O que é Estresse

Você, eu e basicamente todas as pessoas do mundo muito provavelmente já passamos por situações estressantes. Trata-se de uma condição normal e quase que cotidiana, mas, assim como a ansiedade, pode possuir fatores agravantes e ser responsável pela origem de diversas patologias que comprometem a saúde física e mental das pessoas.

Mas afinal... O que é estresse?

O estresse é uma reação natural do nosso organismo quando o mesmo se depara com situações que apresentam algum tipo de perigo ou ameaça, exigindo de nós um grande esforço emocional.

Para lidarmos com essas situações, nosso corpo responde produzindo alterações físicas e mentais, a fim de nos indicar um perigo e nos colocar em um estado de alerta.

Como já dito anteriormente, o estresse é uma resposta natural do nosso corpo. O real problema incide na intensidade em que ele pode vir a ocorrer, podendo comprometer significativamente o bem estar e a qualidade de vida do acometido.

Dados recentes divulgados pelo ISMA - International Stress Management Association (Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse), constataram que o Brasil figura como segundo país com mais pessoas afetadas pela Síndrome de Burnout no mundo.

Esse dado é bastante alarmante, ainda mais se levarmos em conta que essa Síndrome, caracterizada por um estado de extrema exaustão física e emocional, não é o único dos problemas que o estresse pode causar.

Cabendo a nós buscarmos mecanismos que possam servir como prevenção, além de procurar ajuda médica especializada, nos casos onde houver necessidade.

O que é preciso saber sobre o estresse:

01
O estresse não é necessáriamente uma doença, mas pode se tornar uma
02
O estresse afeta qualquer pessoa, crianças, jovens e adultos
03
O estresse causa sintomas físicos e emocionais
04
O que irá caracterizá-lo como distúrbio é a intensidade e periodicidade
05
O Brasil é o segundo país com maior índice de pessoas estressadas no mundo
06
O estresse pode ser responsável em gerar altos níveis de ansiedade e depressão
07
Altos níveis de estresse podem debilitar severamente uma pessoa
08
Em casos onde se configura um distúrbio é necessário buscar orientação profissional na figura de médicos, psiquiatras e psicólogos
09
Existem diversas medidas que podemos tomar para prevenir que o estresse se agrave
10
É preciso ficar atento, seus sintomas podem desencadear crises de ansiedade que são facilmente confundidas com problemas cardíacos e neurológicos.
32%
Percentual, dentro dos 72% anteriores, que sofre de Burnout
92%
Percentual, dentro dos que sofrem de Burnout, que continuam trabalhando
72%
Trabalhadores do Brasil que sofrem alguma sequela devido ao estresse
46%
Percentual, dentro de um número de 20 mil médicos nos EUA, que possuem síndrome de Burnout

Números do
estresse no Brasil e no mundo

20 MIL
Número de brasileiros que solicitan, junto ao INSS, afastamento de seus serviços devido a problemas relacionados ao estresse.
2º LUGAR
Posição mundial que o Brasil se encontra no ranking de países com maior índice de estresse no trabalho, perdendo apenas para o Japão.
210 MILHÕES R$
Estimativa, de 2016, que o Brasil deixou de ganhar, em relação ao PIB, devido a falta de produtividade gerada pela exaustão profissional.
20 MILHÕES
Número aproximado de pessoas que sofrem consequências dos altos níveis de estresse no Reino Unido.

Principais causas do estresse

Rotinas desgastantes de trabalho: A rotina profissional por si só já pode ser problemática. O que pode agravar esse processo e torná-lo ainda mais estressante são a estipulação excessiva de metas, difíceis de serem cumpridas, abuso de poder e o excesso relacionado a carga horária;

Falta de controle: A inteligência emocional é um fator determinante nesse processo pois ela é responsável por gerar, no indivíduo, a capacidade de reconhecer e controlar suas emoções. Quando a pessoa não possui esse controle ela fica muito mais suscetível a sofrer com o estresse de forma mais acintosa;

Problemas conjugais: Término de relacionamentos ou relacionamentos conturbados;

Alimentação e atividades físicas: Uma alimentação pobre em vitaminas, alto consumo de açúcar associada a falta de exercícios físicos contribuem para o aparecimento dos sintomas;

Problemas financeiros: O acúmulo excessivo de estresse pode ser gerado também por problemas ligados à situação financeira;

Trauma: Situações de drástica mudança ou acontecimentos que possam gerar grandes danos emocionais;

Sintomas

Quando falamos a respeito dos sintomas, que podem acometer as pessoas que passam por situações de estresse, é importante salientar algumas coisas.

Primeiro, e mais importante, é que existem uma grande abrangência de sintomas, de modo que podem facilmente ser associados a outras patologias, isso se torna ainda mais claro por grande parte dos sintomas terem origem física.

Desse modo e sobretudo quando o estresse passa a ser crônico, é importante saber reconhecer bem os sintomas e, quando for necessário, buscar ajuda especializada a fim de minimizar-los para não agravar a situação.

O segundo ponto é que o estresse ocorre em grau evolutivo, sendo compreendido por 3 fases, ou estágios* (existem teses que defendem a configuração de 4 fases). Essa fases possuem características distintas e vão desde o momento em que ocorre o gatilho responsável pelo surgimento dos sintomas até o estágio máximo, definido como exaustão.

As 3 fases são:

Fase de alerta: Inicia-se no momento que o gatilho, responsável por dar origem ao estresse, entra em ação. Nesse momento, entendido como a fase boa do estresse, o nosso corpo produz energia para lidar com o agente estressor. Além disso estamos cheios de vigor para nos dedicarmos ao máximo. Nesse momento os sintomas são:

  • Dificuldade para dormir (devido a adrenalina)
  • Suor
  • Tensão muscular
  • Euforia
  • Excesso de Vigor
  • Líbido

Fase de Resistência: Nesse momento o corpo tenta eliminar o agente etressor para que seu organismo volte ao equilíbrio de modo que, ou nos livramos do fator que desencadeou o estresse ou tentamos nos adaptar a ele. A partir desse momento a pessoa pode ter os seguintes sintomas:

  • Insônia ocasionado por noites mal dormidas
  • Formigamentos nas extremidades do corpo
  • Cansaço
  • Baixa produtividade no trabalho
  • Desânimo
  • Gastrite
  • Tontura
  • Mal estar generalizado
  • Irritabilidade Excessiva
  • Baixo interesse sexual
  • Dificuldades para concentra-se em algo que não seja o agente estressor

Fase de Exaustão: Na incapacidade de conseguirmos nos livrar do agente estressor, chegamos ao àpice do estresse na fase a exaustão. A partir desse estágio existe o surgimento de diversos problemas nocivos sendo eles físicos e mentais e que podem compromenter significativamente o nosso bem estar além da nossa capacidade de realizar simples atividades do cotidiano. Nessa fase os sintomas são:

  • Diarréias frequentes
  • Desinteresse sexual
  • Problemas gastro intestinais como úlceras
  • Apatia e cansaço excessivo
  • Hipertensão arterial
  • Surgimento de tiques nervosos
  • Hipersensibilidade emotiva
  • Aceleração dos batimentos cardíacos
  • Grande alteração dos hábitos alimentares
  • Angústia
  • Problemas dermatológicos

É importante reforçar que esses sintomas podem dar origem a diversos outros problemas físicos e emocionais. E ainda, a medida que nos prolongamos, sobretudo na fase de exaustão, a tendência é que possa vir a se tornar um problema crônico, abrindo espaço para doenças como ansiedade e depressão.

Resultados do estresse elevado

Como já dissemos anteriormente, o estresse por si só não é definido como doença. É uma resposta natural do organismo podendo ainda ser classificado como positivo, negativo e ideal.

Tendo direta correlação com as fases descritas acima. Sendo o positivo relacionado a fase inicial, onde a pessoa tem ânimo e energia, provenientes da adrenalina ao entrar em contato com o fator estressante.

E se torna negativo a partir do momento em que excede a fase de alerta, e se prolonga na fase de resistência, pois a medida que se prolonga a energia e disposição são deixadas de lado, dando lugar ao cansaço e desânimo. Esse quadro pode se agravar e gerar sérios problemas a vida do estressado.

No tipo ideal, o indivíduo consegue lidar com mais desenvoltura com as situações estressantes de modo que ao entrar na primeira fase ele se aproveita dos fatores positivos ligados a ela e consegue voltar ao equilíbrio sem que sofra com os danos gerados pelas fases posteriores.

Nesse sentido é importante salientar que além da duração gerada pelo fator estressante, é bom ficar de olho na frequência em que diferentes situações são apresentadas a nós. Pois, mesmo que uma pessoa possua controle emocional suficiente para lidar com diversos agentes estressores, o excesso com que eles podem vir a ocorrer pode também gerar um grande desgaste no indivíduo.

Quanto ao estresse como patologia possuímos os seguintes problemas

Reação aguda ao estresse

Trata-se de um transtorno transitório e intenso que após instaurando tende a cessar em um curto período de tempo como alguns minutos ou dias. Seu grau de intensidade está ligado ao comprometimento do indivíduo em relação ao fator estressante bem como sua capacidade emocional de lidar com ele, podendo ser algum trauma ou situação que gere um grande alerta.

Eleva-se o nível de ansiedade e a pessoa passa a ter sintomas como taquicardias, falta de ar, transpiração e ondas de calor.

Quando existe uma persistência dos sintomas, excedendo-se por mais de uma semana, pode ser necessário fazer uma reavaliação clínica, pois é possível que a condição se agrave gerando um novo diagnóstico.

Estresse pós-traumático

Refere-se a um efeito que ocorre posteriormente a uma situação estressante. Essa situação tende a ser bastante problemática, para maioria das pessoas, e os sintomas podem surgir no decorrer da vida do indivíduo, à medida que a pessoa é submetida a situações que lhe fazem lembrar do episódio traumático.

Nesse sentido, a pessoa sofre de modo mais acintoso, além dos sintomas padrões inerentes ao estresse, com hiperatividade, hipervigilância, ansiedade e podendo culminar em sentimentos depressivos de idealização suicida.

Transtorno adaptativo

Transtorno ligado ao incapacidade do indivíduo em adaptar-se a uma nova condição social em que ele é submetido. Situações como luto, separação e outras mudanças que insiram a pessoa em uma nova perspectiva de vida aliados a predisposição e vulnerabilidade, apresentados por ela, podem ser os fatores resultantes para origem desse problema.

São diversas as situações que pode causar bloqueios na vida do acometido e que poderão impedi-lo de exercer seu pleno convívio social causando-lhe inquietudes além do sentimento de impotência e incapacidade de voltar ao estágio de equilíbrio.

Síndrome de Burnout

Quadro clínico caracterizado pelo esgotamento físico e emocional do paciente. Está diretamente relacionado a terceira fase do estresse e pode resultar em diversos problemas para a saúde do indivíduo.

Ocorre quando a pessoa não consegue voltar ao seu estado de equilíbrio, após instaurado o processo que leva ao estresse, de modo que suas energias são exauridas. A síndrome de burnout é uma das principais responsáveis pelo afastamento de funcionários em todo mundo, sendo que o Brasil é o segundo colocado no ranking de países com maiores índices desse transtorno.

Essas são apenas as principais patologias, ligadas diretamente ao estresse, mas ele está presente em muitas outras, fazendo parte do quadro sintomatológico ou até mesmo sendo o principal fator dos problemas.

E ainda, as condições descritas acima podem acarretar em graves problemas emocionais, pois a recorrência dos problemas pode dar origem a situações mais graves como quadros ansiosos e a depressão, que atuam como responsáveis na morte de aproximadamente 800 mil pessoas em decorrência do suicídio.

Portanto cuide-se, fique atento aos sintomas e busque ajuda especializada quando necessário.

Visto todo o cenário apresentado acima é importante dizer que, até mesmo para os casos mais graves, existem métodos de tratamento bastante eficazes e vão nos ajudar a lidar com os problemas e restabelecer o equilíbrio em nossas vidas.

Para tanto o primeiro passo é o diagnóstico.

Nos casos onde houver um número excessivo e periódico de situações que gerem grande estresse, alta intensidade dos sintomas (mesmo que em curto período), incapacidade em restabelecer o equilíbrio e esgotamento físico e mental associados aos sintomas que falamos mais acima é importante buscar ajuda especializada. .

Sendo necessário buscar um médico especialista, quando surgir comprometimento físico como por exemplo o aparecimento de gastrites e úlceras. Além disso é indicado também que em todos os casos se faça um acompanhamento psicológico.

O psicólogo é uma figura fundamental que vai nos ajudar a lidar com os problemas existentes através de uma metodologia voltada para o nosso desenvolvimento emocional.

Podemos também adotar medidas saudáveis para a nossa vida e que vão minimizar significativamente a aparição nociva de sintomas sendo elas:

Lembre-se, você é o seu bem mais precioso portanto cuide-se, esteja próximo de pessoas você goste e que gostam de você, encontre o seu propósito fazendo aquilo que realmente ama. São algumas medidas que farão total diferença para que você tenha uma vida extraordinária.

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5949:cid-burnout-e-um-fenomeno-ocupacional&Itemid=875

http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f40_f48.htm

https://www.medicinanet.com.br/cid10.htm

http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2068-estresse

http://www.estresse.com.br/publicacoes/o-percurso-do-stress-suas-etapas/

https://www.ismabrasil.com.br/img/estresse52.pdf

http://www.ismabrasil.com.br/img/estresse105.pdf