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Com o Zé em Harvard – Como altero uma Crença

Por: José Roberto Marques | Blog | 07 de maio de 2019

“Ser de Luz! Protagonizei um dos momentos mais importantes da minha carreira e da minha história. Um sonho que idealizei há 10 anos e foi materializado. Ministrei um Workshop na Brazil Conference em Harvard e você poderá acompanhar cada detalhe sobre os assuntos que compartilhei em artigos exclusivos aqui no meu blog!”


Para maior compreensão da dinâmica das crenças, vamos falar sobre conceitos básicos de Neurologia, área também abordada pelo Coaching. Qual seria a fisiologia dos processos neurais? É possível para o cérebro abandonar crenças limitantes?

Até pouco tempo, cientistas acreditavam que o cérebro hu­mano, que possui mais de cem milhões de células nervosas, não seria capaz de gerar novos neurônios. Assim, a neurogênese, que é nossa capacidade orgânica de gerar novas células neurais, não era considerada uma ação possível. A ideia era de que nascemos com um número invariável de neurônios e que não haveria possibilidade de criarmos outros ao longo da vida.

Entretanto, estudos recentes, realizados por meio do uso de PET-CT (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons), comprovaram que esta teoria estava errada. Sim, o cérebro é capaz de gerar células novas. E ainda, outro pensamento que caiu por terra foi o de que nossa mente também seria incapaz de gerar novos caminhos neurais, o que não está correto.

O conceito de neuroplasticidade

Destas constatações importantes, nasceu o conceito da neuroplasticidade. Esta palavra deriva dos termos neurônio e plástico. Os neurônios são células que se excitam rapidamente e se comunicam entre si e com outras, tanto musculares quanto secretoras. A comunicação interneural é essencialmente elétrica, ou seja, ocorre através da modificação do potencial das membranas que recobrem os neurônios. Cada neurônio tem capacidade de realizar em torno de sessenta mil conexões ou sinapses. Cada sinapse, por sua vez, pode receber até cem mil impulsos por segundo. Estes dados nos dão uma vaga ideia da complexidade do funcionamento da estrutura nervosa. E para finalizar a análise dos termos, temos a palavra “plástico”, que remete à capacidade de nosso cérebro de se moldar, se ajustar e se adaptar.

Sendo assim, podemos definir neuroplasticidade como a habilidade cerebral de se modificar e se reorganizar para formar novas conexões neurais. Esta incrível habilidade permite, por exemplo, que os nossos neurônios possam curar lesões e doenças, simplesmente ajustando seu funcionamento aos novos acontecimentos ou mudanças no ambiente.

Esta forma diferente de responder aos estímulos externos nos faz compreender melhor que o nosso processo de cura, em alguns casos, pode se iniciar a partir de uma reprogramação mental. Ou seja, é possível à mente se ajustar às situações e realizar novas ligações, que irão transcender o seu funciona­mento normal.

A todo o tempo nosso cérebro constrói novos caminhos neurais e está exposto a novas informações e insights. Façamos uso de um pequeno exemplo: quando chegamos a um local diferente, com pessoas novas e interessantes, mas há muito barulho e não podemos conhecer e ouvir todas ao mesmo tempo, teremos que escolher uma pessoa de cada vez para conversar se quisermos interagir.

O exemplo citado nos mostra como nossas vias neurais nos ajudam a aprender algo novo, porém para termos sucesso é preciso dedicação e foco ao que estamos fazendo. Aqui, a matemática é simples: quanto mais nos concentramos e praticamos uma atividade nova, melhores se tornarão nossas competências e mais condições teremos de superar desafios e ir além.

Por isso, o nosso cérebro precisa ser constantemente esti­mulado, pois são os estímulos que fazem surgir novas conexões. Elas, por sua vez, fazem com que sinapses, que até então não trabalhavam juntas, possam se unir, aperfeiçoando uma nova competência, talento ou qualidade. Incrível, não é mesmo?

O sistema nervoso central (SNC) conta com as células gliais. Este termo tem sua origem em glue, do inglês, que significa “cola”, pois havia a concepção de que células gliais eram necessárias apenas para “colar” e dar base aos neurônios do SNC. Porém, com o passar do tempo, concluiu-se que essas células tinham outras funções, entre elas orientação e auxílio no processo de migração neural, cooperação com a comunicação interneural, defesa e reconhecimento de situações que possam originar doenças para si e outros neurônios, além da fundamental atividade de limitar o alastramento de descargas neurais excessivas, de modo a conter ocorrências epileptogênicas. O processo de desenvolvimento das células nervosas é tanto progressivo quanto regressivo – como no caso da morte programada dos neurônios.

Com estas descobertas extraordinárias, diferentemente de alguns anos atrás, hoje também se acredita que até mesmo os idosos, se estimulados, são capazes de gerar mudanças consideráveis em seu cérebro. Essas transformações podem ser mais complicadas nesta etapa da vida, porém, com dedicação, concentração e foco, podem, sim, ser realizadas.

Como a neuroplasticidade funciona

Para entender o funcionamento do processo de neuroplas­ticidade é preciso compreender pelo menos um pouco das bases celulares da Neurobiologia e também entender os aspectos ma­turacionais do cérebro.

Lembre-se: neurônios são células altamente estimuláveis, que se comunicam entre si ou com células efetuadoras, através de mudanças no potencial da membrana. As cargas elétricas internas e externas aos neurônios são as responsáveis pela alteração da potencialidade.

Assim, é possível compreender o fenômeno sináptico. Existem diversos tipos de sinapses, elas podem ser elétricas, químicas ou diferenciadas, dependendo de qual parte do neurônio entra em contato com o axônio.

O ajustamento, ou reorganização, cerebral ocorre por meio de processos como o brotamento axonal. Durante esse tipo de produção, nos axônios não danificados crescem novas terminações nervosas, que se reconectam aos neurônios cujas ligações foram lesadas ou cortadas.

Por meio dos axônios danificados também podem se formar novas terminações nervosas, que se conectarão com outras células, intactas, e formarão novas vias neurais para realizar uma função necessária.

Por exemplo, se um hemisfério do nosso cérebro é danificado num acidente, o lado ileso pode assumir as atribuições do lado oposto e encarregar-se de algumas das suas atividades. Mas como o cérebro faz isso? Como ele é capaz?

A resposta é complexa e simples ao mesmo tempo: para compensar os danos apresentados de um dos lados, o órgão, através da uma poderosa reorganização, cria novas conexões entre os neurônios íntegros, tornando-os ativos. O objetivo desta incrível máquina humana, ao fazer isso, é reconectar os neurônios, que precisam ser constantemente estimulados, e fazer com que voltem às suas atividades.

Ao falarmos em neuroplasticidade, devemos estar atentos a todas as facetas que esta magnífica capacidade cerebral nos apresenta. A intenção é que, deste modo, possamos estimular nosso cérebro corretamente e reorganizar suas funções de modo positivo e benéfico. Assim, poderemos utilizar todo este potencial extraordinário para reprogramar nossas ideias e avançar cada vez mais no que tange o desenvolvimento de nossas capacidades e habilidades físicas, emocionais e comportamentais.

Como veremos a fundo no capítulo “Mudança de hábitos”, nossas ações diárias têm um papel fundamental na formação e consolidação de novas conexões. Adotar uma postura mental renovada, visitar novas cidades, ler autores diferentes tudo isso gera reorganização neural. Abandone a mesmice e siga novos rumos.

Modificar e incorporar uma nova crença

A crença é apenas um dos pontos da Pirâmide dos Níveis Evolutivos. Para compreendê-lo melhor temos outros a conside­rar, a saber: espiritualidade, afiliação, identidade, capacidades, comportamentos e ambiente.

Em termos mais práticos, correlaciono a seguir atitudes humanas a cada um dos níveis, que figuram entre parênteses: nos ambientes que frequentamos (ambiente, nível superficial) a todo o momento temos comportamentos específicos (comportamento). Acreditamos (ou não) que aquilo seja correto (crença), de acordo com o que pensamos que somos (identidade) e a que grupos pertencemos (pertencimento), e que alguma entidade espiritual ou um Ser Maior nos ajude (legado, espiritualidade).

Em primeiro lugar, precisamos acreditar que uma entidade espiritual, um Ser Maior ou uma consciência (benevolência universal) está além de nós, nos ajuda e nos dirige. Em seguida, temos que saber quem somos e qual a nossa missão nessa vida, no que acreditamos e se temos conhecimento para determinados comportamentos nos diversos ambientes que frequentamos e com quem quer que estejamos.

A boa notícia é que as crenças não duram para a vida inteira, elas podem ser trabalhadas, tanto aquelas que nos limitam quanto aquelas que nos permitem evoluir – aquelas que já temos e as que precisamos criar. Holisticamente falando, modificar uma crença significa ter uma percepção sistêmica de todo processo evolutivo.

Este quarto nível trata sobre: crenças e sonhos. Ele está relacionado com o porquê das ações e pensamentos das pessoas. As crenças, os sonhos e os valores morais são os norteadores de todas as nossas ações cotidianas. As crenças são verdades em que acreditamos e que guiam nossas vidas e atitudes.

Já os valores são coisas às quais atribuímos certa importância e que, desta forma, balizam e orientam nossas atitudes. Por causa dos nossos sonhos e das nossas crenças, agimos de uma ou outra forma.

Crenças e sonhos, ambos criam nossos valores e são os princípios que guiam nossas ações, dando significado ao que fazemos. É o que acreditamos ser verdade, é o que importa, é a razão de agirmos como agimos, são as permissões e proibições em nossas ações. Em suma: é nossa verdade individual. Valores estão ligados ao motivo por trás de nossas ações. É o que é importante para nós – saúde, riqueza, felicidade, amor.

“Aquilo que trago comigo me agrega valor ou está me levando para o buraco? Em que eu acredito? O que é importante para mim? Por que ajo assim em determinada situação?” No processo de Coaching, o coachee deve permitir que o coach vá além e desvele suas crenças pessoais. Essa permissão pode colocar o cliente numa condição de desafio ao reconhecer verdades limitantes que permeiam sua vida.

Pertencem a esse nível os motivadores do indivíduo, ou seja, seus valores. Reconhecê-los permitirá desenvolver sua jornada com mais consciência e lucidez, o que é bom e desejável.

Como já vimos anteriormente, sabe-se que ao ouvirmos, desde pequeninos, que somos burros, incapazes, preguiçosos, internalizamos essas palavras e elas se tornam crenças incons­cientes. Aquilo que acreditamos ser verdade sobre nós mesmos vai tolhendo nossa capacidade de progredir.

Mas as crenças também podem ser molas propulsoras. Uma crença é algo muito forte, pois, trabalhada da maneira correta, pode te impulsionar a ir além, a fazer diferente. Demover crenças limitantes e criar crenças que empoderam as pessoas é o trabalho do coach nesse nível.

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