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A Relação entre o Mito da Caverna de Platão e o Coaching 

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Andreiuc88/Shutterstock O Mito da Caverna de Platão nos traz poderosas reflexões que potencializam nosso autoconhecimento e o sucesso do processo de Coaching

Coaching é um processo de desenvolvimento de competências e habilidades, onde um profissional apoia seu cliente, numa parceria sinérgica, através de ferramentas e metodologias, para levar o coachee em direção a seu estado desejado, que é sua meta e objetivo, num prazo específico.No processo de Coaching também utilizamos a linguagem indireta, a comunicação com nosso inconsciente e, nesse sentido, compartilho agora uma metáfora poderosa sobre o Mito da Caverna.

O Mito da Caverna

O Mito da Caverna é uma das metáforas mais conhecidas de Platão. Ela foi contada pelo filósofo e faz parte de sua obra intitulada – “A República”. O texto está no Livro VII (escrito entre 380-370 a.C.), e representa um diálogo no qual o filósofo ateniense fala sobre sua teoria em relação ao conhecimento, linguagem e educação como condição essencial para o ser humano.

Naquela época, os ensinamentos e as hipóteses conceituais eram transmitidos através de histórias, sendo assim, Platão propôs que as pessoas pensassem na seguinte situação: homens e mulheres presos e acorrentados, desde o nascimento, dentro de uma caverna escura. O pouco da luz que havia era a iluminação gerada por uma fogueira. Como um quadro em movimento, pessoas, animais, plantas, objetos e toda uma vida eram imagens projetadas na parede ao fundo da caverna, eram as sombras das pessoas que viviam fora daquele lugar, mas passavam por ali entre idas e vindas. Por alguns instantes, pare, feche os olhos e tente imaginar viver em um espaço no qual, se sabe; que nunca será possível sair.

Como, então, eles poderiam: conhecer, aprender, sentir? Impossível!

A questão que essa metáfora nos coloca é a de que quanto menos eu sei; menos eu sofro; menos eu reivindico; menos eu me conheço. Platão já seria um exemplo de Coach na antiguidade? De maneira intencional, ele colocava as pessoas ao seu redor para pensarem como seria viver de uma maneira em que desde o nascimento, seu fracasso e a impossibilidade de mudança de estado atual já era pré-determinado pela simples condição de ser humano.

Mas, convido você a refletir sobre quais eram os perigos que aquelas pessoas enfrentavam dentro da caverna? Nenhum! Então por que desejariam sair? Explorar um mundo desconhecido e quem sabe até perigoso?

Fato é que, um dos prisioneiros foi libertado e incumbido da tarefa de explorar aquele lugar e o mundo exterior, voltar e dizer para aqueles que lá estavam o que tinha visto, vivido e aprendido. Imaginem o pânico causado por tal situação? Ele mal sabia o que era claridade! A dor nos olhos era algo extremamente incômodo. O desconhecido assusta e amedronta, encoraja e desafia, não é mesmo? Diante desta situação, qual a reação imediata? Fugir do perigo ou se encantar com o novo?

Na metáfora platônica, o antigo prisioneiro ficou maravilhado – depois que se acostumou com a claridade – com tanta vida, aromas e cores que via a cada instante. Sua primeira reação foi voltar ao local de onde havia saído e contar todas as novidades aos companheiros, ainda presos. Mas ao contrário do que podemos pensar, ele foi ridicularizado quando contou tudo o que viu e sentiu. Como aquelas pessoas podiam acreditar em tanta novidade se passaram a vida inteira vendo apenas sombras se moverem nas paredes das cavernas? Ele foi ameaçado de morte por seus colegas que alegavam alto grau de loucura e devaneio em sua fala.

Entenda o Mito no Contexto Atual

Vamos conduzir este mito através dos tempos e alocá-la em pleno século XXI. Muitas vezes preferimos acreditar nas imagens que criamos de um mundo que talvez não exista ou represente uma criação individual, ignorando qualquer tentativa de aprender, conhecer e nos libertar do medo, antigos hábitos e seguir na direção de um mundo exterior pleno que se apresenta em nossa frente.

Ao percorrer o caminho em direção à verdade, somos conduzidos através de inúmeros estados de compreensão desde o nível ambiental, aparente, do conhecimento através dos sentidos até aquele verdadeiramente filosófico, epistemológico, que estuda a origem, os métodos, a estrutura e a validade daquele saber. Esse processo nos leva a concluir que os sentidos dão uma falsa ideia de conhecimento, criam para nós hoje, as imagens da caverna platônica.

Inegável é o fato de que aquele que tem conhecimento sobre determinado assunto, está à frente de outros que estagnaram no nível da superficialidade. Quando pensamos em um processo de Coaching baseado nesta dualidade entre luz e sombra; conhecimento e ignorância; ficar ou fugir; enfrentar ou recuar, alguns símbolos da metáfora podem ser colocados em cena:

  • Cegueira, sombra, escuridão podem ser entendidas como as limitações de visualização mental de novas perspectivas pelo coachee, pode também remeter à conformidade, à paralisação.
  • Descoberta de um novo mundo, a saída da caverna, pode ser a ampliação de consciência do coache sobre suas percepções acerca de si e dos desafios que ele traz para as sessões. O Coaching apresenta diferentes ângulos de visão para o que até então era tido como verdade.
  • A dor, o incômodo causado pela claridade, nada mais são do que aquilo que o coache sente quando se depara com a necessidade da mudança como sendo a condição essencial para encarar a realidade de uma nova maneira.
  • O perigo da transformação, representado pelo desejo do prisioneiro voltar à caverna e chamar os companheiros para uma nova vivência. A irreversibilidade da transformação é ao mesmo tempo maravilhosa e perigosa, por causa dela, algumas pessoas poderão se afastar, outras, se unir a você pelos simples fato de agora é possível pensar e agir de uma maneira diferente ao longo do processo de Coaching.
  • A responsabilidade pelas escolhas, ficar ou sair, voltar ou não, leva seu coache a tomar para si as rédeas da mudança da própria vida, ele servirá como referência, pessoa a ser modelada por aqueles que estão próximos. O fato de perceber a realidade sob outro foco é responsabilidade de cada um.

A Filosofia e o Coaching têm linhas convergentes quando tratamos da autogestão do conhecimento. Estas ciências dão o suporte para que você, Coach, possa propor algo fora do que está previsto ou previamente padronizado a você, àqueles que estão próximos e ao seu coache. A mudança dói, assusta, mas ela é libertadora.

Convido você a sair da escuridão da ignorância e ir em direção à luz, ao conhecimento, ou melhor, ao autoconhecimento. As metáforas os mitos, são fontes de saberdoria e poder, e nos dão informações para competência da mente insconsciente.

Fontes pesquisadas

http://www.portaleducacao.com.br/recursos-humanos/artigos/21340/a-gestao-do-conhecimento-um-novo-mito-da-caverna#ixzz3xi1NKnV0. Acesso em 19/01/2016.

GROSS, R. À maneira de Sócrates. Rio de Janeiro – RJ: Best Seller, 2005.

DE BOTTON, A. As consolações da filosofia. Rio de Janeiro – Rocco, 2001.

PLATÃO. A República. São Paulo – Editora Nova Cultural, 2000.

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