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Qual a importância de perdoar-se?

Por: José Roberto Marques | Blog

Quando uma pessoa comete um erro que afeta negativamente a sua vida, como você se sente? Você é capaz de perdoá-la? E quando você percebe que cometeu um erro, você tem a capacidade de perdoar a si mesmo? Em qual das duas situações é mais fácil perdoar: quando o erro é do outro ou quando o erro é seu?

Os questionamentos acima servem apenas para iniciar um processo de reflexão mais profundo. O perdão é, por natureza, um conceito muito complexo e que revela não apenas as falhas do caráter humano, como também a nossa capacidade de lidar com elas. Por isso, fica aqui o convite para que você nos acompanhe na leitura deste artigo para compreender melhor a importância do perdão e do autoperdão.

O que é o perdão?

Os dicionários definem o conceito de perdão como: “remissão de pena, de ofensa ou de dívida; desculpa, indulto”. A seguinte definição também pode ser encontrada: “ato pelo qual uma pessoa é desobrigada de cumprir o que era de seu dever ou obrigação por quem competia exigi-lo”.

Basicamente, podemos compreender o perdão como a capacidade que uma pessoa possui de “remover” a culpa dos ombros de outra pessoa, quando esta comete um erro. Como todo ser humano erra, é natural que saibamos perdoar uns aos outros em nome do bom convívio.

Por este motivo, é compreensível que o ato de perdoar seja ensinado e incentivado nas principais instituições sociais, desde a infância. É o que ocorre nas famílias, nas escolas e nas igrejas, por exemplo. Quando erramos, gostamos de ser perdoados. Por isso, faz sentido que saibamos agir da mesma forma em relação ao outro.

Por que precisamos perdoar o outro?

Perdoar não é esquecer, e a pessoa ofendida não precisa restabelecer a amizade que tinha com quem lhe ofendeu. No entanto, o perdão é importante mesmo nesses casos, pois oferece a todos os envolvidos a liberdade de colocar um ponto final na história para seguir em frente.

Todo e qualquer ser humano que já tenha pisado a face da Terra em algum momento da história cometeu erros, sem exceções. Por isso, quando alguém simplesmente não perdoa as ofensas do outro, esse indivíduo coloca-se em posição de superioridade, como se jamais errasse e como se tivesse o direito de julgar a atitude do outro.

É claro que perdoar nem sempre é fácil, e há ofensas extremamente graves, como agressões, humilhações e assassinatos. No entanto, é importante que as pessoas compreendam que perdoar não é compactuar com o erro, mas dar um voto de confiança à pessoa que o cometeu, permitindo-lhe que possa recomeçar.

É importante, porém, que a pessoa que errou manifeste arrependimento. Caso contrário, o perdão não fará o menor sentido.

Por que precisamos perdoar a nós mesmos?

Como citamos anteriormente, todo mundo erra, inclusive nós mesmos. Quando somos nós que cometemos o erro, também bate aquele sentimento pesado de culpa e arrependimento, por coisas que deveríamos ter feito, agido, ou mesmo pensado, de forma diferente.

Quando isso acontece, é muito frequente que as pessoas mergulhem num doloroso processo de culpa. Mas se entendemos a importância de perdoar o outro, por que é tão difícil perdoar a nós mesmos?

O chamado autoperdão permite que saibamos acolher os nossos sentimentos e compreender a nossa natureza humana, da qual o erro faz parte. Por isso, não podemos ser tão severos com nós mesmos. O que precisamos fazer é admitir o erro, pedir perdão àqueles que possam ter sido afetados por ele e, independentemente da resposta dos outros, perdoar a nós mesmos.

Você é feliz?

Esse processo pode demorar, mas é libertador. Ele permite que nós ofereçamos a nós mesmos uma segunda chance; uma nova página para escrever melhor no livro da vida. É um direito de recomeçar que todos nós temos.

O autoperdão é mais difícil?

Quando cometemos um erro e a pessoa afetada por ele nos perdoa, automaticamente sentimos uma sensação de alívio. No entanto, quando nós precisamos perdoar a nós mesmos, o processo é mais complicado. O ciclo de culpa e de autopunição é muito intenso. Se eu decido perdoar a mim mesmo, surge aquele pensamento bastante perigoso: será que eu mereço, de verdade? Será que eu não estou sendo “bonzinho demais” comigo mesmo?

A dificuldade que encontramos em perdoar a nós mesmos tem a ver com as expectativas que criamos sobre as nossas vidas, com a nossa autoestima, com a visão que temos de nós mesmos no mundo em que vivemos, com a nossa cobrança exacerbada em sermos perfeitos e com a nossa preocupação em viver dentro de determinados padrões sociais preestabelecidos.

O erro é frequentemente visto como motivo de vergonha perante a sociedade. A dificuldade de nos perdoarmos, porém, vem dessa autocobrança, dessa necessidade de sermos perfeitos, desse medo que temos de decepcionar o outro e, acima de tudo, da dificuldade que temos de compreender o erro como uma característica essencialmente humana.

Quando entendemos que todos nós temos o direito de errar, pelo simples fato de que a perfeição não existe e de que todo mundo erra, o autoperdão fica mais fácil de ser alcançado.

Os 6 passos para o autoperdão

Mas então, como eu posso perdoar a mim mesmo diante de um erro que percebi que cometi? Os seis passos abaixo podem ajudar nesse processo:

  1. Entenda o que você fez: qual foi o seu erro? Quais consequências ele trouxe? Por que ele ocorreu? Entenda o que você fez e compreenda duas coisas: a primeira é que o passado não pode ser mudado, mas o futuro pode, e a segunda é que todo mundo erra — e você não é exceção.
  2. Não se culpe mais do que o necessário: sinta a culpa, afinal de contas, é ela a emoção que permite que você perceba que errou. No entanto, acolha o seu erro e abrace a sua natureza humana. Assim como você erra, todos os outros também erram. Ninguém pode ser perfeito, e isso inclui você.
  3. Aprenda com os seus erros: o erro é uma importante fonte de aprendizado, pois ele revela que é preciso modificar pensamentos, palavras e atitudes da próxima vez. Por isso, extraia o que for possível de aprendizados dessa situação para fazer melhor na próxima.
  4. Peça desculpas: peça perdão às pessoas que foram impactadas com o seu erro. Se elas querem perdoar ou não, cabe a elas decidir. No entanto, não imponha a sua felicidade e o seu autoperdão à opinião dos outros. Você tem o direito de recomeçar, independentemente do que o outro lhe disser. Se for possível restabelecer a amizade, melhor, mas não condicione o seu bem-estar a isso, OK?
  5. Comprometa-se a fazer melhor: se o seu erro lhe trouxe sofrimento, use esse sentimento negativo como motivação para ser alguém melhor. Seja mais cuidadoso para que esse erro não se repita. Coloque os seus aprendizados em prática.
  6. Procure ajuda especializada: por fim, pode ser que você, sozinho, não dê conta de lidar com a culpa. Isso pode acontecer, mas há solução. Procure a ajuda de um psicólogo, pois ele vai ouvir o seu relato, compreender os seus sentimentos e o orientar a lidar com eles de forma positiva e saudável, superando essa situação.

Perdoar é um gesto de amor

Quando perdoamos alguém, estamos manifestando amor a essa pessoa. Por isso, o autoperdão é um gesto de amor-próprio. Aliás, quanto mais uma pessoa conhece a si mesma, mais ela desenvolve esse amor-próprio e, consequentemente, a capacidade de perdoar a si mesma.

Por isso, saiba que o autoperdão fica mais fácil quando temos elevado autoconhecimento e elevada autoestima. O fato de errarmos não deve fazer com que nos amemos menos, mas apenas que tenhamos a humildade de nos reconhecer como humanos. Por isso, precisamos perdoar a nós mesmos e ao outro, pois todo mundo erra e todo mundo precisa aprender a conviver, mesmo cometendo erros. O processo não é fácil, mas não é impossível. Acredite!

E você, tem desenvolvido a sua capacidade de perdoar o outro? E de perdoar a si mesmo? O que tem feito a esse respeito? Deixe o seu comentário no espaço abaixo e não se esqueça de levar este conteúdo àqueles a quem você ama, compartilhando este artigo por meio das suas redes sociais!

Imagem: Por Maryna Patzen

José Roberto Marques

Sobre o autor: José Roberto Marques é referência em Desenvolvimento Humano. Dedicou mais de 30 anos a fim de um propósito, o de fazer com que o ser humano seja capaz de atingir o seu Potencial Infinito! Para isso ele fundou o IBC, Instituto que é reconhecido internacionalmente. Professor convidado pela Universidade de Ohio e Palestrante da Brazil Conference, na Universidade de Harvard, JRM é responsável pela formação de mais de 50 mil Coaches através do PSC - Professional And Self Coaching, cujo os métodos são comprovados cientificamente através de estudo publicado pela UERJ . Além disso, é autor de mais de 50 livros publicados.



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