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Ansiedade de Separação

Por: Equipe JRM | Ansiedade | 14 de abril de 2019

Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS) é o nome atribuído ao sentimento de uma criança quando ela percebe que está afastada de seus pais. Ainda que esse distanciamento aconteça por poucos instantes.

A Ansiedade faz parte do desenvolvimento do Ser Humano, e costuma apresentar seus sintomas de forma mais evidente, entre o 10º e o 18º mês de vida, apesar de ter seu início bem antes.

A partir do 4º mês, o bebê começa a perceber que sua mãe e ele são pessoas distintas, e que já não há vínculo umbilical entre os dois. Mas ele ainda depende totalmente dela, e por essa razão, ele teme que ela desapareça ou o abandone.

É comum que o bebê chore quando percebe que sua mãe não se encontra em seu campo de visão e, por vezes, pode até mesmo apresentar sintomas como falta de apetite, irritabilidade, e até mesmo sintomas de um leve resfriado.

Esses sintomas tendem a diminuir à medida em que o bebê percebe que apesar de sair de seu campo visual, ou de casa, o distanciamento entre ele e a mãe não é algo definitivo. Ela volta.

A Associação Americana de Psicologia (APA) indica que o principal sintoma da Ansiedade de Separação é o sofrimento profundo e existem 3 características chave de crianças que sofrem de TAS:

  • 1ª Característica: Medos excessivos e persistentes ou preocupações antes e no momento da separação;
  • 2ª Característica: Sintomas comportamentais e somáticos antes, durante e depois da separação;
  • 3ª Característica: Evitamento persistente ou tentativas de escapar da situação de separação.

Alguns dos Sintomas Comportamentais nas crianças incluem:

  • O choro;
  • Agarrar-se aos pais;
  • Queixas sobre a separação e;
  • Chamar pelos pais depois de terem partido.

Alguns dos Sintomas Físicos nas crianças possuem semelhança com Ataques de Pânico e Transtorno de Somatização, como por exemplo:

  • Dores de cabeça;
  • Dor abdominal;
  • Desmaios;
  • Vertigens e tonturas;
  • Dificuldades em dormir;
  • Pesadelos;
  • Náuseas e vómitos;
  • Cãibras e dores musculares;
  • Palpitações e dor torácica.

Crianças costumam demonstrar mais expressões comportamentais após a separação, se comparados aos adolescentes, que costumam queixar-se mais de sintomas físicos. E o que causa o Transtorno de Ansiedade de Separação?

Estudos apontam que o TAS pode surgir tanto a partir de fatores biológicos (genéticos, psicológicos e neurológicos), quanto de fatores ambientais (relacionamentos familiares, experiências traumáticas e precoces, temperamento da criança, entre outros).

A Ansiedade de Separação possui várias fases, e cabe aos pais ter paciência e sabedoria para lidar com cada uma delas. Existem diversas estratégias que podem ser utilizadas para amenizar os sintomas desse medo em bebês e crianças. Segue abaixo cada uma dessas fases e sugestões de estratégias inteligentes e práticas que podem amenizar a dor da separação.

De 4 meses a 1 ano de idade

O ideal é que os pais evitem deixar o bebê sob os cuidados de pessoas com as quais ele não esteja habituado a conviver. Bebês tendem a sentir menos Ansiedade e mais confiança perto de pessoas com as quais tenham algum tipo de vínculo.

Na fase em que o bebê começar a engatinhar, a mãe pode ficar um pouco afastada dele dentro de casa, permitindo que se locomova sozinho de um cômodo ao outro. Esse movimento facilita o processo de separação, pois acaba sendo naturalmente iniciado pelo bebê.

Outra estratégia que pode contribuir para que o bebê não sinta tanto a dor da separação é brincar de “esconde-esconde” com ele, por exemplo, cobrindo o rosto e reaparecendo novamente.

De 1 a 2 anos de idade

Nessa fase, a criança já consegue compreender o que falamos com ela, por isso, uma boa estratégia é explicar com poucas e claras palavras que você precisa se ausentar, mas que voltará. Por mais que a criança chore, será menos do que se você simplesmente desaparecer.

Busque fazer de cada despedida algo natural, agradável e tranquilo. Tenha sempre em mente que cada despedida é uma oportunidade que você está dando ao seu filho(a) de ser independente, tornar-se forte e interagir com o mundo.

Quando voltar, aja naturalmente também. Interaja com a criança e converse com ela tranquilamente. Dessa forma, ela perceberá que apesar de sua ausência, você voltou e nada mudou.

Depois dos 2 anos de idade

À medida em que vão crescendo, as crianças tendem a ficar sozinhas por mais tempo e a reagir mais naturalmente ao processo de separação da mãe. Entretanto, se seu filho ainda apresenta sinais de Ansiedade quando você se afasta, convido você a ser forte e a buscar gradualmente, afastar-se dele para que compreenda que você voltará.

Se ao ser deixado na escola por exemplo, seu filho(a) apresenta sintomas de Ansiedade e chora, ou se irrita, explique a ele que você se ausentar, mas que voltará para buscá-lo. Aos poucos ele compreenderá que a separação se tornará algo natural.

Ainda sobre a questão escolar, uma outra opção, caso a instituição permita, é deixar com a criança, o seu brinquedo favorito. Dessa forma ela não se percebe tão só e se sente mais segura durante sua ausência.

O TAS determina aproximadamente metade dos encaminhamentos por Transtorno de Ansiedade, o que evidencia que nossas crianças têm cada vez mais sofrido com esse distúrbio. E cabe a nós, os pais, aprender a observar os sinais, afim de tornar nossos filhos crianças, jovens e adultos psicologicamente saudáveis.

O ideal é que cada vez mais as crianças se acostumem a ficar longe de suas mães, e que o Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS) diminua. Caso isso não ocorra, é extremamente importante que os pais busquem ajuda de um especialista.

 

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