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A Diferença entre Ver e Enxergar

Por: José Roberto Marques | Blog | 03 de setembro de 2019

Para Antoine de Saint Exupéry, autor do clássico – O Pequeno Príncipe. “Só se vê bem com os olhos do coração”. Bem, para o cientista Masataka Watanabe, do Instituto Max Planck, em Tübingen, na Alemanha, ver e enxergar são coisas bastante diferentes e, como tal, envolvem partes distintas do nosso cérebro.

Creio que até então eu, você e a maioria das pessoas acreditava que enxergar e ver alguma coisa eram a mesmíssima coisa. Isso quer dizer que a consciência visual e a atenção visual são mecanismos que atuam de formas distintas e que a nossa mente compreende de modos também diferentes aquilo que vemos e percebemos a luz dos nossos olhos. Portanto, nem tudo que parece é!

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Isso quer dizer que a parte do nosso cérebro que usamos para ver é uma e aquela que usamos para nos concentrar numa imagem é outra. Ou seja, nem sempre o que vemos é aquilo que estamos enxergando na realidade. Imagine então você de frente para um quadro surrealista de gênios como: Salvador Dali, Vladimir Kush ou Magritte e para figuras de duplo sentido como as de Rob Gonsalves; que brincam com a nossa mente e testam ao mesmo tempo nossa visão e percepção visual e nos confundem facilmente. Veja as imagens a seguir e tente descrever o que está vendo!

Rob Gonsalves/ Dali/Heavy Metal

 


SorisoMail

Estou certo de que agora você compreende melhor a diferença entre o que vê e o que enxerga. As pinturas de duplo sentido são um perfeito exemplo de como nosso cérebro percebe e entende os estímulos visuais. Entretanto, para chegar a esta constatação os cientistas liderados por Watanabe tiveram que fazer avaliações bastante específicas. Por meio de testes de ressonância magnética, eles monitoraram o córtex visual primário, parte de nossa mente responsável pela visão.

Como fizeram isso? Estimulados por imagens que piscavam diante de seus olhos, os participantes do experimento foram convidados a olhar ou não para elas. Segundo o cientista Masataka, o fato de ter ou não um estimulo visual influenciou bem pouco na atividade mental dos voluntários. Entretanto, quando as pessoas tiveram que obrigatoriamente olhar para os ícones luminosos, a movimentação cerebral foi bem maior.

“O experimento é único, mostrando diferenças na modulação entre consciência e atenção no córtex visual primário, apoiando, portanto, a ideia de que as atividades neuronais correspondentes à atenção e à consciência são, no mínimo, parcialmente dissociadas”, destaca Masataka Watanabe que também se disse surpreso com a sua descoberta.

Com isso, os estudiosos concluíram que foco, concentração e consciência são coisas bem diferentes. Ou seja, você pode estar olhando para uma coisa, mas pode não estar consciente dela e enxergando-a claramente. Se pensarmos bem, fazemos isso constantemente quando estamos de olhos abertos, olhando numa direção, porém a nossa mente está longe, concentrada em outras memórias e informações.

Você Vê ou Enxerga?

Para o cientista Masataka Watanabe, um dos maiores estudiosos do assunto, ver e enxergar são realmente ações muito diferentes. Para ele, ver está em aprofundar sua visão sobre o objeto visto e analisá-lo mais de perto. Já enxergar é apenas olhar sem avaliar com mais cuidado aquilo que se está enxergando. Quando estamos numa livraria, por exemplo, podemos dizer que ao folhear as páginas de um livro estamos apenas enxergando suas folhas, entretanto, quando passamos a ler suas páginas, estamos realmente vendo e interagindo com o conteúdo apresentado pelo autor.

No processo de Coaching temos uma importante ferramenta de conexão que é o rapport, que é uma troca de olhares que conecta as energias de coach e coachee, integra suas intenções, gera empatia e produz um estado de afinidade que permite conduzir sessões extraordinárias. Isso vai além de enxergar quem está na sua frente, mas de ver e sentir o que está além das palavras.

Os olhos dizem muito sobre nós. Cada movimento traz uma informação diferente que revela nossos sentimentos e intenções, sejam elas positivas ou não.  Além de janelas da alma, eles são responsáveis por mais de 80% das informações que captamos do ambiente externo, o que explica porque na maioria dos casos, precisamos realmente ver para crer.

Os Olhos Não Metem Ao Ver ou Enxergar

IBCCoaching –  Os olhos dizem tudo sobre nós

Se o corpo fala, os olhos são um de nossos maiores porta-vozes. Assim como na ilustração acima, podemos dizer que nada passa ileso por eles. Emoções positivas ou negativas, lembranças, assimilações, experiências passadas, reflexões, sensações, novas construções visuais: tudo, absolutamente tudo se reflete neles. Tanto é que o registro ocular, assim como as nossas digitais, é único e serve como uma forma de validação da nossa identidade em alguns dispositivos de segurança, pois de fato, os olhos não mentem.

Para expandir nossas experiências positivas e construirmos relacionamentos interpessoais produtivos, seja no trabalho ou na vida, saiba que forma como você olha influencia diretamente nisso. Se por exemplo, você está numa conversa e mantêm seus olhos nos olhos da outra pessoa, isso demonstra que está receptivo a interagir e interessado no que o outro tem a dizer.  Por outro lado, quando você desvia seu olhar e sua atenção é sinal de que você não está muito disposto a manter contato.

De forma geral, quando os seus olhos ou de outra pessoa estão direcionados para o alto e também para à direita, tanto você como ela estão conectadas às suas memórias passadas.  Já quando seu olhar volta para baixo e para à esquerda, suas sensações e emoções estão sendo vividas ou revividas.  Por fim, quando olhamos para baixo e para a nossa direita, estamos num momento de reflexão ou mesmo apenas ouvindo de forma mais passiva o que acontece à nossa volta.

Compreender como nossos olhos se comunicam é uma poderosa forma de aprender a se relacionar com você, o mundo e as pessoas à sua volta, assim além de aprender mais sobre si mesmo, também conseguimos compreender com mais precisão o que os outros estão querendo dizer em cada momento.

A diferença entre Ver e Observar

A observação é uma ação poderosa. Duas pessoas podem ver a mesma coisa, mas ambas podem estar observando algo completamente diferentes. O aprendizado real vem daí. Quando não estamos vendo e sim observando, estamos enxergando algo com profundidade. Ver é um processo físico, observar é ver além dos nossos pensamentos. Quando estamos em estado de observação, fazemos conexões e compreensões muito mais profundas de alguma coisa. 

É fato que não estamos observando em tempo integral. Isso exige um esforço muito grande de nós mesmos. Para uma observação mais ativa é preciso de esforço. A observação passiva é mais natural no ser humano. 

Muitos pensadores dizem que ver é acreditar, embora muitas pessoas vêem algo e não acredita. Com a observação elas acreditam com mais veemência. 

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Como ativar o modo “observar” na sua vida?

Pegar o que você vê diariamente e pensar sobre isso é uma tarefa que exige treino. Como observar ativamente o que está acontecendo à sua volta? Será possível? Claro que sim. Primeiro é preciso fazer conexões com alguma coisa que você imagina. Refletir sobre experiências passadas e perguntar-se o que está acontecendo e o que elas têm a ver com suas experiências atuais. Quando você começa a observar sobre o que vê, surgirá insights e aprenderá muito com isso. Vem comigo que vou te apresentar várias maneiras para você aprender a não apenas ver, mas sim observar: 

  1. Desacelere sua mente

Se você está todo tempo preocupado ou pensando em algo, desacelere sua mente, pare de pensar demais. Quando estamos com nossa mente tão ocupadas não conseguimos ouvir o outro ou entender o que está acontecendo ao nosso redor. E, com certeza, muitas coisas estão acontecendo à nossa volta, em todos os ambientes que pertencemos. Acalmar a mente irá fazer você ter uma compreensão melhor do mundo. Se alguém quer que o outro não capte nada do que está acontecendo à sua volta, é só ele experimentar chamar sua atenção, para que ele não tenha tempo em prestar atenção no que está acontecendo naquele exato momento. Por isso, olhe ao seu redor, “pise no freio” e preste atenção nos detalhes. Acalme sua mente para ter mais foco e clareza das coisas. 

  1. Registre seus insights

Grave sempre o que vê e treine sua mente para se lembrar. Se possível, anote em um diário ou caderno ou mesmo no seu smartphone. Faça anotações de seus insights, eles são muito valiosos. Quando precisar de uma inspiração, recorra ao diário. Eles podem significar algum propósito em sua vida. Não deixe essas observações se esvaírem no tempo. Anote!

  1. Esteja disposto a aprender

Uma das coisas mais valiosas no ato de observar é que você aprende muito com as pessoas. Esteja aberto e humilde para isso. Você pode se surpreender com o simples da vida. Muitas vezes buscamos pessoas social e economicamente muito melhores do que nós mesmos. Não é errado isso, mas pessoas simples e modestas podem nos ensinar lições incríveis. Atitudes positivas, gentileza, lições de amor. Quando deixamos nossas diferenças de lado, tudo fica mais fácil. 

Sabendo de tudo isso é importante salientar que quanto mais aprimoramos a nossa capacidade de ver, mais expandimos a nossa habilidade para ir além das palavras e de ver e perceber o que está além do enxergar dos nossos olhos.

Convido você, a partir de então, a observar tudo a seu redor sob uma nova ótima, buscando sempre expandir a sua percepção sobre as coisas, pessoas, mundo e si mesmo. Tenho absoluta certeza de que assim, você terá descobertas e aprendizados extraordinários e surpreendentes. Permita-se!

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