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O Poder da Aprendizagem Acelerativa

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Shutterstock | Lucky Business O processo de aprendizagem como forma extraordinária de absorção de conteúdo

Estou certo de que muita gente ainda não me compreende quando falo em “aprendizagem acelerada”, “mente inconsciente”, “aprender sem saber que está aprendendo”, “baixar a frequência cerebral” e outros termos nessa linha de pensamento. Resolvi, então, escrever esse texto para explicar, cientificamente, de onde vem toda essa compreensão de processo de aprendizagem que usamos nas formações em Coaching do Instituto Brasileiro de Coaching – IBC.

Toda aprendizagem exige, basicamente, três coisas: algo a ser aprendido, um sujeito que aprende e um método. Coisas a serem aprendidas e sujeitos para aprender sempre haverá, logo, o segredo desse processo se encontra no método de aprendizagem, ou seja, nas melhores formas de fazer com que esse sujeito consiga aprender esse “algo”. Daí, cada vez que aparece um novo método de ensino-aprendizagem acontece uma pequena revolução, já que todos nós aprendemos o tempo inteiro.

A Sugestopedia de Lozanov

A aprendizagem acelerada é um desses métodos, mas não é uma coisa nova. Faz mais de um século que pesquisadores se preocupam em estudar esse assunto, em diversas áreas do conhecimento – da filosofia à neurociência. Até que na década de 60 um Professor e médico psiquiatra, Dr Georgi Lozanov (1926-2012), descobriu a chave para a aprendizagem acelerada, que ele chamou de “vigília relaxada”, um “estado ótimo de aprendizagem”, e a partir disso desenvolveu um método que chamou de “Sugestopedia”.

A vigília acelerada é um estado de relaxamento produzido, especialmente, pelo uso de músicas que abaixem a frequência, ou seja, o ritmo, do cérebro. O conceito por trás dessa descoberta é a de que, longe do estresse, alcançando as ondas alfa, as informações são armazenadas na memória de longa duração, pois associam a informação às emoções geradas.

Aprendendo através da Música

A música é uma ferramenta extraordinária. As mais antigas tradições do mundo, as culturas milenares de todas as partes do globo, já usavam a música como elemento sugestivo de estados mentais diferenciados, por meio do relaxamento. Na verdade, hoje isso está mais forte que nunca. O mercado de música “zen”, por conta da popularização de terapias alternativas e do campo de músicas religiosas é uma amostra disso.

As músicas nos marcam porque elas estão ligadas às nossas emoções, é o que acontece com o seu uso nas práticas religiosas. A emoção é também uma memória, aliás, as emoções são as memórias mais facilmente recuperáveis pelo cérebro, por isso é muito mais fácil aprendermos com o self 2, ou seja, com nossas emoções. A dor, a raiva, a felicidade, o prazer, a satisfação também são memórias. Quando uma criança coloca o dedo na tomada e sente a dor do choque elétrico, ela registra uma memória daquela sensação e isso, consequentemente, gera um aprendizado.

No caso da Sugestopedia de Lozanov, a música é uma ferramenta de estímulo, mas, principalmente, de relaxamento, ela é um elemento condutor do sujeito até o estado ótimo de aprendizagem. O pesquisador sugere que as melhores músicas são as músicas barrocas, por conta de sua divisão rítmica ser muito parecida com a frequência alfa, do cérebro, mas as músicas clássicas produzem também um bom efeito. A intenção é chegarmos ao estado ótimo de aprendizagem abrindo o canal da nossa super memória, a memória de longa duração.

A memória para a aprendizagem acelerada tem o mesmo significado que inteligência. Isso porque o raciocínio tem sua base em conteúdos aprendidos, ou seja, memorizados. Não é possível que alguém raciocine, reflita, sobre algo que não esteja devidamente armazenado na memória. O alcance do estado de vigília relaxada faz com que o inconsciente, onde registramos essas memórias emotivas e informacionais, conecte-se com o consciente, o cognitivo, trazendo à tona todos os conteúdos.

As emoções são rapidamente rastreadas pelo cérebro. Geralmente, primeiro sentimos e só algum tempo depois raciocinamos sobre o que estamos sentindo. Há casos em que nem sabemos ao certo porque sentimos raiva ou amor por uma pessoa que nos parece estranha ou medo de algo que nunca vimos. É por isso que quanto mais sentirmos o conteúdo, mais conseguiremos acioná-lo em nossa memória.

Quando essas emoções são um entrave para a aprendizagem é preciso trabalhá-las. Os estudos orientam que um aluno não seja, em nenhuma hipótese, criticado ou repreendido por um erro, pois o erro é, antes de tudo, uma tentativa corajosa, ausente de medo, a busca por conseguir um objetivo. A repreensão gera emoções ruins criando barreiras para a aprendizagem.

É fato que o estudo do búlgaro se restringiu ao ensino de línguas estrangeiras sendo até reconhecido como eficaz e incentivado pela UNESCO. Contudo, o método da Sugestopedia já tem sido experimentado com êxito em diversos outros contextos, para além do ensino de línguas estrangeiras, sempre priorizando três elementos centrais: o ambiente, a estratégia e o conteúdo.

Na década de 70/80 era uma novidade que o ambiente fosse uma variável importante na condução do processo de aprendizagem. Hoje, é comum vermos que as escolas e instituições em geral preocupam-se com o ambiente, trabalhando para que ele favoreça o processo. Nas formações em Coaching adotamos a sala com formato de U. Esse formato é, para Lozanov, um estímulo à aprendizagem colaborativa – porquê, como sabemos, ele cria um campo relacional.

Usando a música como elemento facilitador para se chegar ao estado ótimo de aprendizagem e mais dois passos que também utilizam a música, Lozanov conseguiu um método que aumenta em até cinco vezes a competência de aprendizagem de línguas. Esse número quer dizer que as pessoas aprendem cinco vezes mais rápido e também absorvem até cinco vezes mais informações – esse é o segredo de você ter saído da formação em Coaching do IBC sabendo de coisas que achava que não soubesse!

Barreiras para o Aprendizado

Mas, mesmo com tamanha eficácia, sempre temos as barreiras, as crenças limitantes, os entraves do processo. Lozanov afirma que entraves como as tensões, medos e angústias provêm, muitas vezes, “da insegurança do estudante, da falta de confiança nas suas próprias capacidades de compreensão, de memorização e de utilização da informação nova que lhe é fornecida”. Nesse sentido, o mestre búlgaro observou três barreiras para o aprendizado e que devem ser trabalhadas pelos professores que pretendem utilizar total ou parcialmente o método da Sugestopedia. São elas:

  • Barreiras lógicas: são barreiras vindas de pensamentos pessimistas, fruto da pouca confiança em si e de um julgamento que aparentemente segue o raciocínio lógico. Geralmente são enunciados como “não é possível alguém conseguir fazer isso”, “essa quantidade de informações é absurda”. O raciocínio diz, pela lógica, que tal façanha intelectual é impossível, isso acontece porque estamos habituados a um determinado número de absorção de informações que está ligado aos métodos tradicionais de ensino.
  • Barreiras afetivas: são barreiras causadas pela baixa autoestima. Geralmente vindas da inibição, do medo de errar e ser reprimido e do julgamento das pessoas. Essa barreira tem a ver como nossa necessidade de sermos aceitos pelos outros, o que gera uma compreensão de que o erro é condenável, e não de que o erro também nos ajuda a aprender. Não queremos ser julgados, condenados ou ridicularizados pelo que não sabemos.
  • Barreiras éticas: acontecem quando julgamos um determinado conhecimento por nossos valores e criamos empecilhos para o novo. Temos dificuldades em tornar o território da aprendizagem neutro, ele sempre está cheio das nossas ideologias, por isso julgamos o conteúdo em vez de aprendê-lo, especialmente questões culturais e morais.

Essas barreiras tendem a ser quebradas com a ambientação e o relaxamento. A postura do professor, mestre, instrutor, que utiliza esses princípios de ensino, deve ser colaborativa, afetuosa, leve, descontraída, esse comportamento modifica as crenças sobre a aprendizagem, especialmente aquelas que dizem que aprender é difícil, ruim, cansativo etc.

A importância de Lozanov para nós é principalmente a de compreender, cientificamente, esse estado ótimo de aprendizagem. Esse estado só se dá com o relaxamento, o alinhamento do nosso corpo com uma frequência cerebral alfa, para abrir as conexões de aprendizagem inconsciente, e um ambiente devidamente preparado em sua estrutura física e em seu clima, especialmente como a promoção do afeto mútuo.

O relaxamento, como você viu, não é uma condução ao sono – embora o sono seja importante no processamento cognitivo – mas uma condução a um estado de alerta num nível mais profundo. Por isso, nosso diferencial está na junção entre a prática e as emoções no aprendizado, por meio desse estado de vigília relaxada, um estado ótimo para se aprender com memória de longa duração.

Aliás, essa pesquisa que gerou o método da Sugestopedia (pedagogia por meio da sugestão) ainda não conhecia o conceito de Flow da Psicologia Positiva que, no fundo, explica a mesma coisa: em um estado alterado da mente (que alguns ainda chamam de transe) você estabelece uma competência inconsciente, um fluxo, que gera conexões novas de saber. A ciência, a serviço do Coaching, gera essas maravilhosas convergências em que o homem, por meio da sua evolução intelectual e espiritual, descobre e usa coisas maravilhosas que nos fazem ser melhores que somos a cada dia.

Confira no vídeo abaixo um pouco mais sobre o assunto:

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