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A Relação de Casal pelo Olhar da Constelação Familiar

Por: José Roberto Marques | Blog | 10 de dezembro de 2018

O ponto inicial da família que construímos quando adultos é a nossa relação de casal. Muitas de nossas referências sobre o lugar que ocupamos no mundo e o papel que cada pessoa tem em nossa estrutura familiar, advém do que aprendemos com nossos pais. Encontrar e compartilhar a vida com alguém não é tarefa fácil, por isso ao escolher viver com alguém é necessário ter a certeza de que nossos dias serão melhores ao seu lado, pois estar sozinho (a) já não faz mais sentido. Temos que sentir que a pessoa nos completa e nos torna melhores do que éramos antes de conhecê-las.

Em nosso relacionamento amoroso, por meio da consumação do amor, deixamos nossa família de origem para criar novos vínculos com as pessoas que escolhemos para viver ao nosso lado. Esses vínculos acabam sendo fortalecidos por meio de um terceiro membro da família, fruto do amor e do vínculo que criamos.

Quando temos um filho, nos tornamos mais completos em nossos papeis no mundo como homens e mulheres, pois é por meio de um filho que o casal passa a ter um vínculo eterno. Pela Lei da Ordem, esse filho vem sempre depois do relacionamento do casal, sendo assim, para que o casal dê exemplos para seu filho, precisam antes de qualquer coisa, amar um ao outro e respeitar um ao outro como homem e mulher.

A ordem só pode ser estabelecida dessa maneira, porque o amor e o respeito mútuo do casal, deu origem a esse filho, e por esse motivo deve ser sempre honrado e respeitado. Bert Hellinger diz que “E assim como raízes nutrem a árvore, assim também seu amor como casal sustenta e nutre seu amor de pais pelos filhos.”.

Casais verdadeiramente equilibrados, colaboram com o crescimento um do outro e com o crescimento do próprio relacionamento. Isso possibilita a construção de um lar feliz e emocionalmente equilibrado tanto para os pais quanto para os filhos. Nesse sentido listo abaixo alguns princípios para que um casal estabeleça o equilíbrio em sua relação:

O vínculo

Casais de modo geral, sejam eles quem forem, costumam experimentar o vínculo de forma muito mais profunda quando se relacionam. Essa intensidade na experiência do relacionamento é que vai movimentar ambos os parceiros, motivando-os a sair de seu sistema familiar para dar início a um novo sistema familiar, juntos.

O laço de almas que o casal cria por meio da intimidade que desenvolvem um com o outro é, de certa forma, um laço indissolúvel. E ainda que existam mecanismo de separação de corpos, como o divórcio, Bert Hellinger afirma que esse vínculo continua agindo, ainda que o relacionamento tenha acabado.

Hellinger afirma ainda que o primeiro relacionamento sempre gerará vínculos fortes e significativos, e que muito dificilmente esses vínculos terão a mesma força e significado em um segundo ou terceiro relacionamento.

“Uma nova relação não tem o mesmo efeito da primeira. Isso se revela pelo fato de que o marido ou a mulher de uma pessoa que se casa pela segunda vez não ousa tomá-la e mantê-la como a primeira união. A razão é que o casal experimenta a segunda união com culpa em relação à primeira. ” – Bert Hellinger

Muitas vezes quando o constelado traz um tema relacionado a dificuldades de relacionamento, muitas vezes há um parceiro anterior não visto no caminho.

Quando se traz para a consciência a existência de um parceiro ou parceira anterior, é possível para o constelado perceber o vínculo que o está ligando a esta história, e com amor e respeito, ele consegue deixar seu parceiro ou parceira anterior seguir seu fluxo. Entretanto, o vínculo que foi criado entre eles, continua existindo. Por exemplo: aquela pessoa continuará a ser o primeiro ou primeira parceira de relacionamento, isso não mudará. O que muda é que apesar de ainda existir, o vínculo não se coloca no meio do caminho dos relacionamentos que vierem a seguir.

Hellinger nos traz a imagem de que, a cada novo relacionamento, entramos com “menos”, pois já deixamos parte de nós e de nossas histórias com os parceiros que vieram antes. É importante salientar, porém, que movimento nada tem a ver com bens materiais. Trata-se de um movimento de disponibilidade interna (de alma e coração) para se relacionar.

Por essa razão, torna-se mais fácil a separação entre parceiros que vivem a experiência do segundo ou terceiro relacionamentos. A cada novo relacionamento há menos vinculação e torna-se mais fácil a separação. Aqui se mostra uma lei que atua sobre todos, e que, independente de nossa vontade, age sobre nós.

Tomar consciência destas leis que foram observadas por Bert Hellinger, nos auxilia na identificação e compreensão de muitas de nossas atitudes quando estamos entregues a um relacionamento. Principalmente quando estamos em um segundo ou terceiro relacionamento, compreender como essas leis atuam, pode nos ajudar a compreender e dissolver conflitos com um parceiro, por exemplo.

A Equivalência

A Visão Sistêmica reconhece diferentes funções para o homem e para a mulher dentro de um relacionamento, porém ambos são mantidos no mesmo grau hierárquico; ambos estão no mesmo nível quando falamos de lugar (ordem).

O homem não é mais importante do que a mulher, e a mulher não é mais importante do que o homem. Eles são equivalentes e se necessitam mutuamente. Sem qualquer uma das partes, o relacionamento não existe. Reconhecer isto nos abre o caminho para a compreensão dos equilíbrios e desequilíbrios que acontecem entre o casal.

O Equilíbrio

Se em um relacionamento os dois precisam, os dois tomam e dão, em uma troca equilibrada. Porém, se por algum motivo, há um lado que é “benevolente”, que sempre cede, que não costuma pedir nada em troca, o relacionamento entra em uma área perigosa para sua sobrevivência.

A Lei do Equilíbrio atua em nossos relacionamentos, e quando somos impedidos de realizar essa troca equilibrada, nos sentimos pressionados a buscar uma compensação.

Fato é que quando nosso parceiro ou parceira, não abre espaço para o equilíbrio, quem recebeu muito acaba optando por sair da relação. Hellinger acredita ser pesado o destino daquele que não pode se relacionar, por querer compensar o que recebeu excessivamente de alguma forma.

Os Emaranhamentos

Saímos de nossa família de Origem e seguimos para nossa iniciativa de criar nosso próprio sistema familiar. Mas isso não elimina o fato de que pertencemos ao nosso Sistema Familiar Original. Sendo assim, os emaranhamentos existentes em nosso Sistema de Origem poderão influenciar fortemente nossos novos relacionamentos e Sistemas
Familiares que criarmos.

Bert Hellinger afirma que “somos estrangeiros na família do cônjuge. Não falamos o mesmo idioma e não compartilhamos da mesma cultura. ” E por essa razão, ele mesmo sugere que tenhamos cuidado ao nos posicionar em nossos novos relacionamentos. Precisamos entender que nossos novos parceiros (as) tiveram uma vida com sua própria cultura e emaranhamento, e que de certa forma ele ou ela também é o resultado de sua história e experiências individuais.

Quando, por algum motivo, tentamos interferir no processo da família de nossos parceiros, corremos um sério risco de fracassar, pois nos expomos em um “universo” que não conhecemos. Não temos bússola, não temos registros, não temos informações – é a família do outro e ali não temos nada a fazer. Não devemos interferir.

Independente de qualquer experiência ruim que tenhamos passado, devemos sempre ter em mente que o objetivo maior de nossa vida, para que ela faça sentido, deve ser sempre nos tornar pessoas melhores. Desse objetivo de nos tornar melhores nasce o desejo de buscar parceiros(as) de vida que nos completem para que esse ciclo de amor e pertencimento perpetue.

Créditos da Imagem: Por Galina Kovalenko – ID da foto stock livre de direitos: 1067466623

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