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Prolapso da Válvula Mitral e Ansiedade

Por: Equipe JRM | Ansiedade | 22 de abril de 2019

Prolapso da Válvula Mitral (PVM), também é conhecido como Prolapso da Valva Mitral ou Sopro no Coração. Trata-se de uma alteração anatômica benigna que acomete de 5% a 7% da população mundial, podendo chegar a 17% no sexo feminino.

O coração possui 4 Câmaras: 2 Átrios e 2 Ventrículos. O coração também possui 4 válvulas ou valvas: Válvula Aórtica e Válvula Mitral, localizadas do lado esquerdo do coração, e as Válvulas Tricúspide e Pulmonar, localizadas do lado direito do coração.

As válvulas são as estruturas localizadas na saída de cada uma das 4 câmaras cardíacas, que agem como comportas, impedindo que o sangue bombeado retorne para a câmara que o bombeou/expeliu.

A válvula mitral, fica localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo e é composta por dois folhetos que se abrem como aquelas portas de saloons dos filmes de Velho Oeste. Quando o sangue termina de passar, se fecham, encostando firmemente um folheto no outro, vedando completamente a passagem. Quando isso não acontece e o sangue retorna para uma das câmaras acontece o que cientistas chamam de Regurgitação ou Insuficiência Mitral.

O que significa então “Prolapso da Válvula Mitral (PVM)”?

O Prolapso da Válvula Mitral é uma das causas de Regurgitação Mitral, pois os folhetos se empurram e não vedam completamente a passagem de sangue. Ele é um defeito congênito no tamanho dos folhetos, que faz com que a Válvula não consiga se fechar adequadamente.

PVM é mais comum do que possamos imaginar. Felizmente, não possui consequências tão drásticas, e a grande maioria das pessoas não manifesta sintomas, apesar de existirem. São eles:

  • Dor no peito
  • Arritmia
  • Falta de Ar
  • Cansaço
  • Tontura
  • Desmaio
  • Dormência nos membros do corpo
  • Alterações inespecíficas do eletrocardiograma
  • Angústia
  • Síndrome do Pânico
  • Ansiedade
  • Depressão
  • Psicose

Por não apresentar grandes riscos à vida das pessoas, geralmente portadores de PVM vivem muito bem, mas é claro, que assim como qualquer problema de saúde, pode apresentar complicações como Embolia Sistêmica, Insuficiência Mitral Grave e Endocardite Infecciosa.

O tratamento recomendado para os casos de PVM são os betabloqueadores e os ansiolíticos. Apenas em alguns casos raros em que há Regurgitação Mitral grave é que são recomendados procedimentos cirúrgicos e substituição da válvula.

Um dos mais comuns equívocos no diagnóstico de pessoas que procuram atendimento médico com palpitações, taquicardia e falta de ar, características de Transtornos de Pânico e de outros distúrbios de Ansiedade, é o de associar esses sintomas ao Prolapso de Válvula Mitral (PVM), uma anormalidade cardíaca.

O resultado de uma pesquisa de mais de 5 anos na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, e publicada no início de Setembro de 2011 no British Journal of Psychiatry pelos professores José Alexandre de Souza Crippa e Benedito Carlos Maciel, não encontrou qualquer associação entres essas condições.

Os pesquisadores utilizaram técnicas modernas de avaliação cardiológica e de diagnóstico psiquiátrico na realização dos estudos dessa pesquisa. Foram analisadas 232 pessoas, sendo 41 dessas pessoas diagnosticadas com Transtorno do Pânico, 89 com Fobia Social e 102 pessoas consideradas saudáveis.

Um dos pesquisadores explicou que se for realizada uma avaliação cardiológica mais minuciosa em pessoas que procuram os consultórios médico com sintomas de Pânico ou Fobia Social, provavelmente parte dessas pessoas não terá diagnóstico de PVM. Ele explica ainda que apesar disso, apenas os sintomas já são o suficiente para avaliar de forma errônea a possibilidade de um indivíduo ter problemas cardíacos, por isso muitas pessoas são erroneamente diagnosticadas.

Essa falha, causada pela similaridade dos sintomas de PVM com doenças emocionais, pode causar um retardamento no diagnóstico e no tratamento de Transtornos de Ansiedade, o que consequentemente aumenta a dificuldade do mesmo em aceitar que possui um distúrbio psiquiátrico possível de ser tratado.

O professor Crippa afirma que retardar o tratamento de Transtornos decorrentes da Ansiedade pode levar à progressão rápida do distúrbio, sendo cada vez mais comuns e frequentes os ataques/crises que acabam limitando a vida da pessoa.

Além disso podem ser desenvolvidas outras doenças psiquiátricas como a Depressão, o alcoolismo, o uso de drogas ilícitas, perdas financeiras, problemas afetivos, vergonha, ansiedade entre outras. Por essa razão é extremamente necessário que ao identificar qualquer alteração emocional, física ou comportamental o indivíduo busque ajuda especializada para que seja investigado a fundo os sintomas e as causas que os desencadearam.

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