EMDR – Dessensibilização e Reprocessamento por Meio dos Movimentos Oculares

Por: José Roberto Marques | Blog | 10 de junho de 2016
EMDR

Serg Zastavkin/Shutterstock O reprocessamento cerebral proporcionado ao EMDR, movimento dos olhos, ajuda na cura de traumas e doenças

Criada pela psicóloga norte – americana, Francine Shapiro, no final da década de 80, a Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares (EMDR, sigla em inglês, de Eye Movement Desensitization and Reprocessing) é uma prática psicoterapêutica, desenvolvida para atender pessoas com algum tipo de estresse ou transtorno pós-traumático.

Devido aos bons resultados obtidos ao longo dos anos de estudo e utilização em terapias, ela passou a ser utilizada também nos tratamentos de depressão, síndrome do pânico e outros transtornos. É um método que permite um reprocessamento neurológico, que tem por objetivo acessar lembranças dolorosas e complicadas.

Sendo isso possível através da integração do sistema neural nos diferentes hemisférios cerebrais, por meio de estímulos oculares que simulam a programação natural da nossa mente, que é realizada, espontaneamente, pelo nosso cérebro, durante o sono.

A técnica do EMDR consiste em fazer com que o próprio cérebro faça uma espécie de autorregulação, sendo observados resultados muito mais rápidos que as terapias tradicionais, para o tratamento de tais transtornos. A ativação das memórias traumáticas é feita através do reprocessamento dos acontecimentos em silêncio, por meio dos estímulos oculares, sem intervenção verbal, realizada por profissionais habilitados para tal função.

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EMDR e o Processamento Cerebral

O cérebro processa informação de uma forma espontânea, sendo que quando há um trauma, um fato ruim, ele é processado e compromete a programação, criando disfunções que impedem o bom funcionamento da mente, criando bloqueios e traumas, gerando graves problemas ao indivíduo que passam por problemas de relacionamento, insônia, fobias etc.

Ao realizar um tratamento com a técnica do EMDR são acessadas inúmeras lembranças, e até mesmo situações inesperadas que, a princípio, não estão dentro do contexto traumático. Isso se dá através de estímulos rítmicos e bilaterais que acionam o sistema cerebral, o que possibilita a reordenação dos causadores das lembranças negativas e traumáticas, proporcionando um significado positivo às emoções, revertendo o quadro pós-traumático. É uma terapia que conduz a pessoa a realizar novas e positivas conexões neurais. É como se o movimento dos olhos “ajudasse” o cérebro a lembrar da informação, retirasse o peso do acontecimento ruim, gerando lembranças positivas.

O processamento de informações no nosso cérebro acontece no momento que estamos dormindo. O que é prejudicado quando temos algum trauma, surgindo pensamentos disfuncionais, ocasionando até o comprometimento do bom sono. Nesse sentido, por meio do EMDR se é capaz de reorganizar os fatores que causam as lembranças ruins, permitindo uma cura dos traumas, bloqueios e limitações.

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Benefícios da Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares – EMDR:

  • Estimula o autoconhecimento e auxilia na superação de traumas;
  • Promove a quebra de padrões repetitivos;
  • Ajuda na superação de perdas (luto, divórcio, mudanças, entre outros);
  • Auxilia em casos de pânico, fobias e ansiedades;
  • Melhoria em distúrbios do sono, através do tratamento das memórias prejudiciais;
  • Reduz a carga de ansiedade;
  • Auxilia nos processos de ressignificação

Como Acontece a EMDR?

A EMDR é realizada através de sessões que podem ser semanais ou até mensais, dependendo do caso, e a duração varia de 50 minutos até, no máximo, duas horas.

A princípio o paciente relata ao terapeuta as questões acerca de traumas, perturbações, e o profissional avaliará o grau do caso (em uma escala que vai de 0 a 10), o que possibilita quantificar a evolução conforme o tratamento, até que todos os sintomas do paciente tenham desaparecido por completo.

O método é realizado através de exercícios oculares, que visam à estimulação bilateral, promovendo o acesso às lembranças ruins, traumáticas e aos hemisférios cerebrais, onde acontece a reprocessamento dos acontecimentos negativos.

Esses exercícios, promovidos no EMDR, reproduz o movimento que ocorre com os olhos durante o sono, conhecido como Movimento Rápido Ocular (REM). Quando dormimos processamos todas as informações e experiências que passamos durante o dia, em uma espécie de reprogramação e reordenação, um armazenamento.

Ao utilizar as técnicas de exercícios oculares, do EMDR, recria-se esse sistema de reorganização e reprogramação, onde o indivíduo acessa e relembra fatos ruins, conforme o movimento dos olhos e produz emoções positivas. No sono isso acontece de forma espontânea, durante o EMDR esse processo é estimulado. Cada paciente reage de uma maneira a terapia e a evolução depende de cada um.

A prática não é indicada para pacientes que possuem transtornos psicológicos e neurológicos.

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O Movimento dos Olhos e a sua Representatividade

Há muito tempo já se estuda os movimentos dos olhos, e toda sua associação à linguagem. Existem alguns padrões de movimentos dos olhos fáceis de serem identificados, como, por exemplo, quando realizamos o diálogo interno, conversamos com nós mesmo, a tendência que olhemos para baixo e para a esquerda.

O movimento dos nossos olhos, involuntariamente, reage ao nosso pensamento, estão diretamente relacionados, indicando o modo “como pensamos”, não “o que estamos pensando”. Nesse sentido, contamos com os movimentos para baixo, para o alto, acima, abaixo e para o centro, como parâmetro.

Os movimentos frequentemente são rápidos, podendo mudar de direção em frações de segundos. A exemplo de:

  • Quando olhamos para, o alto e a esquerda,significam experiências passadas;
  • Olhos voltados para, o alto e a direita, estamos construindo imagens para possíveis respostas.
  • Olhos voltados para, baixo e a esquerda, são reservados a diálogos internos e um momento de audição passiva
  • Olhos voltados para, baixo e direita, dizem sobre momentos de emoção e sensações cinestésicas.

Segundo o pesquisador Masataka Watanabe, do Instituto Max Planck, de Tübingen, na Alemanha, ver e enxergar são ações bem distintas, uma vez que envolvem duas áreas diferentes do nosso cérebro. Ver consiste em focar a atenção e buscar uma visão mais aprofundada do objeto, já enxergar está no superficial, naquilo que vemos apenas sem analisar.

 

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