Você já se perguntou porque seres humanos sentem Compaixão? O que te liga ao outro, seja esse outro a pessoa que está do seu lado ou seu pai, sua mãe, seu filho?
A Compaixão nos faz sentir, na própria pele, o sofrimento e a humanidade do outro e nos impulsiona a querer ajudar, a querer diminuir o que o faz sofrer, de entender o outro na essência e a tentar a diminuir as dores.
Conseguimos vivenciar verdadeiramente a Compaixão quando passado de um estado de Consciência do Eu para um Estado de Consciência da Unidade.
A Consciência do Eu é caracterizada por uma fratura entre o Eu e todo o ao redor, todas as coisas, pessoas e seres vivos que nos cerca. Essa experiência de separação provoca em nós certezas de que não devemos ser compassivos e de que somente a nossa felicidade e as nossas conquistas importam.
Quando estamos mergulhados nesse estado, deixamos de ter consideração e respeito pelos outros, deixamos crescer um sentimento egoísta que centraliza tudo em nós mesmos. Isso gera uma vontade de tirar vantagem de tudo e, ainda por cima, ignorar a mão que se estende ao nosso lado.
Acreditamos que o amor está do lado de fora, está nos outros, nas coisas, nas pessoas, mas nunca que ele parte de dentro de nós. Damos aos outros a capacidade de amar, de nos amar e de amar os demais, mas não buscamos em nós mesmos o Amor que precisamos, o Amor maior de todos.  
A falta deste Amor acaba gerando um sentimento de carência, de insuficiência, de medo de não ser amado, de não ser querido, de não ser valorizado que transferimos para os outros. Criamos expectativas e nos frustramos o tempo todo, e é nesse momento que nasce em nós a necessidade de uma retribuição. Quando ela não acontece, nos retraímos e nos fechamos para as possibilidades da vida.
Essa Consciência é um Estado de Medo, de perturbação interior e de Sofrimento e, se outro também passa por isso, não queremos também ter a mesma sensação. Por isso, evitamos sentir amor e compaixão para não sofrer. Nesse ponto, nos questionamos: o que mudaria se duas pessoas sofressem pela mesma dor? Será que sentir a dor do outro vai diminuir o sofrimento do outro?
Esse Estado Interior só nos faz ver aquilo que nos separa dos outros, depois deixamos de vê-lo por meio do Amor. Vemos que o outro não tem a mesma religião que nós, não tem a mesma cor de pele, não vive na mesma cidade, não tem a mesma educação, não tem as mesmas condições e oportunidades, não teve a mesma vivência, não tem a mesma espiritualidade que você, não gosta da mesma cor, da mesma comida, do mesmo tipo de roupa.
Essa condição causa um sentimento de superioridade e abrimos lugar dentro de nós para os julgamentos, o que só fortalece ainda mais o nosso Estado Interno de Sofrimento. Esse é um movimento cíclico e contínuo que só pode ser quebrado quando abrimos a mente e passamos a ver com clareza, a clareza que nos faz perceber que todos os sentimentos negativos que estão ao nosso redor têm origem nessa separação entre Eu e o outro.
Essa separação gera guerras, conflitos religiosos, disputas por terras, miséria, fome e catástrofes humanitárias, porque o Homem continuará acreditando que o Deus no qual acredito é diferente do Deus no qual o outro acredita, que a meu país é mais importante do que a Pátria do outro, que meu livro sagrado tem mais poder que o livro sagrado do outro.
No entanto, será que somos mesmo diferentes? Será que a crença do outro é menor que a minha? Será que somos separados de tudo o que nos cerca?
Será que o amor que eu sinto não é o mesmo amor que o outro sente? Será que a minha experiência de pertencimento e felicidade não é a mesma experiência de pertencimento e felicidade do outro?
Quando partimos da Consciência do Eu para alcançarmos a Consciência da Unidade, compreendemos que toda a energia do mundo flui entre todos os seres que o habitam, que nada é separado, isolado ou vive independentemente dos outros. Ao sentir o Estado de Graça, ultrapassamos a barreira das diferenças superficiais e conseguimos perceber a verdadeira unidade da experiência humana, a união que possuímos com as demais pessoas, que somos iguais no que viemos fazer e na intensidade dos aprendizados para a evolução da sua existência.
Nesse estado, conseguimos encontrar dentro de nós o Amor que tanto buscamos, deixando-o fluir e se espalhar por todos os cantos. Acolhemos nossa verdadeira essência, cuidamos de nosso ser, valorizamos, apreciamos e abraçamos tudo o que somos. Quando isso acontece, quando o Amor sai de dentro de nós e ultrapassa as barreiras do corpo, se conectando com o amor genuíno do outro despertamos para a Compaixão.
O Amor que sentimos por nós mesmos se transforma em um amor pela humanidade que há dentro de cada um de nós. Dessa forma, conseguimos entender o outro, estender a mão em solidariedade ao outro, viver o sentimento do outro, porque o outro é apenas uma extensão de nós mesmos.
É importante lembrar que a Compaixão genuína é experienciada com a mudança física do coração e o cérebro. A compaixão pode ser exercida diariamente, quando nos colocamos no lugar do outro, quando honramos e respeitamos a história do outro, quando damos a voz e abraçamos a história do outro, como se fosse a nossa. Somente essa prática leva a uma mudança física que, consequentemente, produz a Compaixão Verdadeira.
Dessa forma, quando há uma Consciência da Unidade, nos sentimos compassivos em relação a tudo que está ao nosso redor, aos outros Seres Humanos, aos animais, à Terra, ao Universo, pois a própria Consciência da Unidade é um Estado de Conexão, Alegria, Amor, Vitalidade, Paixão e Propósito de fazer do mundo um lugar melhor para todos.
A partir dessa Consciência, passamos a vivenciar a dor do outro como a nossa dor, passamos a viver uma vida sem julgar ou criticar, em profundo agradecimento, sem medo e sem sentimento de vingança, comparação. Entendemos, de uma vez por todas, que cada um só pode dar aquilo que recebeu e aprendeu.
Essa é a experiência mais elevada pela qual passa o Ser Humano, pois a compaixão é sagrada e divina. A nossa conexão com o Universo passa pelo Estado de Compaixão. Tudo começa quando nos damos o prazer de amar, de termos um bom relacionamento com nós mesmos, com o nosso verdadeiro Eu, com o que temos de mais íntimo e pessoal. A partir desse momento, expandimos nossa capacidade de dar Amor.
Devemos expandir a nossa consciência e despertar para um estado de Compaixão, pois ela é a única ferramenta útil que podemos usar se queremos um mundo pacífico e livre do medo, interno e externo. Para isso, deixemos de lado a consciência do Eu, o individual, o Ego, e ampliemos nossa visão para toda energia que nos rodeia, tudo o que existe de mais belo, amável, divino e transcendental.
Cada um de nós é uma peça do quebra-cabeça da mudança que queremos realizar no mundo, basta mudarmos o nosso Estado Interno. Como você tem aplicado a Compaixão no seu dia a dia? Em qual Estado interno você está vivendo? Você se considera uma pessoa que pensa mais em si ou no bem-estar do outro?
Você realmente e verdadeiramente está disposto a transformar o mundo? O Seu Mundo?
 
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