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As Sete Vidas de um Gato!

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Anton Papulov/ Shutterstock Gatos: 7 vidas e muitas histórias para contar

Só os gatos têm sete vidas – aliás, você sabe por que se diz que os gatos têm sete vidas? Conto no final! –, mas nossa vida está repleta de números sete. Alguns já nos chamaram a atenção alguma vez, outros passam despercebidos, mas não são, por isso, menos significativos.

Existe um poder do número sete em nossas vidas. O número sete está, por exemplo, ligado à luz e ao som. Sete vibrações sonoras estão ligadas às sete vibrações luminosas, à irradiação da luz. A decomposição da luz, mostrada por Newton, se assemelha aos sete sons primários existentes nas sete notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si).

Newton fez com que um feixe de luz do sol atravessasse um prisma e observou que a luz se decompunha em 7 cores. Esse efeito, de reflexo de luz, é parecido com o que acontece com o arco íris – as cores do arco íris têm 7 tonalidades (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil (ou índigo) e violeta).

Aliás, essa conversa sobre cores me lembra dos sete véus de Ísis, que também eram multicoloridos. A Dança dos Sete Véus tem origem em tempos remotos, há diversas histórias sobre onde e como ela teria começado. A mais aceita é a de que as sacerdotisas dançavam no templo da deusa Ísis, em sua homenagem usando sete véus.

Essa dança faz alusão à vida, os elementos da natureza e das divindades, mas também é uma dança iniciática. Cada véu, de cada cor, significa uma virtude da sacerdotisa, que embora ganhe um véu em cada ano de sua iniciação, tira os véus um por vez durante a dança.

Na mitologia egípcia, o véu da deusa Ísis é a teia que separa morte e vida, o conhecido e o desconhecido, o eterno e o efêmero. Ísis, a deusa, é também o símbolo do desespero de quem perde um ente querido — no caso dela, o marido Osíris. Esses sete véus na leitura hinduísta também estão ligados aos sete chacras, a sete níveis de consciência e a sete planetas, numa total integração com o universo.

Quando falamos de amor não raramente dizemos que somos levados ao “sétimo céu” – mais uma das expressões populares com o sete. Embora esse enunciado tenha conotação erótica, ele provavelmente é derivado das teorias que dissertam sobre as sete dimensões do Universo que, fisicamente falando, são os sete estados da matéria, onde os quatro elementos são os mais densos.

Religiosamente é o plano vibratório mais próximo do Criador, ou também, uma alusão a sete planos do Universo, onde o homem possui sete corpos sutis, cada um deles formado por sete estágios.

Repare – O número 7 está em todo lugar

Essa conversa que parece confusa pode ficar mais simples. Lembre-se, por exemplo, que há muitas coisas que são reunidas em grupos de sete. Muito provavelmente esse seja o caminho de mostrar que o sete é o número da perfeição absoluta – como o veem os místicos.

Repare, por exemplo, que as maravilhas do mundo antigo (a Pirâmide de Gizé, os Jardins Suspensos da Babilônia, a Estátua de Zeus, o Templo de Artemis, o Mausoléu de Halicarnasso, o Colosso de Rhodes e o Farol de Alexandria) são sete.

As maravilhas do mundo moderno (a Necrópole de Gizé, a Muralha da China, Petra, o Coliseu, Chinchen Itza, Machu Picchu, Taj Mahal e o Cristo Redentor) são sete. As Artes são sete (e que nós nos referimos ao cinema, por exemplo, como sétima arte, sendo as outras a música, pintura, escultura, arquitetura, literatura e dança). E as maravilhas da natureza também são sete (A Floresta Amazônica, a Baía de Há Long, as Cataratas do Iguaçu, a Ilha de Jeju, o Parque Nacional de Komodo, o Parque Nacional de Puerto Princesa e as Montanhas de Mesa).

Mas nem tudo é belo, pois se você quebrar um espelho pode ter sete anos de azar. E porque mais uma vez o sete? Como as crenças ligam-se umas às outras, acredita-se que os ciclos de evolução da vida humana se dão a cada sete anos, logo, seria todo um ciclo de má sorte. E porque o espelho? Porque na idade média acreditava-se que o reflexo era a própria alma, quebrar seu reflexo era quebrar a própria alma, assim como se admirar em cacos de espelho. Por isso também os vampiros, que não têm alma, não tem reflexo.

E como quebrar espelho parece traquinagem de criança que vive pintando o sete, podemos parar e reparar o quanto o sete já estava em nosso encalço desde criancinhas, ou você já esqueceu que os anões da branca de neve também eram sete?

Lembre-se também que os pais do Pequeno Polegar, conto do escritor francês Perrault, tinham sete filhos. Nesse caso o sétimo filho foi o que se tornou herói, respeitando a teoria dos ciclos de sete anos de evolução. Seu heroísmo está atrelado à bota de sete léguas que ele passa a usar. Do mesmo escritor temos a história do Barba Azul, que mata seis esposas e apenas a sétima escapa de sua sina e consegue sobreviver.

 E as Sete Vidas do Gato?

Aposto que você esqueceu-se das sete vidas do gato! Essa história é uma das minhas preferidas. Os mais céticos dirão que se afirma que os gatos têm sete vidas, pelo seu fantástico sistema imunológico (uma vez que raras vezes se vê gatos doentes) e pela habilidade que os felinos têm de cair de pé. Mas na verdade essa superstição tem origens religiosas e políticas, além de místicas.

Entre as explicações possíveis, a mais aceita admite que, na idade média, na alta época de caça às bruxas, os gatos foram tomados pela Igreja como pertencentes ao demônio, assim como os ruivos, as mulheres consideradas bruxas, os judeus e muçulmanos.

Prova disso é um documento oficial da Igreja conhecido como bula papal, a bula Vox in Roma, que dizia que o gato preto habitava o mundo para a infelicidade dos homens. É claro que dentre todos os gatos o preto haveria de tomar maior culpa, pois essa cor já era tomada pela Igreja como a “cor da morte”.

Não demorou para que os gatos pretos, com seus hábitos noturnos, fossem também associados aos druidas, uma comunidade conhecida por suas práticas mágicas, e daí muitas coisas foram contadas, como a história de que as bruxas podiam, a cada sete dias, possuir o corpo do seu gato preto – porque assim como todo pirata que se preze tinha um papagaio, toda bruxa que se preze deveria ter um gato preto.

Mas e as sete vidas? Bem, o número sete desde sempre foi um número tomado pelas pessoas coo mágico. Um número poderoso e especial, mas há tradições, como nos países de origem germânica, que a lenda reza nove vidas e não sete. As sete vidas parecem valer apenas para os países latinos.

De qualquer forma, depois que os gatos foram demonizados pela igreja e que pessoas foram consideradas bruxas e torturadas simplesmente por criarem os felinos, a população de gatos caiu bruscamente. Eles só não desapareceram completamente por que alguns criadores os mantinham em sigilo.

Assim, mesmo tentando matar todos os gatos, sempre se via um ou outro passeando pela cidade, o que levou os mais crentes a acreditarem que eles não tinham uma vida só. Isso foi maravilhoso, pois, se não fossem os gatinhos, a Europa nunca teria se livrado da epidemia de peste bubônica, ou peste negra, que vitimou um terço de todo o continente entre 1347 a 1350 – milhares de pessoas a sete palmos do chão.

A doença era causada pela bactéria yersínia pestis, encontrada na pulga xenopsylla cheopis que, por sua vez, vivia no rato preto indiano Rattus rattus. Sem os felinos se alimentando dos roedores, a população de ratos cresceu absurdamente e por muito pouco a tragédia não foi maior do que a que se viu. Portanto, agradeça as sete vidas do gato!

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