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Os 5 Estágios do Luto

Por: Equipe JRM | Blog | 31 de julho de 2018

Como muitos dizem por aí, única certeza que temos na vida é de que iremos morrer. Pode parecer muito impactante começar um artigo dessa forma, porém é apenas a realidade. Apesar disso, a morte ainda é considerada um grande mistério para muitas pessoas, pois não é possível prever o dia em que ela ocorrerá na vida de cada um. É possível prever o nascimento de uma pessoa, mas dificilmente iremos prever a morte mesmo que “os dias de vida” sejam contados e previstos por médicos.

Talvez seja por isso, que não nos preparamos para esse momento. Ele simplesmente acontece, assim, como um sopro ou um último suspiro e já não estaremos mais aqui, no mundo materializado, físico. Por isso, o artigo de hoje irá falar sobre o luto e seus passos. Confira!

Um processo cheio de sentimentos

Para quem fica o luto é considerado um momento de dor e vazio, como uma despedida forçada e eterna, porém é um processo fundamental para lidar com a perda. Não apenas pela ausência de uma pessoa que estimamos, amamos e que faz parte da nossa vida diretamente ou indiretamente, mas também pela perda do emprego, carreira, relacionamentos e por aí vai. Que fique bem claro que o artigo não tem a intenção de ficar comparando tipos de perda. Não é papel desse texto e de ninguém de medir a dor dos outros. Vamos continuar.

O processo de luto se dá para qualquer animal, humanos e animais irracionais. A diferença está na forma que os sentimentos acontecem, pois geralmente o luto vem acompanhado por tristeza, revolta, culpa, susto, choque, solidão, ausência, desamparo, mas também de sensações como alívio e emancipação. Esses sentimentos podem refletir em vários sintomas físicos e emocionais, tais como aperto no peito, dor de estômago, nó na garganta, falta de ar, perda de energia, tristeza profunda e isolamento. Ainda existem as consequências mais severas como o início de uma doença, como a depressão ou o transtorno bipolar.

O ato de tomar consciência de que nunca mais poderá ver aquela pessoa ou fazer as mesmas atividades e ter os mesmos momentos, podem levar uma pessoa a perder também todos os sonhos, projetos e todas as lembranças associadas ou a ressignificá-los, dando-lhes um novo valor.

Assim como existe o ciclo da vida – que segundo a biologia é nascer, crescer, reproduzir e morrer – , existem os ciclos da morte, definidos pela psiquiatra suíça Elisabeth Kubler-Ross (1926 – 2004). A estudiosa conseguiu identificar a reação psíquica de cada paciente em estado terminal e elaborou o Modelo Kübler-Ross, que propõe uma descrição de 5 fases (ou estágios) do luto, pelo qual os seres humanos passam ao lidar com a perda, o luto e a tragédia.

Conheça quais são os 5 estágios do luto

As 5 fases do luto são: negação, raiva, barganha, depressão  e aceitação (NRBDA). Conforme Ross, estas nem sempre ocorrerão nesta ordem e também não possuem um prazo pré-definido para acontecerem, pois depende do tipo de perda e de como cada pessoa reage à ela. No entanto, de acordo com a estudiosa, uma pessoa sempre apresentará ao menos duas dessas fases, também considerados estágios:

1º Estágio: negação

Essa é a primeira época e a mais dolorida. Ela também é considerada como o estágio do isolamento, pois a pessoa pode não querer falar sobre o assunto e se afastar. É o momento dos questionamentos e do famoso “e se”. Nessa hora parece impossível lidar com a perda e mesmo acreditar no que aconteceu.

Esse período é considerado como um mecanismo de defesa temporário do Ego, contra a dor psíquica, diante da morte. Aqui a dor normalmente não persiste por muito tempo, sendo logo substituído por uma aceitação parcial. É importante lembrar que isso varia de pessoa para pessoa, pois depende da intensidade do sofrimento de cada um e como elas são capazes de lidar com a dor. Durante a transição desse estágio para o próximo, é comum a pessoa falar sobre a situação em um momento e de repente a negar completamente.

2º Estágio: Raiva

Esse é o período da revolta, da rebeldia, do descontrole emocional e dos ressentimentos. É agora que a pessoa se sente injustiçada e inconformada com a perda, pelo fato de o Ego não conseguir manter a negação e o isolamento. É a fase de perguntas como “por que isso aconteceu comigo?”, “com tanta gente ruim pra morrer por que eu, eu que sempre fiz o bem, sempre trabalhei e fui honesto, perdi a pessoa que mais amo?”.

Nesse momento é muito difícil a maioria dos indivíduos consiga manter um relacionamento de qualquer natureza. O ato de se relacionar com outro ser humano se torna problemático devido ao caos e a hostilização que a revolta traz ao ambiente.  É importante que quem esteja em volta compreenda que a pessoa não está simplesmente “difícil”. É essencial lembrar de que a angústia é transformada em raiva, pois a pessoa sente suas atividades de vida foram interrompidas pela doença, morte ou outro tipo de perda. Sabemos que não é fácil lidar com quem está nesse período, porém isso vai mostrar quem realmente é leal e está disponível para ajudar.

3º Estágio: Barganha

Esse andar também é conhecido como negociação da dor pela perda, pois a negação e o isolamento foram deixados de lado e a pessoa percebe que a raiva não resolveu. Então começa a “barganha” com ela mesma. São reflexões como “vou ser uma pessoa melhor”, “serei mais gentil e simpático com as pessoas”, “irei ter uma vida saudável” e por aí vai.

Nesse estágio, uma pessoa que, por exemplo,  está passando por uma doença, que a mantém impossibilitada de continuar suas atividades, começa a ficar mais serena, reflexiva e humilde. Se a saúde dessa pessoa não se restabelece, mesmo tendo “barganhado” consigo mesma, ela passa a utilizar inconscientemente outros recursos, tais como pactos, promessas, sacrifícios e acordos para que tudo volte ao normal.

4º Estágio: Depressão

Essa é o degrau em que o indivíduo toma consciência de que perdeu e que não há como “voltar atrás”. Algumas pessoas demoram décadas para sair dessa fase ou nunca vão aceitar a perda. Para quem está na condição de uma doença terminal, é o momento em que já não consegue negar as perspectivas da morte. Quem está em volta deve ficar mais próximo, pois nessa fase, a pessoa em questão se isola totalmente do mundo e do convívio social. Sentimentos de melancolia, desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro e impotência são comuns.

5º Estágio: Aceitação

Aqui há aceitação da perda com paz e tranquilidade, pois já não se nega mais, não se revolta e nem se negocia e o estado de depressão foi substituído pela aceitação, mudando a perspectiva e preenchendo o vazio. Para a pessoa que está doente, ela não experimenta mais o desespero e nem nega sua realidade.

Reflexão

Embora não entendamos porque as pessoas e coisas se vão e nunca mais poderemos tê-las de volta, ou porque uma doença chega exatamente em nós, mesmo existindo milhares de pessoas espalhadas na Terra, o importante é saber que o luto é necessário e muitas vezes inevitável.

Saber passar por cada estágio e sair dele é um processo que exige muito autoconhecimento e coragem para reagir diante do que aconteceu e tirar grandes aprendizados, o que pode tornar a vida melhor e com mais propósito e significado.

Valorizar o que temos, enquanto temos e darmos importância a nós, ao outro e ao mundo à nossa volta são atitudes importantes para continuar existindo. Na maioria das vezes não será possível reviver todos os momentos plenamente, portanto, é necessário ressignificá-los. A escolha para isso depende de cada um de nós, a como reagimos diante de cada situação.

Na vida, assim como na morte, devemos estar preparados para a mudança, para o encerramento de ciclos e entender a clareza do nosso papel no mundo. Isso é importante para evoluirmos como ser humano e aproveitarmos ao máximo o que a vida nos oferece e enquanto oferece.

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