.
  • Compulsão por compras: uma pessoa com essa compulsão continua comprando mesmo que já tenha acumulado diversos objetos e dívidas e, muitas vezes, uma tonelada de produtos que não irá usar.
  • Compulsão por atividades físicas: um indivíduo com vigorexia realiza compulsivamente atividades físicas diariamente e por longas horas, além disso, tem uma preocupação excessiva com o corpo e a imagem.
  • Compulsão por jogos: atividade que costuma envolver apostas em dinheiro e pode trazer graves consequências para a vida financeira da pessoa com essa compulsão e prejudicar sua família também.

Como o Cérebro Reage ao Comportamento Compulsivo

O cérebro humano possui um circuito que está ligado à sensação de recompensa. É ele o responsável pelo bem-estar que é sentido quando se faz algo prazeroso, como comer um doce, encontrar um amigo que não via há tempos ou mesmo fazer compras. Contudo, existem algumas atividades e substâncias que, dependendo de algumas características do indivíduo, são capazes de promover essa sensação de uma forma muito mais intensa do que nos acontecimentos que eu citei. Isso é o que gera a dependência.

O neurotransmissor responsável pela sensação de prazer é a dopamina, que é liberada quando uma pessoa realiza determinada atividade ou ingere alguns tipos de substância desencadeadora, como o açúcar, por exemplo. Com isso, ela passa a associar o que sentiu com aquilo que estava fazendo e, se estiver suscetível e passando por um episódio de desequilíbrio emocional, tem grandes chances de adquirir um comportamento compulsivo.

Vale lembrar que, com o tempo, a dopamina deixa de fazer o mesmo efeito. Isso faz com que uma pessoa compulsiva comece a se sentir mal e, então, passe a recorrer ao um comportamento recorrente e de maior intensidade ou ainda a substâncias que gerem a sensação de prazer com ainda mais frequência, o que torna o quadro mais preocupante.

O Que Pode Desencadear um Comportamento Compulsivo?

A compulsão pode ter uma origem traumática, ou seja, causada algum acontecimento impactante, ou orgânica, por algum desequilíbrio químico no cérebro. Em muitos casos, as pessoas compulsivas são conscientes sobre o problema, porém não conseguem parar de repetir aquele comportamento nocivo. Contudo, há os casos em que o indivíduo nega veementemente que esteja apresentando qualquer anormalidade e continua a repeti-la sem pudor.

Uma grande decepção, a morte de um ente querido, ansiedade, estresse, frustrações amorosas, crise financeira ou uma demissão, são exemplos de situações que podem desencadear uma compulsão. O indivíduo, em uma tentativa de sufocar aquilo que está sentindo, começa a realizar determinada atividade repetidamente, como uma forma de se sentir bem e aliviar sua dor.

Tratamento Para o Comportamento Compulsivo

Se você ou alguém próximo está apresentando um comportamento compulsivo, saiba que existe tratamento e é possível reassumir o controle sobre suas atitudes e vontades. Poder contar com o apoio da família é fundamental e faz toda a diferença na recuperação. Lembre-se que qualquer pessoa pode passar por isso, então é importante deixar os julgamentos de lado e apoiar.

Em relação ao tratamento, a procura por ajuda médica deve ser o primeiro passo. Então, o profissional especializado em compulsões poderá indicar o melhor tratamento para cada caso. Uma atividade complementar bastante positiva e que pode ajudar é a participação em grupos de apoio. Nas reuniões é possível conhecer outros indivíduos com o mesmo problema, trocar experiências e se motivar para prosseguir.

Buscar o autoconhecimento é outra forma de agregar valor ao tratamento e, também, pois ajuda a prevenir comportamentos ligados à compulsão. Quando uma pessoa se volta para si e seus sentimentos, consegue identificar suas angústias, carências e, também, pontos fortes e aptidões. Assim, é possível ressignificar experiências que possam ter deixado marcas negativas e transformá-las em aprendizado. Tudo isso ajuda na busca pela paz interior e a encontrar formar positivas de preencher aquilo que lhe falta.

Lembre-se que um comportamento compulsivo pode ser tratado e, quanto antes procurar ajuda, melhor. Assumir quais são os seus pontos de melhoria é o primeiro passo para desenvolver a sua inteligência emocional e aprender a lidar com os seus sentimentos sem deixar que eles acabem lhe sufocando e influenciando a ter atitudes ruins, tanto para você como para todos que ama. Lembre-se disso, procure tratamento e tenha uma vida melhor!

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