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O Que Chamamos de Arquétipos?

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Arquétipos

Bigone/Shutterstock O velho sábio é um dos arquétipos que representa o iluminador, o professor, mestre, um guia das almas!

Imagino que você já tenha ouvido falar em arquétipos alguma vez. Essa palavra, embora não seja muito comum, também não é totalmente estranha para as pessoas. Muitas áreas do saber falam em arquétipos e há muitas formas de entendê-los, é muito importante fazermos esse alinhamento conceitual para que você compreenda como pensamos essa interdisciplinaridade.

Entendemos arquétipos como padrões universais de energia, que despontam de nossos mitos e crenças, que exercitam a sua influência de maneira invisível diante da forma como as pessoas enxergam todos os aspectos de suas vidas.

É essencial, para falarmos de arquétipos, mencionar e explicar o conceito de inconsciente coletivo. De forma simples, trata-se da fração do inconsciente individual que deriva da experiência antepassada da espécie, ou seja, ele contém material psíquico que não provém da experiência pessoal, mas da experiência coletiva, acumulada em todo nosso grupo humano, desde tempos imemoriais.

Arquétipos e Carl Jung

Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a Psicologia Analítica, faz a comparação do inconsciente coletivo com o ar – que não muda de localidade para localidade, isto é, é o mesmo em todo lugar – portanto, é expirado por todos e não pertence exclusivamente a ninguém.

Os arquétipos se configuram como distintas formas de moldar uma escultura. Essa forma com que a escultura é moldada é o que estabelece se ela será redonda, quadrada, retangular etc. Esses arquétipos originam as fantasias individuais de cada ser humano e também as mitologias de várias épocas, eles são espécies de perfis, como signos, uma imagem pessoal que destaca certos elementos frente a outros.

Por exemplo, muitas pessoas almejam um emprego dos sonhos, pode-se dizer que isso é resultado de um arquétipo, da figura do pai e da mãe ou do irmão mais velho, pois em todas as famílias existe uma história de algum parente que ilustra a pessoa bem-sucedida, com um ótimo emprego.

Esse conceito se difunde cada vez mais pela sociedade, e mesmo que as pessoas não reconheçam, sempre existe um desejo muito grande de encontrar o emprego dos sonhos, que corresponda ao que esperam. Essa fantasia é bastante peculiar e individual, resultante de um mito que perpassa mundo afora.

Jung diz que o conceito de arquétipo é bastante confundido ou mal interpretado, já que este não demonstra uma imagem ou teor definido, e, sim, um motivo e um apanhado de detalhes, sem nunca perder o formato original. Partindo do mesmo exemplo anterior, além do emprego dos sonhos, existe também o desejo de encontrar um emprego que seja o mais próximo possível da perfeição. Mas o conceito de perfeição varia de pessoa para pessoa. Não existe uma fórmula.

Acredito que você já tenha compreendido que o conceito de arquétipo só pode ser aplicado indiretamente às representações coletivas, contanto que designem apenas aqueles conteúdos psíquicos que ainda não foram submetidos à elaboração consciente capaz de julgar e avaliar. Mas, uma vez construídos dentro da coletividade, passamos a nos constituir dentro desses arquétipos.

O Conteúdo dos Arquétipos

O conteúdo inconsciente que o arquétipo representa se modifica ao longo do tempo por causa das interações com a consciência e a percepção individual na qual ele se manifesta. Sem dúvida, o significado do termo arquétipo fica mais claro quando o relacionamos com o mito, ensinamento esotérico e o conto de fadas – embora ele seja real e verificável.

O homem em sua forma rudimentar não se interessa por respostas óbvias e objetivas, existe, no entanto, uma necessidade premente de assimilar toda a experiência externa e sensorial a acontecimentos anímicos, como por exemplo, explicar o nascer e o pôr do sol. Esta observação empírica corresponde, no inconsciente, a uma trajetória de um deus ou herói, que no fundo habita em cada um de nós.

O arquétipo do Velho Sábio é sinônimo do mago que nos remonta à figura do Xamã na sociedade primitiva. Como a anima (personificação da natureza feminina), ele é imortal, sua luz penetra na obscuridade caótica da vida. Podemos considerá-lo como um iluminador, o professor, mestre, um guia das almas segundo Jung um psicopompo.

Jung declara que tanto nos sonhos como nas histórias fantásticas, o arquétipo do Velho aparece em figuras espirituais, na forma de funções espirituais em que os seres possam buscar uma sabedoria além da matéria. “O velho sempre aparece quando o herói se encontra numa situação desesperadora e sem saída, da qual só pode salvá-lo uma reflexão profunda ou uma ideia feliz […]” (Jung, 2011, p.214).

É como se, metaforicamente, ele estivesse incumbido da figura do oráculo, aconselhando o que o herói deveria pensar por si só, mas não o fez, uma reflexão com o objetivo de concentrar forças morais e físicas no self 2 unindo todas as virtudes em dado momento crítico. O Velho Sábio mostra ao herói que ele não terá ajuda, que não há saída possível, e que ele deverá contar consigo mesmo. Dessa maneira, acredita-se no empoderamento individual que determinará seu comportamento.

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