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O Poder da Sugestão – As 3 Leis de Emile Coué

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Image Point Fr/Shutterstock As sugestões nos ajudam em nosso processo de autoconhecimento e autocura

Uma das poucas certezas que podemos ter na vida é bastante clara para qualquer um que já tenha tirado ao menos um minuto para pensar na própria existência: não nascemos prontos. Dia após dia somos brindados com novos conhecimentos, novas descobertas e formas de enxergar o mundo. Isso só reforça a convicção de que somos criaturas sedentas de novos aprendizados e não há maneira melhor de nos mantermos ligados à vida senão através das mudanças e descobertas que nos potencializam e nos tornam melhores.

Se for assim a cada momento ou etapa de nossa existência, não poderia ser diferente quando se trata de dar lugar àquela que talvez seja justamente à instância mais complexa que temos: nossa mente. Uma sessão de Coaching Ericksoniano assume essa tarefa de dar espaço ao mundo sem fronteiras que habita nossa mente. Também por isso esse momento requer método, organização e, claro, um caminho adequado para se chegar ao estágio desejado.

Esse caminho pode ser denominado de sugestão. Esta que se mostra a ferramenta mais adequada a um coach para fazer com que seu coachee se desarme e se prepare para um transe ou uma sessão de Coaching. A sugestão tem a nobre função de nos aquecer, ou seja, nos deixar na condição perfeita para recebermos uma mensagem, assimilarmos um conteúdo, ou até mesmo para vivermos uma experiência transformadora.

Quando o coachee se posiciona para o início da sessão, o coach não necessariamente o colocará em flow de imediato, ou em hipnose repentina e instantânea. É necessário que o cliente seja preparado através de palavras, induzido a se deixar levar pelo o que de melhor aquela sessão pode lhe oferecer. A sugestão entra em campo pavimentando o caminho que desejamos alcançar, dotando o coachee do suporte necessário para chegar ao estado buscado.

Nesse terreno, a força da sugestão se dá principalmente pelas palavras, mas não somente através delas. Todos os gestos, postura corporal e a própria disposição do ambiente onde se dá a sessão de Coaching podem influenciar o coachee. Frases de estímulo com um componente apaziguador e que transmitam leveza e segurança ao coachee sugerem a este o estado ao qual o coach espera que ele chegue. No ato de sugerir há uma intenção velada, um objetivo não muito claro que visa dar às coordenadas a quem transmitimos aquela informação.

Quando se sugere algo é como se a informação fosse passada de maneira um pouco nebulosa, sem dizer de modo peremptório, ou seja, deixando que a mensagem fique nas entrelinhas. Usar dessa estratégia é importante porque no transe nada deve ser imposto ou dito de maneira imperativa ao coachee.

Alguns dos comentários mais importantes de serem dados são esses, que, por serem passados com essa estratégia subliminar, têm uma repercussão que vai além do nível consciente por parte de quem assimila a informação. A peculiaridade das sugestões é que elas têm o poder de fazer com que algo grude feito chiclete na nossa cabeça, o que não só nos impede de esquecer aquilo, bem como nos condiciona a executar aquela atitude que nos foi sugerida.

Não é de hoje inclusive que a ciência descobriu o poder da sugestão. Diversos estudos da Psicologia e da Neurologia se debruçam sobre o tema. E não é exagero dizer que o surgimento da própria neolinguística se deu sobre essa base. O que fica claro em todas as investigações científicas é que se somos seres pensantes e que têm o aprendizado como característica; o que dizer então do nosso órgão fundamental pelo qual toda aprendizagem passa, o cérebro? Na resposta a essa pergunta somos obrigados a constatar o óbvio: nosso cérebro é também altamente programável.

A força da sugestão pode ser usada para programar nossas ações, inclusive nos aspectos fisiológicos, já que o subconsciente controla todos os mecanismos do nosso corpo. Está claro que os limites da sugestão vão muito além daqueles que normalmente atribuímos à nossa mente, irradiando-se por esta e – eis a grande novidade! – interferindo na realidade que nos circunda.

As 3 Leis da Sugestão

Emile Coué foi um entusiasta dessa ideia, desenvolvendo uma teoria que visava compreender a maneira pela qual as sugestões repercutiam nos indivíduos. Ele foi um importante divulgador da hipnoterapia, sublinhando o papel das sugestões em um processo de condução ao transe.

Na transição entre o século XIX e o século XX, Coué preconizou que o resultado desejado deveria ser sugerido a fim de que nosso inconsciente buscasse por si só alcançar aquele patamar. O psicólogo acreditou ainda que a repetição de palavras ou imagens por diversas vezes surtiria no subconsciente o efeito de absorvê-las, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência autossugestiva. Seu trabalho se constituiu em três princípios básicos:

  • Lei da Ação Concentrada

Qualquer ideia que temos em mente está se tornando uma realidade no reino das possibilidades. Assim, a ideia da cura pode produzir cura. Ou, psicologicamente falando, considerar uma coisa fácil de alcançar, de forma eficaz, facilita a realização.

A sugestão tem um poder que transcende o de uma mera associação de ideias. Ao pensar, mentalizar, sugerir algo, podemos dizer que um mínimo esforço para a concretização daquele pensamento começa a acontecer. Isso por si só não transforma o pensamento em realidade, mas a sugestão já começa por delinear um contexto para que aquilo se materialize.

Quando dizemos algo para nós mesmos, por mais que seja um comando longe de ser real, de alguma maneira estamos começando a trabalhar para que o que quer que seja tome forma. Ao reforçar aquela ideia, você dá um passo adiante, acrescenta uma força a mais para que determinado pensamento se concretize.

Qualquer coach sabe que nossas realizações não brotam da terra, e que, portanto, é necessário suar muito a camisa para ver os resultados que tanto desejamos. Mas coach e coachee também sabem que fatos, acontecimentos e empreendimentos humanos não surgem do nada. Muito antes de se tornarem realidade palpável, concreta, foi preciso que alguém os pensasse ou os idealizasse. Por isso, a sugestão é o início de uma caminhada.

O que Coué esteve a dizer com sua primeira lei foi também que esse pontapé inicial é imprescindível, fundamental para que algo se mova e todo o processo posterior seja desencadeado. Nenhum de nós indivíduos é uma ilha, isolada dos outros semelhantes ou dos elementos gerais que povoam a vida. No somatório de forças do Universo somos uma luz adicional, que, por sua vez, é influenciada pelas demais fontes de luz e calor existentes. Nossas ações repercutem ao redor, influenciando para melhor tudo que capta nosso exemplo.

Por isso, Coué afirmava, com convicção, que quando uma ideia é trabalhada em nossa mente como algo realizável; já estamos trabalhando a realidade para que a ideia se materialize de fato. O foco de Coué era auxiliar na melhoria dos problemas de saúde, capacitando os pacientes para que promovessem a própria cura. Com a sugestão, eles não se tornariam mais imunes ao mal que os afligia, bem como passariam a atuar como agentes de suas próprias curas.

  • Lei do Esforço Reverso:

Por essa lei, Coué enfatizou que quando tentamos alcançar unicamente de maneira consciente, tendemos a sofrer as consequências do efeito reverso. Assim, agindo tão somente de modo consciente aumentamos consideravelmente as chances de darmos com burros n’água. Insistir ferozmente em uma ideia, segundo essa visão, pode ser um atalho para que justamente reforcemos seu inverso do qual queremos nos livrar. Esse preceito nos incute a concepção de que não devemos permitir que a vontade intervenha quando estivermos utilizando a sugestão, porque se essa não          estiver de acordo com a imaginação não só não será possível conseguir o efeito desejável, como ainda se obtém exatamente o contrário.

O que Coué nos diz nesse ponto é que quanto maior o esforço que empreendemos em uma direção, maiores são as chances de insucesso que acumulamos no caminho desse esforço. Um bom exemplo disso pode ser o exercício de se lembrar de algo esquecido. Quanto maior o esforço de se lembrar de mais para longe irá àquela lembrança fugidia.

O psicoterapeuta francês foi um entusiasmado defensor da força da imaginação. A força de vontade para ele representou uma grandeza menor diante do poder que o ato de imaginar adquire sobre os indivíduos. Rebater os pensamentos negativos com uma sugestão que inspirasse boas coisas era uma premissa central de tudo que foi pregado por Coué.

Em outras palavras, substituir sugestões negativas por positivas é a maneira mais sábia de instigar o Universo a trabalhar a nosso favor. Quando dizemos para nós mesmos “Estou prestes a lembrar da senha, é questão de segundos”, aumentamos significativamente nossas chances de que isso ocorra de fato, o que definitivamente não seria o caso, se disséssemos: “Esqueci a senha mesmo, não tem nenhuma chance de eu lembrar” ou qualquer outro comando negativo que condiciona nosso inconsciente de modo errôneo.

Como Erickson bem soube, a ponto inclusive de praticar bastante entre seus pacientes, a sugestão tem o poder de apresentar um efeito reverso. Se dito a um paciente, em um momento de transe, para que ele “não pense no seu membro dolorido”, o mais normal e esperado, a partir da lei do esforço reverso, é que ele passe, sim, a partir daí a se lembrar e a se concentrar no ponto causador de dor.

  • Lei do Efeito Dominante:

A terceira lei da sugestão nos traz a lição de que uma forte sugestão emocional sempre prevalece sobre uma sugestão mais fraca. Quanto mais intensa e relevante é uma ideia, maior sua propensão de firmar seu espaço, delimitar sua atuação e ser seguida por um ou mais indivíduos. Bater de frente com as emoções é quase sempre uma luta inglória. Bons coaches sabem disso e é também em razão desse pressuposto que o Coaching Ericksoniano visa dar vazão ao inconsciente, que é a parte de nossa mente mais encharcada de emoção.

Lembre-se de se lembrar de nunca se esquecer de que as pessoas se esquecerão do que você disse, muito provavelmente se esquecerão do que você fez, mas nunca se esquecerão de como você as fez sentir. Essa máxima que no Coaching assumimos como uma pedra de toque é uma afirmação dessa lei do efeito dominante, já que nossas emoções dominam uma porção da nossa vida que o nosso lado racional reluta em admitir.

Por isso, dar às emoções uma função e uma utilidade que nos sejam favoráveis é algo tão importante para o Coaching, e que levamos tão a sério com a perspectiva de ressignificar lembranças, transformar para positivas as memórias negativas.

Em suma, a sugestão, como de resto é o caso de todas as outras ferramentas de que fazemos uso, existe para atuar a nosso favor. Devemos esperar dela nada menos do que um alicerce a mais para que o Coaching Ericksoniano seja o mais o poderoso instrumento de melhoria de rendimento e performances, alargando nossas possibilidades de sucesso, bem como a capacidade que todos temos de sermos felizes.

 

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