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Equilíbrio entre razão e emoção

Por: José Roberto Marques | Blog | 19 de dezembro de 2018

Na estrutura inferior do nosso cérebro, como a imagem mostrada no tópico anterior, há o cérebro reptiliano. Essa parte da nossa máquina cerebral está associada às funções mais básicas das ações humanas, similares às dos répteis, como reprodução e sobrevivência.

A principal característica do cérebro reptiliano é atuar dentro de um sistema binário que determina certo/errado; bom/ruim; esquerda/ direita; tem risco de vida/não tem risco de vida. Logo, em decisões tomadas prontamente, deixamos de analisar uma série de variáveis e usamos apenas o instinto para nos decidirmos. É isso que acontece, por exemplo, quando as emoções influenciam em nosso poder de decisão – essas por sua vez desencadeadas pelo sistema límbico.

Ao tomarmos decisões a partir das emoções imediatamente envolvidas, pensamos apenas em mantermos ou excluirmos uma determina- da emoção. Por exemplo: temos que decidir sobre aceitar ou não uma proposta de trabalho. Se estamos passando por uma situação de angústia na vida profissional tendemos a aceitar prontamente a primeira proposta que aparece, porque a única coisa que queremos é nos livrar essa emoção negativa. Assim, aceitamos a proposta. Contudo, deixamos de pensar que outras pessoas estão envolvidas no aceite da proposta, como nossa família. Deixamos de ponderar benefícios e custos de trabalhar em determinada coisa/lugar.

A conclusão a que chegamos é que, embora as emoções estejam diretamente envolvidas no processo de decisão e sejam acionadas de maneira muito mais imediata, é a razão que nos faz ponderar o contexto da decisão, suas implicações a nós e às demais pessoas. É por isso que o equilíbrio entre emoção e razão é o primeiro ponto para as melhores decisões.

O treino do cérebro para startar rapidamente a melhor decisão

Quem faz gerenciamento de crises sabe que o tempo em que uma decisão precisa ser tomada às vezes é definidor de uma ação bem-sucedida. Em situações que envolvem risco de vida, alto risco financeiro e outras situações delicadas, pode ser que a demora leve à morte, à falência, e a outras perdas.

Assim, quanto mais simbiótica for a relação entre razão e emoção, mais rápidas serão nossas sinapses no sentido de fazer relações complexas menos calcadas no emocional e mais relacionadas à análises das variáveis. Isso exige que nosso cérebro seja “treinado”.

O que chamamos de treino para o cérebro é um conjunto de atitudes que fazem com que nosso cérebro seja estimulado em raciocínios complexos. Uma junção de questões lógico-matemáticas e de compreensão lógico-críticas da sociedade. Isso tem a ver com termos hábitos relacionados à construção de novas sinapses.

  • Leia sempre, mas não apenas o que você gosta, leia assuntos diferentes, posições ideológicas diferentes, argumentos diferentes.
  • Busque trabalhar resoluções de problemas com jogos que desafiam o cérebro a resolver situações que envolvam raciocínio lógico e também o raciocínio humanístico. O Xadrez ou mesmo o jogo de damas são bons estimulantes. As palavras cruzadas também podem
  • Treine o olhar periférico, ou seja, o olhar que não vê apenas o centro da questão, mas tudo que está no entorno. Todas as pessoas e elementos envolvidos e não apenas as pessoas centrais.
  • Use e abuse de todas as expressões artísticas. Veja filmes, vá a exposições e museus, veja espetáculos de teatro e de dança. Deixe a arte atiçar sua criatividade.

Acúmulo de informações

Temos uma tendência a sermos especialistas, mas um bom especialista sempre tem um pensamento generalista. Parece contraditório, mas não é. Na verdade é bem simples.

Quando pensamos que para sermos especialistas temos que estudar apenas um assunto, única e exclusivamente, a partir de um único ponto de vista, nos tornamos, na verdade, rasos e reduzidos. O pensamento generalista nos permite fazer maravilhosas conexões entre assuntos, ciências, práticas… foi assim, aliás, que nasceu o Coaching com Alma, no IBC.

A palavra acúmulo, como a tenho usado aqui, não é algo ruim, como alguém que com algum transtorno psíquico que acumula coisas. Acúmulo de conhecimento significa obter, guardar, internalizar, buscar o maior número possível de conhecimentos. Significa ser curioso, sedento por saber, significa ser ávido por todos os assuntos possíveis, de política a astronomia, de literatura a criação de cabras.

O segredo das pessoas rápidas mentalmente é a quantidade de sinapses, de conexões neurais que ela conseguiu construir. Essas conexões ou trilhas são construídas por esse estímulo do cérebro que está diretamente ligado aos conhecimentos que adquirimos. Quanto mais coisas você sabe, mais aumenta sua capacidade de relacionar e analisar variáveis.

Decisões rápidas, nem sempre são as melhores ou mais viáveis. Logo, são a sensatez, a ponderação e a racionalidade que fazem das de- cisões tomadas, em qualquer âmbito, possibilidades de sucesso. Mas ponderação e racionalização não podem ser vistas como sinônimo de morosidade.

É possível sim tomarmos boas decisões com a maior rapidez, desde que você estimule sua rede mental para isso.

Créditos da Imagem: Por Jirsak – ID da foto stock livre de direitos: 311045084

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