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A importância da Qualidade de Vida no Trabalho

Por: José Roberto Marques | Blog | 27 de junho de 2019

Qualidade de vida é algo que está ligado diretamente à felicidade e a satisfação de uma pessoa. Buscamos aquilo que nos faz bem, que nos traz sensação de bem-estar. Escolhemos um hobby e atividades que nos agradam, como estar com a família, um jantar com os amigos, passeio com o cachorro, uma atividade física. Tudo isso em busca da felicidade.

Ao optarmos por uma profissão, também estamos em busca de qualidade de vida, imaginamos que o desempenho nela e os resultados obtidos nos oferecerão os subsídios para estarmos felizes e atingirmos a satisfação que almejamos.

Como passamos boa parte de nossas vidas nos dedicando a uma atividade profissional, a qualidade de vida no trabalho também é importante para alcançarmos a realização plena. Ela implica em uma série de fatores, que devem partir tanto do profissional como da organização.

Está ligada a ações que a organização deve implementar para contribuir para o pleno desenvolvimento das atividades e, também, ao desempenho e comprometimento do profissional.

Nesse sentido, empresas devem oferecer infraestrutura, equipamentos, saúde, alimentação, respeito, reconhecimento etc. Do outro lado, profissionais devem estar engajados, preparados e empenhados para contribuírem, de forma significativa, para o alcance dos resultados.

É claro que a qualidade de vida no trabalho precisa estar atrelada com os anseios pessoais do profissional envolvido. Por isso, depende do senso de pertencimento e engajamento com a atividade que este realiza. Nesse sentido, é importante que seu trabalho seja congruente com os seus anseios, bem como habilidades e competências, dons e talentos.

Vale lembrar que cada pessoa possui necessidades específicas, bem como atingem seus níveis de satisfação e felicidade de formas diferentes. Um profissional satisfeito considera sua qualidade de vida no trabalho alta, consequentemente, produz mais e melhor, e ainda se diz feliz com sua ocupação.

O que é a sigla QVT?

Você sabe o que é o QVT? As siglas significam Qualidade de Vida no Trabalho, e isso é, basicamente, o seu nível de satisfação com o seu ambiente corporativo, o prazer que uma pessoa tem em seu trabalho. Esse termo apareceu em meados de 1950, durante o surgimento da abordagem sócio-técnica, porém, tomou força nos anos 60 quando cientistas sociais, empresários e o sindicato começaram a perceber que a qualidade de vida corporativa dos funcionários influenciava diretamente em seu rendimento, saúde, bem-estar e eficácia. Eles entenderam que um funcionário que trabalha em um ambiente bom e é feliz e motivado no trabalho acaba produzindo mais e melhor. Nos anos 70, principalmente nos Estados Unidos, o termo deixou de ser apenas uma expressão e começou a ser colocado em prática nas empresas.

Mas o que é a Qualidade de Vida no Trabalho?

As pessoas costumam passar a maior parte de seus dias no seu ambiente profissional. Com isso, grande parte do que acontece lá irá influenciar no seu comportamento, rendimento e principalmente na sua saúde. Um ambiente corporativo de qualidade proporciona segurança, motivação, e desenvolvimento pessoal e profissional para o colaborador.

A Qualidade de Vida no Trabalho é o nível de satisfação que o funcionário tem com seu ambiente corporativo e com as atividades exercidas. Um colaborador que está satisfeito com a empresa que trabalha se torna mais motivado, produtivo, criativo, saudável e inovador, promovendo assim mais lucros e benefícios para a empresa, uma vez que se torna mais enérgico e produtivo. A QVT envolve todo um conjunto de ações que, quando implantadas, tornam o ambiente corporativo agradável e promove inovações e melhorias na empresa que beneficiam toda a equipe.

A área de Recursos Humanos tem vital importância nessa parte. Eles são os responsáveis por escolher pessoas adequadas para cada função, acompanhar a evolução de seus funcionários, garantir que seus salários e benefícios são justos e suficientes para as funções exercidas, recompensá-los pelos resultados alcançados e principalmente por estar atenta às necessidades básicas de seus colaboradores.  Além disso, é importante que o RH tome medidas para garantir que sua equipe esteja motivada. Confira alguns exemplos:

  • Investir no funcionário

Cursos e treinamentos irão ajudar os colaboradores a terem mais conhecimento. Com isso, eles conseguirão concluir suas tarefas de uma maneira eficaz e sentirão que a empresa investe em seu aprendizado. Além disso, mostre reconhecimento pelos seus esforços através de bonificações e premiações. Isso o motivará a se empenhar ainda mais em suas funções.

  • Dar Feedback

É importante que o colaborador saiba como o seu trabalho é visto e se está no caminho certo. Deixar claro qual o plano de carreira que a empresa tem para ele o deixa mais motivado a alcançar seus objetivos corporativos, além de passar segurança e confiança.

  • Disponibilize horários flexíveis

Cada pessoa tem sua necessidade e um horário em que produz melhor. Se possível, permita que os funcionários tenham um horário flexível, pois permitir que eles trabalharem durante um período que os tornem mais atentos e produtivos fará que suas atividades sejam realizadas com sucesso e eficácia.

Garantir que os colaboradores tenham qualidade de vida no trabalho é vantajoso tanto para os funcionários, que estarão mais felizes e motivados, e para a empresa que terá uma equipe produtiva, eficaz e que fará a empresa crescer continuamente.

Qualidade de vida no trabalho e a Pirâmide de Maslow

Para uma maior compreensão, podemos fazer um comparativo com a famosa Pirâmide de Maslow, conhecida também como a Teoria das Necessidades, Abraham Maslow, psicólogo americano, desenvolveu esse estudo para mostrar as nossas necessidades, segundo a ordem de prioridade, que devem ser atendidas para alcançarmos a realização.

Esta pirâmide de interesses é dividida em cinco etapas: Necessidades fisiológicas, de segurança, sociais, autoestima e autorrealização. Criei mais 3 estágios que completam essa teoria, de forma mais assertiva. Sendo assim, segue a Pirâmide de Maslow adaptada por mim, José Roberto Marques, para compreendermos e alcançarmos maior qualidade de vida no trabalho:

O primeiro passo é atender as necessidades biológicas e fisiológicas. Nesse sentido é importante que as organizações promovam o bem-estar dos funcionários, oferecendo subsídios para que eles se alimentem, descansem e preservem sua saúde. Em contrapartida, o profissional deve fazer as melhores escolhas para manter sua saúde em dia, como alimentar-se bem e dormir bem, praticar atividades físicas regularmente, e buscar orientação médica quando necessário, por exemplo.

No segundo estágio da pirâmide estão as necessidades de segurança. Onde a empresa deve promover um ambiente seguro, tanto no sentido físico, como psicológico. Oferecendo equipamentos de proteção e orientações adequadas, fornecendo salubridade, bem como benefícios, planos de carreira, permanência no emprego etc. O profissional deve seguir as regras de conduta e orientação de segurança, primando pela sua saúde física e psicológica.

Em terceiro lugar aparecem nossas necessidades sociais, que envolvem os relacionamentos. Nesse sentido, é importante que as empresas provam um ambiente de engajamento, de comunicação aberta, de trabalho em equipe para que essa necessidade seja atendida.

O colaborador deve manter seus relacionamentos e comunicação de forma positiva. Alguns exemplos simples, como cumprimentar os colegas, conversar de maneira amistosa e a troca de ideias, garantem as necessidades sociais, bem como contribuem para um clima de boa comunicação.

Em quarto lugar está a necessidade de autoestima, onde a empresa pode contribuir com reconhecimentos, atribuição de responsabilidades, planos de desenvolvimento etc. Enquanto isso, o profissional pode se motivar com essas ações e buscar mais desafios e aprimoramento de suas competências.

É muito importante o profissional se sentir reconhecido e receber motivação junto as suas atividades, assim ele se sentirá importante dentro do processo, e terá essa necessidade atendida.

Em quinto lugar, aparecem as necessidades de conhecimento e cognição: a empresa deve oferecer aos profissionais: conhecimento e aprendizado; seja de maneira prática, ou mesmo com cursos. Do outro lado o profissional deve estar aberto e empenhado em receber esses novos conhecimentos, agregá-los às suas funções para que, deste modo, estes, lhe deem recursos para sua ascensão.

No sexto lugar, coloco a necessidade de estética. Todos nós desejamos estar bem fisicamente e esteticamente. É importante que as empresas estimulem o bem-estar de seus profissionais através dos cuidados com a aparência. Há empresas que oferecem programas de massagem, salão de beleza, dia da beleza, concurso do mais bonito sorriso. Enfim, pequenas atitudes que estimulem o profissional fazer as pazes com o espelho e sentir-se bem. Enquanto o colaborador deve cuidar da sua estética para elevar sua autoestima e sentir-se parte de um ambiente harmônico.

No sétimo estágio, estão as necessidades de realização. Dentro no ambiente profissional encontramos os resultados, o reconhecimento do objetivo, promoção (ascensão), valorização etc, por parte da empresa. E onde o colaborador encontra o alinhamento da sua vida profissional e pessoal. É o alcance de seu objetivo profissional atrelado a seus anseios pessoais, sendo assim, é o alcance da realização.

Por último, ainda no sétimo nível, ressalto a necessidade de transcendência. De ir além, de fazer um pouco mais, de ajudar o próximo. Nesse item já não cito a empresa como fomentador desse passo, apenas a pessoa, o ser humano.

Aqui você deve ser a melhor pessoa que deve ser, não só para si, mas também para os outros, uma vez que nos sete passos anteriores você fez tudo para alcançar seus objetivos. E agora? Que tal fazer um pouco pelo próximo, sendo você mesmo?

Ressalto ainda, dentro da Pirâmide de Maslow adaptada, que os quatro primeiros estágios estão ligados a satisfações imediatas, porém não duradouras. As três últimas fases fazem parte de necessidade superior, que trarão a real e duradoura felicidade.

Qualidade de Vida e a Psicologia Positiva

Outra abordagem interessante, que utilizo muito em minhas teorias, treinamentos e atendimento em Coaching, e a Psicologia Positiva, que é a ciência que estuda o bem-estar subjetivo saudável. Nela há três estágios e níveis de felicidade, da seguinte forma:

– Vida Agradável ou Prazerosa: quando o que me deixa feliz está fora de mim, roupas, compras, carros, comida, etc. São aquelas ações que nos dão uma sensação de felicidade, porém são de curta duração, e é algo que não está dentro de nós, satisfazem necessidades momentâneas.

– Vida com Comprometimento ou Engajada: é quando o que me deixa feliz é uma percepção interna, está dentro de mim. Quando tenho paixão pelo que faço tenho uma vida engajada e minhas memórias de felicidade duram por muito mais tempo. Aqui encontramos nossa profissão, nossos hobbies, nossos relacionamentos, nossos propósitos.

– Vida com Significado e com Legado: é quando, o que eu faço, me deixa feliz, e isso começa a ser disseminado para deixar outras pessoas felizes também. Quando meu trabalho ou minha fé reverberam em outras pessoas, minha vida passa a ter significado e eu me torno muito feliz por longos períodos. Fazendo diferença na vida das pessoas, no sentido de deixar uma história inspiradora, um exemplo, uma boa lembrança, seja ela profissional ou algo pessoal.

Qualidade de Vida no Trabalho e Competitividade

Entendemos hoje que oferecer qualidade de vida aos profissionais, implica em um poderoso aspecto de competitividade. Pois empresas são resultados de pessoas, e oferecer subsídios de bem-estar garantem resultados extraordinários.

Integrar e interagir interesses de pessoas e organizações, através de ações de: motivação, estímulo, infraestrutura, segurança, reconhecimento, entre outras, garantem sinergia e engajamento de pessoas e equipes para com as organizações. A qualidade de vida e a felicidade no trabalho estão ligadas ao: bem-estar físico, harmonia, equilíbrio das relações familiares, profissionais e sociais, de forma cíclica.

Ressalto ainda que os grandes agentes de manutenção da qualidade de vida no trabalho são líderes e gestores, que devem possuir profundo conhecimento em desenvolvimento humano, para conduzirem com, assertividade, profissionais e equipes, a fim de alcançarem resultados e se manterem vivos no mercado.

Em um período como o que estamos vivendo, em um cenário instável e de incertezas futuras, o melhor é proporcionar um ambiente seguro e confiável a seus profissionais, para que eles também criem e inovem no sentido de oferecerem soluções para driblarem a crise e conduzirem os processos de forma positiva.

Alguns outros aspectos que podemos trabalhar para contribuir com a qualidade de vida no trabalho, de maneira assertiva são:

  • Participação ativa de profissionais em processos de decisão;
  • Gestão colaborativa;
  • Aceitação de sugestões;
  • Abertura de canais de comunicação;
  • Bom ambiente de trabalho;
  • Atividades de engajamento, como gincanas, cafés da manhã, treinamentos etc;
  • Planos de desenvolvimento de lideranças;
  • Definição de processos, como, por exemplo, a certificação ISO 9001;
  • Oportunidade de desenvolvimento e crescimento (plano de carreira, remanejamento interno, Coaching, Mentoring etc);

Qualidade de Vida no Trabalho e o Coaching

Para contribuir com boas práticas de gestão de pessoas e, consequentemente, atingir a qualidade de vida no trabalho, o Coaching é um poderoso e eficiente processo que garante a tomada de consciência do profissional, da sua real importância na organização, e também todos os aspectos positivos, oferecidos, que garantem o bom desempenho dele perante a empresa.

A quebra de bloqueios e aspectos negativos também faz parte do processo de Coaching, quanto ao senso de pertencimento do profissional. O método trabalha o autoconhecimento através, de técnicas e ferramentas de desenvolvimento humano, que fazem com que o indivíduo reconheça suas principais habilidades, aprimore competências e desenvolva novas capacidades. Sendo assim, terá uma visão sistêmica, tanto da organização, como de sua real função ali dentro.

O Coaching auxiliará esse profissional a enxergar os aspectos positivos da organização e as reais oportunidades que possui, desempenhando com maestria seu trabalho. Por outro lado, trabalha aspectos, como a comunicação, flexibilidade, inteligência e controle emocional, planejamento estratégico, gerenciamento de tempo e ainda contribui para o alinhamento da vida profissional e pessoal, buscando o atingimento da qualidade de vida no trabalho e também fora dele.

O trabalho do Coach consiste até em identificar uma recolocação profissional, em outra função, caso a atividade desempenhada não tenha congruência com seus dons e talentos e com seus anseios pessoais.

Para a empresa o Coaching contribui no gerenciamento de diferentes perfis de profissionais, auxiliando na motivação, treinamento e desenvolvimento de colaboradores, além do recrutamento e retenção assertiva do capital humano. Oferece ainda ferramentas e técnicas que contribuem para o alinhamento dos interesses do profissional com os da empresa.

O que os funcionários podem fazer para garantirem a qualidade do ambiente corporativo?

Apesar de a empresa ser a responsável por grande parte dos fatores que irão resultar na satisfação dos funcionários, existem certas medidas que devem partir dos colaboradores.

– Evite fofocas: não pode confundir o local de trabalho com escola. Todos são profissionais e devem se tratar como tal. Fofocas tornam o clima pesado e pode acabar criando rivalidade entre as equipes, dividindo assim a empresa.

– Seja pontual e cumpra seus prazos: cumprir sua jornada diária dentro dos horários estabelecidos e cumprir seus prazos evitarão que suas atividades se acumulem e que você acabe sendo visto como irresponsável pelos seus superiores. Ao demonstrar responsabilidade e compromisso, maiores serão as chances de você ser reconhecido e, consequentemente, se sentir motivado.

– Trabalhe em equipe: contar com o apoio dos seus colegas durante a realização das atividades torna o trabalho ainda mais produtivo, isso sem contar que é benéfico para o clima corporativo, pois você criará laços e confiança em sua equipe.

QVT,  Motivação, Engajamento e Alta performance

Motivar colaboradores criando um clima de engajamento e cooperação, atendendo todas as necessidades dos profissionais envolvidos no processo, garantem as organizações profissionais mais comprometidos com os resultados.

Diretores, gestores e líderes devem estar preparados para atender essas necessidades e devem ser os agentes replicadores e mantenedores da qualidade de vida no trabalho. Em um ambiente onde os profissionais simplesmente devem se sentir bem.

Do outro lado do processo estão os colaboradores que devem estar dispostos a contribuir, dispondo de suas habilidades e competências e todo seu comprometimento para o bem comum.

Manter uma comunicação aberta e clara, apresentar os objetivos da organização, também são itens que contribuem para o bom andamento dos processos. O colaborador deve fazer parte desse processo, se sentir responsável por uma parte do todo.

Auxiliar os profissionais a manterem sua saúde física e mental em dia, bem como dar suporte para que ele atenda desde as suas necessidades, mais primárias, até alcançar os níveis mais altos, contribuirá para que ele atinja a alta performance e garanta os resultados esperados.

A qualidade de vida no ambiente de trabalho deve estar em todos os níveis hierárquicos e processos. Oferecendo bem-estar, direcionando todos os esforços e utilizando todos os recursos humanos disponíveis de maneira sustentável.

Profissionais motivados, empresas competitivas, resultados positivos, engajamento, satisfação e felicidade no trabalho, são resultados da canalização de esforços para um bem comum, utilizando os recursos humanos e seu pleno desenvolvimento como peça fundamental dos processos organizacionais voltados para alta performance.

E você, qual o nível de sua qualidade de vida no trabalho? Conhece o processo de Coaching e seus benefícios? Comente e compartilhe sua opinião!

 

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