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Mecanismos de Defesa – Tipos e Como Funcionam?

Por: José Roberto Marques | Blog | 06 de dezembro de 2017

Os mecanismos de defesa são um conceito do ramo da psicologia que se referem a uma forma encontrada pelos indivíduos para se protegerem de si mesmos, dos outros e de seus próprios sentimentos. Trata-se de uma maneira de se afastar de pensamentos, emoções e comportamentos que consideram desagradáveis. Por isso mesmo, conhecer esses mecanismos é uma ótima maneira de percebê-los em seu próprio comportamento e, assim, utilizá-los de forma saudável e equilibrada ou evitá-los quando forem prejudiciais.

Principais Tipos de Mecanismos de Defesa

Os dispositivos de defesa começam a ser utilizados pelos indivíduos ainda na infância. Grande parte deles é usada de maneira inconsciente, o que significa que a maioria das pessoas não percebe que está fazendo uso deles. Neste sentido, o autoconhecimento, aliado a alguns tipos de métodos comportamentais específicos, a exemplo do Coaching, pode ajudar a adquirir consciência em relação a estas barreiras, a entender como elas influenciam em seus comportamentos e a eliminar o que estiver bloqueando seu crescimento em todos os sentidos.

Pensando nisso, a seguir, eu listei alguns dos principais mecanismos de defesa utilizados para que entenda como eles funcionam. Acompanhe.

Negação

A negação é a recusa de aceitar a realidade ou um fato, agindo como se um acontecimento, pensamento ou sentimento doloroso não existisse. É considerado um dos mais primitivos mecanismos de defesa que existem, porque é uma característica que faz parte do desenvolvimento da primeira infância.

Muitas pessoas usam a negação em suas vidas para evitar lidar com sentimentos dolorosos, fraquezas ou frustrações. Por exemplo, no caso de alguém que tem dificuldades em assumir seus erros. Com receio de ser confrontada, frequentemente esta pessoa nega suas falhas; atribui à culpa a terceiros, pois não tem coragem de admitir suas inseguranças ou falhas.

Regressão

A regressão é o retorno do comportamento para um estágio anterior do desenvolvimento do indivíduo, como forma de se proteger de pensamentos ou impulsos que acredita ser inaceitáveis. Por exemplo, um adolescente que está sobrecarregado com medo e raiva, pode voltar a apresentar comportamentos da infância que ele já havia superado, tais como incontinência urinária e o choro descontrolado. Já um adulto pode regredir ao se sentir muito estressado, recusando-se a levantar da cama para realizar suas atividades cotidianas.

Repressão

A repressão consiste no bloqueio inconsciente de pensamentos, sentimentos e impulsos que o indivíduo considere inaceitáveis. As chamadas memórias reprimidas são aquelas que foram bloqueadas na mente, e, como não é consciente, muitas vezes se tem pouco controle sobre elas. Vale lembrar que esse mecanismo pode até ser benéfico durante um período, contudo, se uma experiência negativa não for enfrentada, em algum momento ela pode retornar.

Projeção

Trata-se da atribuição equivocada de pensamentos, sentimentos ou impulsos indesejados de uma pessoa para outra que não apresente essas mesmas características. A projeção é utilizada, especialmente, quando os pensamentos são considerados inaceitáveis ​​ou o indivíduo não se sente completamente à vontade em tê-los.

Por exemplo, um cônjuge pode ficar zangado com o outro por não ser ouvido, quando, na verdade, é ele que não costuma ouvir. Esse mecanismo costuma ser resultado de uma falta de percepção e reconhecimento de suas próprias motivações, sentimentos e pontos de melhoria, ou seja, se reflete numa grande necessidade de autoconhecimento.

Deslocamento

O deslocamento é o redirecionamento de pensamentos, sentimentos e impulsos que se tem por alguém e dirigi-los para outra pessoa ou objeto. As pessoas frequentemente usam o deslocamento quando não podem expressar seus sentimentos a quem eles são verdadeiramente dirigidos. O exemplo clássico é o indivíduo que se irrita com seu chefe, mas que não pode expressar sua raiva por medo de ser demitido. Então, chega em casa e desconta o sentimento brigando com seu cônjuge ou quebrando algo que esteja pela frente.

A pessoa está redirecionando a raiva que está sentindo pelo gestor para uma pessoa ou objeto que não tem nenhuma relação com a situação. Como se pode imaginar, este é um mecanismo de defesa bastante ineficaz, porque, além de não chegar a uma solução para o problema inicial, pode gerar outros tipos de conflitos em outras áreas da vida.

Racionalização

A racionalização é o ato de encontrar uma justificativa racional para um comportamento que seja considerado inaceitável. Seguindo o exemplo do deslocamento, o indivíduo que brigou com o cônjuge utiliza a justificativa de que estava irritado com o chefe. Esse mecanismo também é usado em outros tipos de situação, como uma demissão ou o fim de um relacionamento, por exemplo, em que a pessoa afirma que já não estava mais feliz com aquilo, mesmo que, por dentro, esteja sofrendo pelo ocorrido.

Reação

O mecanismo de reação é a conversão de pensamentos, sentimentos ou impulsos considerados indesejados ou perigosos em seus opostos. Por exemplo, alguém que está muito irritado com seu gestor e insatisfeito com o seu emprego passa a tratá-lo de forma excessivamente amável e generosa, mostrando que adora ocupar aquele cargo. Esse indivíduo se torna incapaz de expressar as emoções negativas de raiva e insatisfação com o seu trabalho, e, ao invés disso, se esforça para demonstrar exatamente o contrário.

Intelectualização

A intelectualização é a ênfase exagerada no pensar quando se é confrontado com um impulso ou comportamento que não se deseja ter ou sentir. Então, passa-se a enxergar a situação sem qualquer tipo de emoção, levando-a para um contexto racional. Quando uma pessoa acaba de receber um diagnóstico de uma doença grave, por exemplo, e, ao invés de expressar sua tristeza e dor, concentra-se em pesquisar detalhes sobre a patologia e todos os procedimentos que serão realizados. Nesse caso, a intelectualização pode ser uma forma positiva de passar por esse período com maior serenidade.

Compensação

A compensação é um processo de contrabalancear fraquezas, enfatizando a força em outras áreas. Trata-se de um reconhecimento de que não se pode ser forte em todos os aspectos da vida. Por exemplo, quando uma pessoa diz que não é boa em português, mas é ótima em matemática, ela está tentando compensar sua falta de conhecimento sobre a Língua Portuguesa, enfatizando suas habilidades em relação aos cálculos. Quando usada de forma adequada, a compensação é um mecanismo de defesa que ajuda a reforçar a autoestima.

Agora que já conhece os principais mecanismos de defesa poderá identificá-los em seu comportamento e eliminar aqueles que possam trazer algo negativo para a sua vida. Por outro lado, também terá a oportunidade de escolher aprender novas formas de comportamento, que te ajudem a lidar melhor com diversas situações e entender seus sentimentos e emoções. Fique atento e boa sorte!

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