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Homilia

Por: Equipe JRM | Blog | 06 de fevereiro de 2020

A homilia é um momento de celebração da Palavra de Deus e/ou da Eucaristia, para exatamente trazer a Palavra aos fiéis. Deus fala, o servo escuta. Escutar nem sempre significa entender; entender exige assimilação, convergência ao ponto central da Palavra.

Os fiéis chegam à igreja muitas vezes divergidos, isto é, cada um com a sua própria realidade. Por mais que a acolhida tenha sido boa e focada em chamar à atenção de todos os fiéis para se centrarem na celebração,é preciso compreender que a vivência de cada um na religião é bem
diversa. São muitas as informações que os fiéis trazem, as histórias em suas cabeças são variadas. Faz muito sentido o pedido de perdão, logo no início da missa, para levar os fiéis a se desligarem das preocupações de casa, se livrarem de algumas perturbações internas e, assim, se equilibrarem
na proposta da escuta da Palavra e na participação da Eucaristia.

Como o caminho se faz caminhando, a celebração vai se desenvolvendo a cada instante, então os fiéis são chamados a intensificarem a concentração, à obtenção de mais foco. Toda a assembleia fica reunida numa mesma sintonia na celebração. O estado de graça, a dimensão do louvor, a transfiguração se fazem nítidos, se não em todos, na grande maioria dos ali presentes. Então chega o momento forte de escuta da Palavra,o próprio Deus falando por meio dos leitores, por meio do presidente da celebração. Jesus de Nazaré, Jesus Cristo (Palavra Viva) está, então,
presente. A fé, a partir da realidade religiosa de cada fiel, tem ali uma mesma corrente de atenção. Corpo e alma, ou seja, a vida na sua mais alta frequência está ali presente. É Deus, solenemente real, para toda a assembleia de fiéis, em alta frequência e na mesma mística, na mesma
sintonia de oração e celebração.

Chegamos ao meio da celebração. Após tantas vivências em um curto espaço de tempo, o presidente da celebração conversa com a assembleia. Isto mesmo, a homilia é um momento de conversa. É como aquele batepapo na sala da sua casa quando você acolhe uma boa visita. Afinal, o significado da palavra homilia é pregação familiar. Assim como o presidente da celebração na missa, você, em casa, tem o mesmo ritual: acolhe o visitante, pergunta-lhe como está, oferece-lhe um copo d’água,
o uso do lavatório, inicia o preparo do café, apresenta algumas partes da sua casa, compartilha sentimentos. Conta histórias de como chegaram até ali, você trazendo as memórias a partir da sua casa, sua família; e o visitante, a partir da sua viagem. A alegria se faz, a sintonia é ajustada,
e então, há aquela paradinha na sala, naquele sofá. O café chega, e o bate-papo flui. O bate-papo é a homilia.

Você é feliz?

Com muita alegria, me lembro dos seis anos em que fui pároco nas paróquias salesianas Nosso Senhor do Bonfim, em Silvânia, e São João Paulo II, em Gameleira de Goiás, ambas na Arquidiocese de Goiânia, estado de Goiás. Comunidades pequenas, mas que ofereciam condições maravilhosas para fazer acontecer belas homilias. A explicação e o diálogo fluíam com muito gosto, inclusive sempre com belas interferências por parte de alguns fiéis. Os olhos brilhavam; eu, como presidente, tinha vontade de ficar ali o dia todo. Outras passagens bíblicas afloravam na minha mente a partir daquela proclamada.

Já cheguei a celebrar cinco missas em um mesmo dia e, para cada missa, uma homilia diferente. A Palavra de Deus é sempre o centro da homilia e é por meio dela que se obtém a atenção do povo e a certeza de que a celebração continuará após a missa, na vivência em casa.

A homilia desfocada, que entra em outros assuntos que não são os da Palavra de Deus, causa ojeriza nas pessoas. As pessoas perdem a convergência do que está sendo desenvolvido na celebração e voltam para casa, cada uma com um tipo de visão. Isso é um verdadeiro desastre, do ponto de vista da busca da paz, da harmonia e da fraternidade.

Podemos dizer que são estas as funções da homilia:

Primeiro, descansar a assembleia dentro do rito da celebração, por meio de uma quebra da formalidade do que até então estava acontecendo, assim o presidente da palavra tem autonomia para usar a melhor forma possível para deixar a assembleia à vontade, tranquila, confortável, sem perder a atenção do todo;

• Segundo, fazer com que a essência da Palavra seja a mesma para todos, evitando interpretações periféricas, sem tanto sentido. Assim, com maestria sacerdotal, o presidente da celebração traz
o contexto da época antes de o texto ter sido escrito, traz quem é o autor ou autores do texto e suas motivações para terem no escrito. Com o texto pronto, o presidente traz a sua melhor interpretação a partir do contexto presente e o que cada um na assembleia deve levar de lição a partir de toda essa vivência;

• Terceiro, contextualizar a história do Povo de Deus, isto é, a Primeira Aliança e a Segunda Aliança; neste sentido, há sempre uma ligação direta com a mensagem da primeira leitura do Evangelho;

• Quarto, oferecer um encaminhamento pastoral, por sugestões concretas de ação no mundo de hoje, a partir do que está sendo celebrado.

 

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