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Mitos sobre a Hipnose e os Diferenciais do Modelo de Milton Erickson

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Lia Koltyrina/Shutterstock No modelo de hipnose ericksoniana sempre o paciente é o personagem principal de sua sessão

Estar hipnotizado não significa estar desligado da realidade ou em completa alienação do que se passa ao redor. É nesse sentido que a Associação Americana de Psicologia dá à hip­nose a classificação técnica de um estado de consciência que mantém o foco da atenção em algo, embora com redução da consciência periférica. A perda do senso de crítica e autocrítica não é algo recorrente em uma sessão de hipnose.

Nas apresentações tipo espetáculo, a indução do transe profundo faz com que se acredite que naquele estado o indivíduo não tem como fugir ao poder de comando do hipnoterapeuta. Mas isso não acontece necessariamente. Além disso, situações vexatórias a que são submetidos os hipnotizados são tipicamente exploradas em apresentações a fim de entusiasmar a plateia, que ali está à procura do inusitado.

Quando as partes frontais do córtex cerebral, especialmente afetadas durante o estado hipnótico, são atingidas, algumas das suas funções são momentaneamente inibidas. Essas áreas são responsáveis pelas funções de planejamento e execução dos comportamentos, e é essa ligeira interferência que gera no hipnotizado a sensação de que o controle sobre si mesmo foi dado ao hipnotista.

Como Deve Ser a Hipnose segundo Milton Erickson

As intenções que estão por atrás dos estímulos usados pelo terapeuta, por mais sorrateiras que possam parecer, são perce­bidas pelo inconsciente, que tem ao lado da sua capacidade de absorção uma sensibilidade afiada. Por isso, a função do hipnólo­go é bastante delicada, e conforme Milton Erickson sugeriu, ela deve se restringir a acrescentar informações ao processo de pensamento do paciente ou coachee.

Isso já é o bastante, porque, sempre que novas informações são adicionadas, novas possibilidades se abrem no horizonte e novas escolhas nossa mente estará habilitada a fazer. A diferença fundamental entre o que fez Erickson e os hipnotera­peutas de palco está no protagonismo que é estabelecido.

Enquanto para o tipo performático e espalhafatoso o poder da hipnose está no hipnoterapeuta, nele mesmo como a fonte do espetáculo – não por acaso o palco é seu lugar de trabalho; para Erickson, o grande poder da hipnose está no hipnotizado e na sua mente. Para ele, portanto, a possível pretensão do hipnólogo de roubar a cena diante desses dois elementos constitui um erro crasso.

A ênfase dada por Erickson vai sempre em direção de uma relação de cooperação entre terapeuta e paciente. Cabe àquele ser sempre cooperador e estar integrado com este para que o objetivo mútuo que os guia seja de fato alcançado. Pelo modelo que consagrou o psicólogo nunca é advogada qualquer ligação em que o promotor da hipnoterapia tenha preponderância sobre o hipnotizado.

Essa seria uma verdadeira inversão de valores do patamar terapêutico por ele proposto, e também por apresentar essa alteração das prioridades é que a hipnose de palco é essen­cialmente tão distante da ericksoniana. Do hipnólogo de palco, também não se deve esperar uma conduta ética bastante rígida. Afinal, seu compromisso é com a diversão da plateia e nada mais. Pouco importa a cura do paciente, e quem se habilita a ser hipnotizado não necessariamente tem algo que o faz buscar tratamento.

Tampouco a formação como terapeuta é necessária para os entusiastas da hipnose performática, sendo muito mais bem-vindas as características e habilidades de apresentador ou promotor de espetáculo. Por isso, não confunda a hipnose de palco com a abordagem ericksoniana que defendemos ensinamos e aplicamos na formação em Coaching Ericksoniano.

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