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A Diferença entre Ver e Enxergar

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ver e enxergar

Rob Gonsalves/ Dali/Heavy Metal Pela imagem, podemos perceber que existe uma grande diferença entre ver e enxergar

Para Antoine de Saint Exupéry, autor do clássico – O Pequeno Príncipe. “Só se vê bem com os olhos do coração”. Bem, para o cientista Masataka Watanabe, do Instituto Max Planck, em Tübingen, na Alemanha, ver e enxergar são coisas bastante diferentes e, como tal, envolvem partes distintas do nosso cérebro.

Creio que até então eu, você e a maioria das pessoas acreditava que enxergar e ver alguma coisa eram a mesmíssima coisa. Isso quer dizer que a consciência visual e a atenção visual são mecanismos que atuam de formas distintas e que a nossa mente compreende de modos também diferentes aquilo que vemos e percebemos a luz dos nossos olhos. Portanto, nem tudo que parece é!

Isso quer dizer que a parte do nosso cérebro que usamos para ver é uma e aquela que usamos para nos concentrar numa imagem é outra. Ou seja, nem sempre o que vemos é aquilo que estamos enxergando na realidade. Imagine então você de frente para um quadro surrealista de gênios como: Salvador Dali, Vladimir Kush ou Magritte e para figuras de duplo sentido como as de Rob Gonsalves; que brincam com a nossa mente e testam ao mesmo tempo nossa visão e percepção visual e nos confundem facilmente. Veja as imagens a seguir e tente descrever o que está vendo!

O que os seus olhos estão vendo?

Rob Gonsalves/ Dali/Heavy Metal

SorisoMail

Estou certo de que agora você compreende melhor a diferença entre o que vê e o que enxerga. As pinturas de duplo sentido são um perfeito exemplo de como nosso cérebro percebe e entende os estímulos visuais. Entretanto, para chegar a esta constatação os cientistas liderados por Watanabe tiveram que fazer avaliações bastante específicas. Por meio de testes de ressonância magnética, eles monitoraram o córtex visual primário, parte de nossa mente responsável pela visão.

Como fizeram isso? Estimulados por imagens que piscavam diante de seus olhos, os participantes do experimento foram convidados a olhar ou não para elas. Segundo o cientista Masataka, o fato de ter ou não um estimulo visual influenciou bem pouco na atividade mental dos voluntários. Entretanto, quando as pessoas tiveram que obrigatoriamente olhar para os ícones luminosos, a movimentação cerebral foi bem maior.

“O experimento é único, mostrando diferenças na modulação entre consciência e atenção no córtex visual primário, apoiando, portanto, a ideia de que as atividades neuronais correspondentes à atenção e à consciência são, no mínimo, parcialmente dissociadas”, destaca Masataka Watanabe que também se disse surpreso com a sua descoberta.

Com isso, os estudiosos concluíram que foco, concentração e consciência são coisas bem diferentes. Ou seja, você pode estar olhando para uma coisa, mas pode não estar consciente dela e enxergando-a claramente. Se pensarmos bem, fazemos isso constantemente quando estamos de olhos abertos, olhando numa direção, porém a nossa mente está longe, concentrada em outras memórias e informações.

Você Vê ou Enxerga?

Para o cientista Masataka Watanabe, um dos maiores estudiosos do assunto, ver e enxergar são realmente ações muito diferentes. Para ele, ver está em aprofundar sua visão sobre o objeto visto e analisá-lo mais de perto. Já enxergar é apenas olhar sem avaliar com mais cuidado aquilo que se está enxergando. Quando estamos numa livraria, por exemplo, podemos dizer que ao folhear as páginas de um livro estamos apenas enxergando suas folhas, entretanto, quando passamos a ler suas páginas, estamos realmente vendo e interagindo com o conteúdo apresentado pelo autor.

No processo de Coaching temos uma importante ferramenta de conexão que é o rapport, que é uma troca de olhares que conecta as energias de coach e coachee, integra suas intenções, gera empatia e produz um estado de afinidade que permite conduzir sessões extraordinárias. Isso vai além de enxergar quem está na sua frente, mas de ver e sentir o que está além das palavras.

Os olhos dizem muito sobre nós. Cada movimento traz uma informação diferente que revela nossos sentimentos e intenções, sejam elas positivas ou não.  Além de janelas da alma, eles são responsáveis por mais de 80% das informações que captamos do ambiente externo, o que explica porque na maioria dos casos, precisamos realmente ver para crer.

Os Olhos Não Metem Ao Ver ou Enxergar

IBCCoaching Os olhos dizem tudo sobre nós

Se o corpo fala, os olhos são um de nossos maiores porta-vozes. Assim como na ilustração acima, podemos dizer que nada passa ileso por eles. Emoções positivas ou negativas, lembranças, assimilações, experiências passadas, reflexões, sensações, novas construções visuais: tudo, absolutamente tudo se reflete neles. Tanto é que o registro ocular, assim como as nossas digitais, é único e serve como uma forma de validação da nossa identidade em alguns dispositivos de segurança, pois de fato, os olhos não mentem.

Para expandir nossas experiências positivas e construirmos relacionamentos interpessoais produtivos, seja no trabalho ou na vida, saiba que forma como você olha influencia diretamente nisso. Se por exemplo, você está numa conversa e mantêm seus olhos nos olhos da outra pessoa, isso demonstra que está receptivo a interagir e interessado no que o outro tem a dizer.  Por outro lado, quando você desvia seu olhar e sua atenção é sinal de que você não está muito disposto a manter contato.

De forma geral, quando os seus olhos ou de outra pessoa estão direcionados para o alto e também para à direita, tanto você como ela está conectada as suas memórias passadas.  Já quando seu olhar volta-se para baixo e para à esquerda, suas sensações e emoções estão sendo vividas ou revividas.  Por fim, quando olhamos para baixo e para a nossa direita, estamos num momento de reflexão ou mesmo apenas ouvindo de forma mais passiva o que acontece à nossa volta.

Compreender como nossos olhos se comunicam é uma poderosa forma de aprender a se relacionar com você, o mundo e as pessoas à sua volta, assim além de aprender mais sobre si mesmo, também conseguimos compreender com mais precisão o que os outros estão querendo dizer em cada momento.

Sabendo de tudo isso é importante salientar que quanto mais aprimoramos a nossa capacidade de ver, mais expandimos a nossa habilidade para ir além das palavras e de ver e perceber o que está além do enxergar dos nossos olhos.

Convido você, a partir de então, a observar tudo a seu redor sob uma nova ótima, buscando sempre expandir a sua percepção sobre as coisas, pessoas, mundo e si mesmo. Tenho absoluta certeza de que assim, você terá descobertas e aprendizados extraordinários e surpreendentes. Permita-se!

 

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