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Como Vencer a Depressão

Por: Equipe JRM | Blog | 08 de maio de 2019

Depressão é um quadro clínico composto por uma grande variedade de características, que vão desde a neuroquímica do cérebro até os pensamentos que quem se encontra depressivo costuma ter. Sabe-se, por exemplo, que essas características estão relacionadas a baixos níveis de substâncias neurotransmissoras como dopamina e serotonina, altos níveis de cortisol, disfunção da tireoide, bem como a altos níveis de estresse e a experiências trágicas como separações e perda de entes queridos.

Sabe-se inclusive que existe um componente genético que contribui para o desenvolvimento da depressão, relacionado a enzimas envolvidas na síntese de dopamina: no caso de gêmeos univitelinos, se um tem depressão, o outro tem 50% de chance de também experienciá-la; no caso de irmãos de mesmo pai e mesma mãe, a chance é de 25%. Esses números nos indicam que, embora haja esse componente genético, ele não determina o desenvolvimento da doença. O que parece haver em pessoas com o gene mais suscetível é uma maior sensibilidade a situações que geram tristeza, pesar, culpa e sentimentos relacionados, além de uma tendência a maior dificuldade de recuperação diante delas.

Existem casos de pessoas que mesmo sem experienciar situações particularmente dolorosas apresentam quadro depressivo. Esses casos tendem a ser mais relacionados à tireoide (estimativas apontam que cerca de 20% dos casos de depressão grave são consequência de hipotireoidismo) ou a problemas neurológicos; às vezes, diagnósticos como esse são difíceis, já que geralmente se tem a ideia de que se trata de um problema psicológico, a ser tratado com abordagens mais abstratas do que a medicação.

Diante de um quadro tão complicado, muitas foram as pesquisas e opiniões a respeito, e foi isso que nos permitiu ter hoje clareza destas três causas principais que, de maneira interligada, podem gerar os sintomas: química do corpo — sobretudo neurológica —; exposição severa a situações (não apenas) psicologicamente dolorosas; e o componente genético. Há ainda uma teoria, que não pôde ser comprovada ou refutada cientificamente, proveniente do psicanalista Sigmund Freud, e que dá sua dose de contribuição para a compreensão da doença.

Observando reações de pessoas diante de uma perda muito significativa, Freud observou que a maioria delas passa por um período em que apresentam sintomas de depressão, mas, em prazos variados e pouco a pouco, deixam de apresentá-los, voltam a uma vida muito parecida com a que tinham antes da perda. Outras, no entanto, permaneciam abatidas, debilitadas. Ao primeiro caso, Freud deu o nome de trauer (que traduzimos como “luto”); ao segundo, chamou de melancholie (melancolia).

Você é feliz?

Dentro da complexidade das relações entre as pessoas e seus objetos de amor e desejo, o psicanalista apontava ambivalência de sentimentos: para ele, sentimos amor, desejo, ódio, atração etc. por um mesmo objeto (no sentido de pessoa, sonho, coisa, ideia e assim por diante) e, quando o perdemos, é mais comum que deixemos de lado os sentimentos negativos em relação a ele para nos concentrarmos no amor que sentimos e na dor da perda, tendo clareza sobre o que foi perdido, configurando o luto. Segundo o pensamento de Freud, a melancolia se dá quando não há essa clareza e os sentimentos de ódio e agressão se misturam aos de amor e perda; como o objeto dos sentimentos negativos não está mais lá, e não é possível mais apaziguar a situação, eles são redirecionados para dentro do indivíduo, o que explicaria sintomas como automutilação, tendências suicidas, sentimento de culpa etc.

Para que se encontre a solução de qualquer problema, e não é diferente com as doenças, é muito útil entendê-lo o melhor possível. No caso da depressão, pode haver inúmeros fatores envolvidos. Dificilmente um quadro de depressão será tratado adequadamente com uma única abordagem, sendo aconselhável, em primeiro lugar, saber se não se trata de um período natural de luto — para utilizar a expressão de Freud —; depois, encontrar as raízes do sofrimento, que são, em parte considerável dos casos, na verdade, hipotireoidismo. Para o caso de o problema ser fundamentalmente neurológico, há uma série de antidepressivos que podem fortalecer a pessoa de modo a habilitá-la por tempo suficiente para que coloque a vida em ordem.

Nenhum diagnóstico pode deixar de lado a importância do apoio psicológico para casos de depressão. Uma característica de pessoas nesse estado é a tendência de generalizar problemas específicos. Por exemplo: “se vou mal em uma prova, provavelmente não sou lá muito organizado nem inteligente e devo ter escolhido mal meu curso; não sei o que andei fazendo nos últimos anos estudando isso e não sei o que vou fazer daqui para frente e, como não sou muito inteligente, certamente vou escolher errado de novo; como só faço más escolhas, não vou nem me importar em escolher o que comer, vestir, enfim, fazer”.

Além da observância dos processos hormonais, cerebrais e genéticos envolvidos na depressão, e dos conselhos básicos que valem para todas as pessoas — procure responsabilidades, tente interessar-se intelectualmente por alguns assuntos, ajude sua família e outras pessoas de que você goste etc. —, um passo importante para sair da depressão pode ser este: localizar de maneira realista e sóbria o problema. Uma nota ruim em uma prova pode significar apenas que você precisa dar mais atenção àquele assunto, não que você é um mau ser humano.

Sabemos que os efeitos fisiológicos da depressão no organismo são tão severos quanto os da dor física, inclusive que há mecanismos cerebrais que estão envolvidos nas duas situações de maneira muito semelhante, e que apenas ordens como “recomponha-se” ou “saia dessa” não são capazes de normalizar níveis de dopamina ou cortisol no organismo; tentar convencer pessoas com depressão — ou qualquer outra — de que o mundo não é tão cheio de perigos e desastres não é um caminho adequado, já que isso nega uma parte da realidade que, junto com as coisas mais lindas e agradáveis, a compõem. Para além do equilíbrio fisiológico, um passo importantíssimo na superação da doença é o entendimento de que o mundo é complexo e tem suas maravilhas e catástrofes, e que você, sem dúvida é mais forte do que pensa que é em estado depressivo.

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