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Quem Foi Carl Gustav Jung – História, Abordagens e Legado

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Ehmi Nanthis’s/Shutterstock Carl Gustav Jung é um dos estudiosos da mente humana mais importantes e influentes de todos os tempos

Carl Gustav Jung foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço; responsável por fundar a Psicologia Analítica. Nasceu no dia 26 de julho de 1875, na cidade de Kresswil, na Basiléia. Jung propôs e desenvolveu os conceitos da personalidade extrovertida e introvertida, arquétipos, e o inconsciente coletivo. O seu trabalho influencia bastante a psiquiatria, o estudo da religião, literatura e áreas afins.

O centro do conceito “Psicologia Analítica” se encontra na individuação, que é o processo psicológico de ajustamento dos opostos, englobando o consciente com o inconsciente, mantendo a sua autonomia relativa. Jung conceituou a individuação como o processo central do desenvolvimento humano. A individuação é à base do desenvolvimento da Teoria dos Sete Níveis do Processo Evolutivo, que é meu grande legado.

A história de Jung

Sua família possuía uma veia religiosa bastante forte. O seu pai, assim como outros parentes, era pastor da Igreja Luterana, o que explica seu interesse precoce pela filosofia e pelo espiritualismo. Alguns de seus trabalhos, por exemplo, trataram a questão da religião e a sua colaboração para o aperfeiçoamento psicológico, tanto dos indivíduos quanto dos povos e civilizações.

E, apesar de ter sido criado e crescido em um ambiente formatado por preceitos espirituais, Jung passou por momentos de desestrutura familiar, além de enfrentar solidão e inveja de vários colegas. Dessa forma, a maioria dos temas estudados por Jung surgiu das suas próprias experiências. Isso fica bem evidente na autobiografia – Memórias, Sonhos e Reflexões, que foi publicada em 1961.

As Abordagens de Carl Jung

O psiquiatra, por ter vivido e passado a vida tendo sonhos marcantes, juntamente à visão de imagens espirituais e mitológicas, começou a ter um interesse grandioso pelos mitos, religiões e sonhos, mas tudo do ponto de vista psicológico. Seu grande foco de desconexão com Freud foi, justamente, por não desprezar tais temas em nome de uma ciência “pura” que parecia não ser suficiente para entender vários dilemas da mente humana.

Ele também mergulhou no universo da ocorrência de manifestações parapsicológicas, que causa questionamentos cada vez mais acentuados. Jung, então, se fragmentou entre a “persona social” (expressada no ambiente familiar e na sua desenvoltura em público), e o “mundo interior” formado por religiosidade e fenômenos espirituais. E pode-se dizer que esse motivo o tenha feito se dedicar a pesquisas para entender como acontece a conexão entre esses dois universos.

Essas características de sua personalidade foram, explicitamente, como mostram estudos, deixadas pela figura materna, pois o seu pai passou a ele a experiência de uma fé cega, que não valoriza o conhecimento. Coube a Jung transformar a maneira de enxergar a fé, de ler os textos sagrados não apenas como palavras escritas em papel, e, sim, como uma forma de entender e ter experiências através da leitura.

Jung se proclamava desassossegado perante a falta de conexão entre ciência e religião. E esse desassossego e a vontade de procurar e encontrar essa conexão, para mostrar ao homem que a sua integridade o fez se enveredar pelo caminho da psiquiatria. A psiquiatria configurava, para ele, a única premência que favorecia esse encontro entre ambas.

O Estudo dos Fenômenos Psíquicos

A tese de graduação de Jung, intitulada Psicologia e patologia dos assim chamados fenômenos psíquicos, foi também criada por causa do fruto das suas preocupações espirituais, que envolviam a análise psicológica de mensagens recebidas de uma prima médium.

Jung estudou com Pierre Janet, em 1902, quando foi interno na Clínica Psiquiátrica Bugholzli, em Zurique. Foi nesse período que ele desenvolveu o teste de associação de palavras – base dos detectores de mentiras.

O sucesso que o estudioso obteve com essas pesquisas foi responsável pela oportunidade de tomar a cadeira de psiquiatria, como professor, na Universidade de Zurique, aos 30 anos de idade.

As suas referências, que o constituíram, passavam pela filosofia e literatura, e tinham nomes como: Pitágoras, Platão, Kant, Heráclito, Schopenhauer, Goethe etc.

A Inspiração e o Relacionamento com Freud

Mas quem mais o inspirou foi Freud. A obra de Freud inspirou Jung e o levou a buscar o caminho do conhecimento da mente. A partir do momento em que teve contato com o que era escrito por Freud, criador da psicanálise, ele mandou pessoalmente as suas pesquisas sobre o inconsciente, para que Freud avaliasse.

Foi a partir daí que os dois começaram a se falar constantemente. No primeiro encontro que tiveram, conversaram por aproximadamente 13 horas, sem nenhuma interrupção.

Nasceu, então, uma amizade que se firmou durante muitos anos, apesar das suas pesquisas serem classificadas em grau de importância diferente. Por exemplo, Jung não conseguia aceitar as explicações de cunho sexual para os distúrbios emocionais, e Freud não sabia lidar com as inquietações espirituais do amigo.

Chegou um momento em que as diferenças foram se acentuando e o rompimento da amizade foi inevitável, embora dolorosa e cheia de pontos mal resolvidos/mágoas. Essa ruptura, inclusive, separou os dois drasticamente, tanto que foram para escolas de vertentes diferentes e permanecem assim classificados até hoje.

Anteriormente ao contato com Freud, Jung já estava desenvolvendo a psicologia dos complexos, que um tempo depois passou a se chamar psicologia analítica. Essa vertente psicológica nasceu da sua relação com os pacientes. Embora sua ideia de inconsciente já estivesse bastante estabilizada antes de conhecer Freud, foi com a ajuda dele que amadureceu as suas pesquisas.

Com todas essas concepções formadas, acrescidas dos estudos sobre sonhos e desejos, o estudioso se aprofundou na percepção dos caminhos de expressão do inconsciente, em que estão verdadeiramente detidas informações pessoais, e foi nesse contexto que ele desenvolveu a ideia de inconsciente coletivo, no qual estão inseridos os arquétipos, símbolos que englobam imagens e sentimentos de origem universal.

Com relação aos fenômenos psíquicos, que a ciência não consegue explicar, Jung usou o conceito de “sincronicidade” para tentar racionalizá-los – ele explica que são acontecimentos que vão além da compreensão racional tradicional, inspirado pela metáfora alquímica.

As teorias de Jung nunca estiveram tão em voga quanto atualmente. Há inúmeros grupos de pesquisas em universidades e também fora delas revisitando a obra de Jung. Eu, particularmente, sou um leitor assíduo e admirador de Jung. Suas teorias fazem muito sentido para mim e, sempre que possível, faço um link entre Jung e o desenvolvimento humano.

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